sábado, 24 de dezembro de 2011

Noite Feliz

Algumas questões norteadoras percorrem este dia específico: se para alguns é cercado de misticismo e crenças e, para outros, sendo a oportunidade de satisfação de consumismos, há quem o torne diferente e o faça momento de avaliação do dia, do ano, da vida.

2011 está chegando ao fim. Para muitos, um ano execrante, cheio de problemas, crises, pressões, dilemas, angústias, contradições. Há quem ache que 2011 tenha sido um ano excelente, plenamente frutífero e envolvido por muitas conquistas pessoas e do seu cotidiano imediato. Há quem mude de opinião e, depois de passar o ano afirmando que estava muito exaustivo, encerra com bons adjetivos, otimista. Como eu.

2011 foi um ano de passos adiante que foram dados, novos terrenos a serem percorridos e novos desafios a serem experimentados. Por esses novos passos chegamos novamente a Sobral, mas também alcançamos Goiânia; por eles, conhecemos novas pessoas e reencontramos algumas do dia-a-dia; por eles, criamos novos laços de sociabilidade mesmo em um ambiente extremamente competitivo e, mesmo, escroto; por eles, matamos a saudade de pessoas queridas que estão em terras distantes e um abraço e uma conversa trazem como consequência boas risadas e minutos de conforto; por eles, temos quem nos conduza aos terrenos menos áridos e menos alagadiços e que nos ajude a seguir nossa trilha ultrapassando os percalços naturais deste desafio.

2011 foi um período de reencontros e o estabelecimento de tentativas de manter os vínculos em dia. Com isso, os mesmos aniversários dos mesmos amigos foram frequentados com intensidade e muita alegria, mas também novos convites e novos espaços foram descobertos e vivenciados ao anoitecer e as belas companhias da lua e amigos que sempre estarão presentes; com isso, a família pareceu mais presente, desde aqueles que moram bem perto e onde se almoça um gostoso baião de dois em um dia de domingo quente até mesmo parentes de outros Estados que nos visitam e nos fazem dedicar alguma parte de nós para sua satisfação em terras forasteiras; com isso, a incessante vontade de estar perto de quem você gosta - e de querer realizá-la plenamente; com isso, a expectativa de ter no imaginário e no coração pessoas que o mundo material não mais a contempla, mas que a presença é constante e eterna.

2011 é tempo de afirmações e reafirmações políticas, mas sobretudo pessoais. Época de ascensão, afirmação e novos meandros profissionais e engajados a serem desbravados e passar a enxergar o que está na frente de nossa escola como uma realidade de nossa vida; época de consolidação de convívios, amizades, sociabilidades, humanidades, biodiversidades; época de divulgar os Urbanos, os Renans, os Rodrigos, os Patricks, os Baratas, as Renatinhas, as Sabrinas, os Henriques, os Thiagos, os Alexandres, os Josués, as Sharons, as Andre(i)as, as Lívias, as Alines, as Camilas, as Sarahs, as Nayanas, os Leos, as Thamires, as Valérias, as Monicas, as Clícias, as Sílvias, as Giulias, as Kalizas, as Rebecas, as Victas, as Gildas, as Virgínias, as inúmeras Anas, os Cláudios, os Sérgios, os Josélios, as Sheydders, as Carols, as Rafaelas, as Iaras, os Pedros, as Eduardas, as Elis, as Cláudias, as Vals, as Danis, as Dillys, as Lucianas, as Iurys, as Suerlandras, as Janetes, os Joãos, os Kauês, as Natálias, as Lucimeires e muitas outras pessoas, a quem dedico minha amizade, meu carinho, minhas saudades, minhas graças.

2011 é ano de saudades e de agradecimentos; é ano de encerramento e despedidas; é ano de (re)construção e manutenção; é a porta de saída para uma outra entrada; é ano de dizer, com toda a metáfora (im)possível, para que não apaguemos a luz, que assim a esperança e a beleza vão embora e fica o medo e a insegurança. E a noite não fica mais feliz como a gente quer plenamente se realiza em cada um de nós, hoje e sempre!

quinta-feira, 22 de dezembro de 2011

Somos importantes!


O mundo do trabalho é permeado de contradições, de injustiças e de desrespeito na contemporaneidade. Podemos observar com muita notoriedade a desvalorização de grande parte das profissões, sobretudo aquelas voltadas para as áreas sociais e humanas.

A mídia e os meios de comunicação provocam um descaso com as Ciências Humanas e Sociais, colocando falsas afirmações e manipulando o verdadeiro papel destas na sociedade. Como exemplo, a revista Veja na edição 2074 - ano 41 e nº. 33, de 20 de Agosto de 2008, publicou uma matéria intitulada “O inssino no Brasiu è otimo” onde faz críticas severas aos professores de História e Geografia, por usarem conteúdos “doutrinários” e ideológicos em salas de aula e que estão presentes nos livros didáticos. Afirmam também que Paulo Freire não contribuiu em nada para a educação no Brasil, afirmação essa típica da mídia corporativista que domina os meios de comunicação no país.

No Cariri cearense, a História, a Sociologia, a Geografia, a Filosofia e a Educação dentre outras, são as que são mais rejeitadas e sofrem desvalorizações por parte dos estudantes que prestam vestibular nas universidades. O baixo índice de disputa pelas vagas é uma prova disso. Porque será?

