Olá curiosos, olá curiosas!
Esta imagem, de Goiânia/GO, é uma demonstração de como o Centro da cidade também é lugar de criatividade, em meio a sua suposta morbidez e suposta "morte noturna".
Em lugares tão efervescentes de movimento na cidade, seus Centros 'abrigam' formas de realização da vida e do "marketing da sobrevivência" capazes de provocar risos ou, inclusive, de funcionar!
Atentem à foto. E fiquem à vontade... ou não!
Foto: @felipesilveir4
quarta-feira, 19 de outubro de 2011
domingo, 16 de outubro de 2011
Não sei ou não quero dizer?
Essa é uma pergunta que incute, invariavelmente, em um confronto de valores éticos e morais na guisa da verdade e de sua antítese, a mentira. Há quem considere a omissão o meio termo entre a oposição. Há quem diga, também, que existem meias verdades e mentirinhas, dando, a ambas, características eufemísticas. Experimentar esse mix de relações abstratas na realidade é bem factível. Dia a dia provamos o seu sabor - amargo, salgado, doce, azedo... vai depender do conteúdo e do seu paladar; se o cardápio for forasteiro, este sabor será mais aguçado, seja qual for.
Em terras forasteiras, você fica mais suscetível às intempéries locais, desde a chuva desavisada até ao cotidiano das pessoas e do mundo que não conhece. Frente ao inusitado, a boca que leva à Roma pelo ditado popular também é evocada a perguntar, em busca de informações. Antes, um parêntese: você, que tem seu namorado, sua namorada, sente a falta da pessoa querida pelo fato de ela demorar a chegar e, no encontro, pergunta: "onde você tava?", tem como resposta "tava ali...", questiona o celular desligado e ouve um "não sei...", guarde essa sensação para entender o fim do texto.
Viajante que não é turista - e mesmo se fosse - gosta de perguntar, ter o novo local de forma mais palpável, seja para o entender, seja para nele poder transitar, conviver e vivenciar. Um ônibus era necessário nessa minha saga no lugar diferente e, obviamente, a pergunta que não calaria ninguém: "qual ônibus eu devo pegar para chegar ao destino tal?". Você pergunta inicialmente a um policial, prevendo que ele dê uma informação segura (literalmente, segurança...) e obtem como resposta "não sei". Estranho. Um homem dá a informação e quarenta minutos depois avisa que o ônibus não tem trocador, que as passagens são por bilhete. Ao perguntar onde comprar, mais uma vez "não sei".
Um lugar novo que mesmo não sendo o destino turístico parece-lhe dever ser acolhedor e essa situação era, ao contrário, irritante. Vinte minutos e chegar em terminal de nome bíblico, o vendedor de bilhetes também me responde "não sei" à pergunta inicial, do ônibus para chegar ao destino. "Pergunta ao motorista aí atrás d'ocê", disse ele. Pensei em mudar a estratégia e questionei se aquele ônibus chegaria ao obstinado destino. "Não" foi a resposta. Mudou-se a estratégia, mudou a resposta. "...e qual que vai daqui até lá?", como forma de puxar assunto, saiu. A resposta? "Não sei".
Lembra da sensação sentida no parêntese? Foi a sentida ao ouvir o quinto "não sei" em menos de uma hora numa cidade desconhecida, onde você fica refém de deslocamento e de vivê-la. A questão ética e moral posta no começo da crônica não se direciona às pessoas, que nem as conheço, mas ao hábito, ao establishment percebido por várias pessoas próximas a mim neste horizonte vivido naquele território. Além do mais, a narrativa de um exemplo é apenas uma provocação à pergunta lançada: é mais danoso, mais irritante - quando perguntamos - a negação da informação ou o seu desconhecimento? A resposta, levemos a reflexão sobre mentiras, verdades, omissão, meias verdades e mentirinhas necessárias e veremos a dimensão dessa conjuntura em nossas vidas, aqui e acolá.
Em terras forasteiras, você fica mais suscetível às intempéries locais, desde a chuva desavisada até ao cotidiano das pessoas e do mundo que não conhece. Frente ao inusitado, a boca que leva à Roma pelo ditado popular também é evocada a perguntar, em busca de informações. Antes, um parêntese: você, que tem seu namorado, sua namorada, sente a falta da pessoa querida pelo fato de ela demorar a chegar e, no encontro, pergunta: "onde você tava?", tem como resposta "tava ali...", questiona o celular desligado e ouve um "não sei...", guarde essa sensação para entender o fim do texto.
