sexta-feira, 30 de setembro de 2011

Imagem da Semana, parte VIII

Olá, Curiosos! Olá, Curiosas!

A Imagem da Semana não poderia ser outra: esta foto, extraída do Jornal OPovo, daqui de Fortaleza/CE, retrata muito bem a truculência com a qual temos convivido sob as ações do atual Governo Cid Gomes no comando do Palácio Abolição.

A agressão é justificada, tanto pela polícia militar (Batalhão de Choque, diga-se de passagem) quanto pelo presidente da Assembleia Legislativa (onde ocorreu o fato), Roberto Cláudio (PSB, mesmo partido de Cid Gomes) e Izolda Cela, Secretária de Educação do Estado, como medida de proteção ao patrimônio público.

Acontece que o maior dos patrimônios que o Estado (no sentido conceitual do termo) tem são seus funcionários, são as pessoas que trabalham para prestar à sociedade os serviços públicos essenciais e necessários ao funcionamento sob seu regime. Ante a negação das pautas de reivindicação do movimento grevista (a satisfação do piso salarial e do plano de cargos e carreiras da categoria), a resposta oficial derrama decepções políticas e muito, muito sangue.

foto: Jornal OPovo, em: http://www.opovo.com.br/app/opovo/politica/2011/09/30/noticiapoliticajornal,2307485/imagem-marcante.shtml

domingo, 25 de setembro de 2011

Domingo: frango assado e reminiscências

Em música dos lendários Mamonas Assassinas, entremeios suas sátiras e metáforas, no sábado de sol é dia de comer feijão. Parece que o domingo, para além da Praia de Iracema e Meireles, é dia de comer frango assado com baião de dois ou, ao linguajar da terra, o famoso galeto. Essa constatação parte das viagens entre Parangaba e Montese e seus estabelecimentos lotados - e tradicionais. No entanto, o que mais chamou a atenção nesse domingo não foi a qualidade da comida ou a quantidade de pessoas que a esperavam em seu preparo; reminiscências de duas jovens senhoras, sim.

Duas jovens senhoras, à espera da terceira, combinaram um almoço em conjunto, a reavivar longas datas e lembranças de um passado quando juntas. Atividades profissionais e residências em Estados diferentes (uma delas viera de férias ao Ceará) tornam essa experiência uma satisfatória reunião. Antes dela, em seu preparo, à espera do frondoso galeto, a jovialidade permanente aflora em uma disputa nada ofensiva; ao contrário, era bem divertida!

Em conversa com colega de pósgraduação sobre questões acadêmicas, um pequeno burburinho ouvia ao meu lado, mas nem ligava muito. Percebi-o melhor a partir de quando ele foi embora e noto melhor o alvoroço, que inclusive arrancava risadas tímidas de crianças presentes na longa fila do galeto de seu Luís: um empurra-empurra pra ver quem pagava, entre as duas, o nosso galeto. Uma disputa entre a cordialidade telúrica de quem recebe uma visita e a disposição em agradar tamanha recepção.

Em meio a isso tudo, o sabor do galeto ficou bem melhor e deixou este domingo bem mais altivo!

quinta-feira, 22 de setembro de 2011

Universidade + Pensamento = felinocídio?

Uma tarde de estudos específicos sobre a cidade e o urbano. Um capítulo denso e bastante interessante sobre Henri Lefebvre e seu 'Espaço e Política', há clara observação e convergência sobre uma condição inerente ao cotidiano que reproduzimos: na política do espaço, o espaço é político. A política do espaço, conforme apresenta, é permeado de estratégias dos usadores - ou, para sermos didáticos, dos agentes que produzem o espaço: capital, movimentos sociais e Estado.