A sociedade em que vivemos, que é em sua essência capitalista, baseada na competição, no lucro e na individualidade, tende a produzir a consciência dos indivíduos, os quais travam uma intensa “batalha” para conseguir um lugar nas universidade em um curso que supostamente lhe dará a garantia de “um futuro melhor”. Como exemplo, é só observar a concorrência para os cursos de Medicina, Direito, Engenharia(s), e Enfermagem e compará-los com os das Ciências Humanas e Sociais. Sem dúvida essas são áreas de grande importância no contexto social, mas convido-os a refletirem o porquê que estas se situam no “topo” da pirâmide hierárquica das profissões no Cariri e no Brasil.

As próprias escolas da região, fundamentalmente as particulares, estampam em outdoors e em propagandas no rádio e na televisão, os seus alunos que passaram nos vestibulares. Exaltam os nomes e quantos deles passaram nos cursos de Medicina, Direito, Engenharia, Enfermagem e outros cursos “mais importantes”. Quem passa em algum outro curso (Geografia, História, Ciências Sociais, Filosofia, Pedagogia, etc) não têm sequer seus nomes nem fotos divulgados nos panfletos, rádio, TV ou publicidade quem tentam mostrar a “qualidade” da escola no intuito de atrair novos estudantes para o ano seguinte, pois “garantem” seu “futuro melhor” e sua vaga na Universidade (sic). Talvez esses alunos (que passaram nas Ciências Humanas e Sociais) não sejam importantes devido ao curso em que passaram, exceto pela mensalidade gorda que pagavam durante os anos de estudos nas escolas.

Por ironia, de acordo com o Jornal O Povo, em matérias publicadas em 18 e 19 se novembro desse ano, o MEC divulgou que suspenderá 50.000 vagas de IES (Instituições de Ensino Superior) que tiveram nota 1 ou 2 no ENADE  2010. Serão suspensas 516 vagas de 16 faculdades de Medicina no Brasil, todas particulares, pois não alcançaram a nota mínima exigida, que é 3. Nossa saúde está em boas mãos, heim!? No Ceará, no total, serão 8 Universidades penalizadas (7 cursos de Medicina e 1 de Direito) e que não poderão abrir vagas em 2012, sendo uma delas no Cariri (o curso de Direito) e as outras de Fortaleza, sendo todas elas particulares.          

Bom, por fim, é necessário afirmar a grande importância que os profissionais da educação (os cursos de Ciências Humanas e Sociais citados acima) têm para a sociedade caririense e brasileira como um todo e valorizá-los ainda mais pelo seu papel social, valorização esta que está sendo buscada através de protestos, movimentos populares, greves entre outros. As escolas deveriam por mais evidência no papel fundamental do Professor na sociedade e não apenas às profissões que se acham no topo da pirâmide hierárquica, pois assim estariam contribuindo para a construção de uma sociedade com valores sociais pautados na solidariedade e na coletividade.

Fonte: Jornal do Cariri, 13 de Dezembro de 2011, ano XVI, n° 2512, p. 02.

Cláudio Smalley Soares Pereira
Graduado em Geografia pela URCA

domingo, 18 de dezembro de 2011

À mestre, com carinho

Lembremos de nosso tempo infantil de escola: temos birras estúpidas com alguns/mas professores/as por motivos pífios e é momento do reconhecimento societário da criança que ainda não sabe conviver em sociedade para além das relações familiares. Época de descobrimento de novas pessoas, novos mundos, novas oportundiades de vivências e de experimentar o mundo que se abre no horizonte.

Lembremos de nosso tempo adolescente de escola: temos birras estúpidas com alguns/mas professores/as por motivos pífios e é momento de afirmação societário do/da adolescente que pretende reconhecer-se no mundo que descobrira em partes e ressaltar sua individualidade frente aos confrontos diante daquilo que lhe é diferente. Época de construção de valores e de escrever o futuro que se pretende seguir em toda a vida. Ou então refazê-lo.

Lembremos de nosso tempo de universidade: temos birras estúpidas com alguns/mas professores/as por motivos pífios e é momento de formação de um/a profissional o/a qual enfrentará brevemente a selvageria do mundo do trabalho e, na conformação de suas matrizes teóricas, metodológicas, acadêmicas frente aos valores erguidos em tempos passados, consolida um ser adulto. Época de forjar novos passos a serem dados.

Lembremos de nosso tempo para além da universidade: temos birras estúpidas com alguns/mas professores/as por motivos pífios e, no entanto, diante de todos os momentos ultrapassados, são erigidos adjetivos concatenados com as birras que transformam aqueles/as em queridos/as companheiros/as, amigos/as, pessoas de bem. Época de superar desafios e experimentar outros; época de erguer-se ao céu e tanger novos rumos; época de olhar para trás e avaliar os traçados percorridos, as birras desenvolvidas e os abraços ainda a serem dados.

Lembremos de nosso tempo: temos birras estúpidas com alguns/mas professores/as por motivos pífios, mas, no mais profundo batimento do coração pulsa sentimentos bons a serem cultivados para todo o sempre: o companheirismo: para frente, para trás ou para qualquer dos lados, os passos dados e aos que virão, a jornada continua e continuará muito bem acompanhada. Mesmo virtualmente.

Lembremos de nósso tempo: somos companheiros, na brisa ou no calor, porque a gente se dá bem; um novo traçado percorrido se realiza e os braços continuam dados. Parabéns!