Em torno de um adágio pode-se estabelecer imensas condições de sociabilidade ou mesmo, mais sinteticamente, construindo uma verdade. No caso em questão, acredita-se que as duas assertivas tenham sua validade de uma única satisfação.
Andar de ônibus voltando de um roteiro cansativo de trabalho de campo, tendo tomado banho de chuva, balançando-se sob os ventos de uma virose que se anunciava sob a barba mal feita faz com que o mundo esteja em movimento sob seus olhos. Algumas reminiscências ante o presente também reaparecem, em meio à realidade que pulsa ao horizonte: comer cachorro-quente na beira do estádio no coração do Benfica relembrando a primeira entrada no Presidente Vargas, que fora logo para os gramados; a sua infância de piolhos catados no dedo e no pente fino reaparecendo na calçada do Montese e o correr de crianças nas ruas da Itaoca rememorando as corridas no Pio XII, ali no São João do Tauape, entre uma brincadeira de esconde-esconde e outras peripécias.
O tempo passou e a barba, o cabelo e o bigode denunciam isso, em face as poucas transformações da face. Novas formas de lidar com o mundo surgem e novas caricaturas são forjadas. Como sempre insistiam algumas pessoas, das mais próximas, a composição de uma personagem daria maiores êxitos para uma simples e complexa ação sensualizadora. Se o tempo passou, é bom que se aprenda com sua passagem e que os passos sigam para frente, sem remorsos.
A personagem, assim como nas telas ou nos palcos, metamorfoseia-se, não para se adequar ao mundo ou ao espetáculo obrigatoriamente, mas pelo capricho da mudança ou - o que mais faz sentido - pela vontade de encher os olhos dela e das outras pessoas pela mudança. O diálogo com o espelho também é revitalizante, embora fugaz.
Desde não muito tempo, o adágio realmente condiz uma nova realidade: agora, é sem barba, cabelo nem bigode.
que belo texto, me trouxe lembranças também.
ResponderExcluire ainda, uma nova palavra para o vocabulário! "adágio" rsrs.
paz e luz sempre meu querido.
http://tamararoots.blogspot.com/
e o tempo passa e constrói e reconstrói o espaço...(tão geográfico heehhe, mas é verdade =)
ResponderExcluirbela reflexão
;)