Conservando este significado, importante compreender que a Universidade, tanto como um ente institucional do Estado (quando pública) como um equipamento urbano da cidade e, assim, pertencente ao cotidiano do ir e vir de todos (independente de sua natureza), é o espaço por excelência de convivência das diferenças e o lugar onde se sobressaem as tentativas de melhoria (na perspectiva conservadora) ou transformação (na perspectiva radical) da realidade. Como um tópos do pensar, essas diferenças e tentativas, mesmo divergentes, parecem ter um objetivo em comum: a realidade. Bastaria considerá-la concreta em meio à abstração e, dialeticamente, em sua abstração enquanto concretude.

Eram mais de 16h. As mentes cansavam, mas Lefebvre parecia estar motivando as discussões em torno do abstrato e do concreto dialético quando uma amiga em comum das três pessoas do grupo aparece. Um tanto tensa, em virtude dos prazos acadêmicos, logo tem ao seu redor os queridos que a amam, que a seguem e, de uma maneira bem pueril, que a idolatram: os gatos. Como uma mãe que cuida dos filhos, depois da prosa abre sua necessaire e dá o de comer aos gatos. Os gatos estavam nos bancos de cimento. Lá a ração fez companhia a eles, até ser comida. Uma companhia indigesta aparece.

Imediatamente, escuta-se: "dá chumbinho pr'esses gatos!"; "aí não é lugar de gato comer, é de estudante sentar, rapaz!". De forma muito grosseira, um professor interrompeu sua aula para dar sua pretensa lição de moral, com intensa falta de educação. "Esses gatos são tudo doente, são vetores de doença!", ainda berrou. Os gatos não vão a Universidade porque tem comida por pessoas boazinhas, mas porque são abandonados, isso sai tanto da boca dela quanto de qualquer pessoa esclarecida a este respeito. Cinco minutos de desabafo estressado entre amigos e o professor conclui sua aula vindo até a mesa e, entre tantos devaneios, reconhecimento da grosseria e a ausência da educação, fecha com "chave de ouro" sua profecia: "o problema ecológico e ambiental do mundo é a falta de controle demográfico humano".

O grupo conversa, espia os olhos e faz algumas considerações sobre o fato: este professor é malthusiano, acreditando que a população cresce em proporções geométrias alarmantes. Um retorno às aulas de Geografia e Economia Política bem conservadoras. Ademais, uma conclusão empírica do grupo de estudos: o espaço é definitivamente político e seus usagers, na forma francesa de discernir os agentes, pensam o mundo a partir do seu umbigo e o encerram em seu próprio chão. Um felinocídio foi proposto e para ele o problema estaria resolvido. Para ele.


p.s: Este fato foi real e ocorrido na Universidade Estadual do Ceará - UECE. O professor terá sua identidade preservada por não sabermos seu nome. A colega "mãe" dos gatinhos é uma militante da proteção animal e faz parte do Grupo de Apoio e Bem Estar Animal - GABA, que promove diversos eventos a fim de sensibilizar pessoas e encaminhar animais à adoção. A moral da história, além da descrita, é sensibilizar em torno do concreto - nossa realidade - para que possamos conhecer aquilo que ocorre e não percebemos.

quarta-feira, 21 de setembro de 2011

Imagem da Semana, parte VII

Olá, Curiosos! Olá, Curiosas!

Rua General Sampaio, Centro de Fortaleza. Dois quarteirões da imponente Faculdade de Direito e da abandonada Praça Clóvis Beviláqua, deveríamos ter o Museu da Seca.

De propriedade e manutenção do Departamento Nacional Contra as Secas (DNOCS), este museu deveria retratar, expor e apresentar culturalmente os aspectos relevantes às características climáticas, sociais e territoriais do Nordeste brasileiro. No entanto, em seu lugar funciona, em partes, um estacionamento privado - portanto um vazio urbano - e a edificação, amarela à esquerda, aparentemente (de forma externa, já que não entramos nela) abandonada.

É de ficar à vontade e sentado vendo isso?

Foto: @felipesilveir4

quinta-feira, 15 de setembro de 2011

Imagem da Semana, parte VI

Olá, Curiosos! Olá, Curiosas!

