sábado, 3 de setembro de 2011

Perfumes

Em um período maior que uma semana, apenas para dar um exemplo, uma infinidade de perfumes foram exauridos de meu corpo e sentidos do ambiente pelo meu olfato. Eram diferentes locais, diferentes ocasiões, diferentes conjunturas e, obviamente, diferentes perfumes.

A primeira oportunidade de experimentação é sentir os perfumes da madrugada, de forma sonolenta e ansiosa de uma viagem solitária a trabalho que se fará. Madrugada calma e sem movimentação na rua, quatro e meia da manhã você sente o seu próprio perfume, o natural e o produto usado para perfumar; você se sente a pessoa mais cheirosa, a única. Essa ilusão esvai-se ralo dentro ao chegar ao aeroporto e seu nariz perceber aquelas pessoas todas e sua diversidade de perfumes franceses ou paraguaios. Mesma situação que dentro do avião.

Segunda oportunidade é colocar o olfato em teste dentro do transporte público forasteiro: os metrôs e os ônibus, além das ruas e das estações. Aliado ao clima seco e mais frio que o nosso, os perfumes novos dão uma novidade em nossa mente e em nossas sensações, posto que a paisagem também é uma novidade, onde pisamos e tocamos também e, assim, os sentidos se perturbam. Dessa forma foi durante cinco dias, entre ruas, locais de trabalho, prédios visitados, bares, restaurantes, livrarias, sebos... um registro olfativo de uma realidade diferente.

A terceira é ouvir as pessoas falarem do seu perfume e ter nisso um álibi para tentar dissuadir a realidade com o aroma único que se expele. Entre abraços e convivências, o resgate ao cheiro emanado repercute de forma magnífica a quem ouve o aviso 'cheiroso'. Isso, tanto dentro do transporte público coletivo, ambiente construído, na rua.

Depois disso, é a oportunidade de resgatar os perfumes de sua terra natal, com umidade, com maresia, com o hábito que é rememorado depois de alguns poucos dias daqui distante. O cheiro de meu quarto, de minha casa, da rotina com a qual se convive, até mesmo das mangueiras da universidade ou da poeira dos livros da biblioteca, até o do velho e bom vinho barato da esquina da favela. O perfume dos amigos, das amigas, das margens de riachos, do churrasquinho de beira de avenida com farofinha, do mato mesmo que circunda toda essa proximidade cotidiana.

Enfim, neste sábado é a dedicação a alguns perfumes peculiares a serem partilhados, convividos, experimentados. Perfume dos amigos, das cervejas, da boemia, de velas e bolo, de felicitações, de aniversários, de pessoas especiais. Esses perfumes, certamente, serão excelente pedida de um dia bem vivido!

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