A Imagem da Semana mostra uma curiosidade: o que seria isto representado na fotografia?

Posso dizer sinteticamente que são as janelas laterais da Fortaleza de Nossa Senhora da Assunção. Aprofundando, duas matizes de paredes e janelas diferentes. No entanto, é-nos visível outras relações: 1) dois períodos arquitetônicos encravados no ambiente construído e 2) a expansão do Forte em período histórico diferente da estrutura original. Há quem discorde disso. É um debate aberto.

Foto: @felipesilveir4

sábado, 10 de setembro de 2011

Imagem da Semana, parte V

Olá, Curiosos! Olá, Curiosas!

Depois de tanto tempo, enfim retornamos às atividades com uma demonstração curiosa e diferente de nossa realidade local.

A Imagem da Semana registra a Ladeira Porto Geral, em São Paulo/SP. Na subida, a Estação São Bento e, da posição em que tiramos a foto, horizontal em relação a ladeira, a Rua 25 de Março, em pleno sábado de manhã.

Cidades diferentes, mas um ponto em comum: a centralidade urbana que o Centro cumpre à cidade.

Sentem-se e fiquem à vontade, se conseguirem, aí.

Foto: @felipesilveir4

sábado, 3 de setembro de 2011

Perfumes

Em um período maior que uma semana, apenas para dar um exemplo, uma infinidade de perfumes foram exauridos de meu corpo e sentidos do ambiente pelo meu olfato. Eram diferentes locais, diferentes ocasiões, diferentes conjunturas e, obviamente, diferentes perfumes.

A primeira oportunidade de experimentação é sentir os perfumes da madrugada, de forma sonolenta e ansiosa de uma viagem solitária a trabalho que se fará. Madrugada calma e sem movimentação na rua, quatro e meia da manhã você sente o seu próprio perfume, o natural e o produto usado para perfumar; você se sente a pessoa mais cheirosa, a única. Essa ilusão esvai-se ralo dentro ao chegar ao aeroporto e seu nariz perceber aquelas pessoas todas e sua diversidade de perfumes franceses ou paraguaios. Mesma situação que dentro do avião.

Segunda oportunidade é colocar o olfato em teste dentro do transporte público forasteiro: os metrôs e os ônibus, além das ruas e das estações. Aliado ao clima seco e mais frio que o nosso, os perfumes novos dão uma novidade em nossa mente e em nossas sensações, posto que a paisagem também é uma novidade, onde pisamos e tocamos também e, assim, os sentidos se perturbam. Dessa forma foi durante cinco dias, entre ruas, locais de trabalho, prédios visitados, bares, restaurantes, livrarias, sebos... um registro olfativo de uma realidade diferente.

A terceira é ouvir as pessoas falarem do seu perfume e ter nisso um álibi para tentar dissuadir a realidade com o aroma único que se expele. Entre abraços e convivências, o resgate ao cheiro emanado repercute de forma magnífica a quem ouve o aviso 'cheiroso'. Isso, tanto dentro do transporte público coletivo, ambiente construído, na rua.

Depois disso, é a oportunidade de resgatar os perfumes de sua terra natal, com umidade, com maresia, com o hábito que é rememorado depois de alguns poucos dias daqui distante. O cheiro de meu quarto, de minha casa, da rotina com a qual se convive, até mesmo das mangueiras da universidade ou da poeira dos livros da biblioteca, até o do velho e bom vinho barato da esquina da favela. O perfume dos amigos, das amigas, das margens de riachos, do churrasquinho de beira de avenida com farofinha, do mato mesmo que circunda toda essa proximidade cotidiana.

Enfim, neste sábado é a dedicação a alguns perfumes peculiares a serem partilhados, convividos, experimentados. Perfume dos amigos, das cervejas, da boemia, de velas e bolo, de felicitações, de aniversários, de pessoas especiais. Esses perfumes, certamente, serão excelente pedida de um dia bem vivido!