Viajante que não é turista - e mesmo se fosse - gosta de perguntar, ter o novo local de forma mais palpável, seja para o entender, seja para nele poder transitar, conviver e vivenciar. Um ônibus era necessário nessa minha saga no lugar diferente e, obviamente, a pergunta que não calaria ninguém: "qual ônibus eu devo pegar para chegar ao destino tal?". Você pergunta inicialmente a um policial, prevendo que ele dê uma informação segura (literalmente, segurança...) e obtem como resposta "não sei". Estranho. Um homem dá a informação e quarenta minutos depois avisa que o ônibus não tem trocador, que as passagens são por bilhete. Ao perguntar onde comprar, mais uma vez "não sei".
Um lugar novo que mesmo não sendo o destino turístico parece-lhe dever ser acolhedor e essa situação era, ao contrário, irritante. Vinte minutos e chegar em terminal de nome bíblico, o vendedor de bilhetes também me responde "não sei" à pergunta inicial, do ônibus para chegar ao destino. "Pergunta ao motorista aí atrás d'ocê", disse ele. Pensei em mudar a estratégia e questionei se aquele ônibus chegaria ao obstinado destino. "Não" foi a resposta. Mudou-se a estratégia, mudou a resposta. "...e qual que vai daqui até lá?", como forma de puxar assunto, saiu. A resposta? "Não sei".
Lembra da sensação sentida no parêntese? Foi a sentida ao ouvir o quinto "não sei" em menos de uma hora numa cidade desconhecida, onde você fica refém de deslocamento e de vivê-la. A questão ética e moral posta no começo da crônica não se direciona às pessoas, que nem as conheço, mas ao hábito, ao establishment percebido por várias pessoas próximas a mim neste horizonte vivido naquele território. Além do mais, a narrativa de um exemplo é apenas uma provocação à pergunta lançada: é mais danoso, mais irritante - quando perguntamos - a negação da informação ou o seu desconhecimento? A resposta, levemos a reflexão sobre mentiras, verdades, omissão, meias verdades e mentirinhas necessárias e veremos a dimensão dessa conjuntura em nossas vidas, aqui e acolá.
segunda-feira, 3 de outubro de 2011
Se escola fosse estádio e educação fosse Copa.
Por Jorge Portugal
Passei, nesses últimos dias, meu olhar pelo noticiário nacional e não dá outra: copa do mundo, construção de estádios, ampliação de aeroportos, modernização dos meios de transportes, um frenesi em torno do tema que domina mentes e corações de dez entre dez brasileiros.
Há semanas, o todo-poderoso do futebol mundial ousou desconfiar de nossa capacidade de entregar o “circo da copa” em tempo hábil para a realização do evento, e deve ter recebido pancada de todos os lados pois, imediatamente, retratou-se e até elogiou publicamente o ritmo das obras.
Fiquei pensando: já imaginaram se um terço desse vigor cívico-esportivo fosse canalizado para melhorar nosso ensino público? É… pois se todo mundo acha que reside aí nossa falha fundamental, nosso pecado social de fundo, que compromete todo o futuro e a própria sustentabilidade de nossa condição de BRIC, por que não um esforço nacional pela educação pública de qualidade igual ao que despendemos para preparar a Copa do Mundo?
E olhe que nem precisaria ser tanto! Lembrei-me, incontinenti, que o educador Cristovam Buarque, ex-ministro da Educação e hoje senador da República, encaminhou ao Senado dois projetos com o condão de fazer as coisas nessa área ganharem velocidade de lebre: um deles prevê simplesmente a federalização do ensino público, ou seja, nosso ensino básico passaria a ser responsabilidade da União, com professores, coordenadores e corpo administrativo tendo seus planos de carreira e recebendo salários compatíveis com os de funcionários do Banco do Brasil ou da Caixa Econômica Federal. Que tal? Não é valorizar essa classe estratégica ao nosso crescimento o desejo de todos que amamos o Brasil? O projeto está lá… parado, quieto, na gaveta de algum relator.
O outro projeto, do mesmo Cristovam, é uma verdadeira “bomba do bem”. Leiam com atenção: ele, o projeto, prevê que “daqui a sete anos, todos os detentores de cargo público, do vereador ao presidente da República serão obrigados a matricular seus filhos na rede pública de ensino”. E então? Já imaginaram o esforço que deputados (estaduais e federais), senadores e governadores não fariam para melhorar nossas escolas, sabendo que seus filhos, netos, iriam estudar nelas daqui a sete anos? Pois bem, esse projeto está adormecido na gaveta do senador Antônio Carlos Valladares, de Sergipe, seu relator. E não anda. E ninguém sabe dele.
Desafio ao leitor: você é capaz de, daí do seu conforto, concordando com os projetos, pegar o seu computador e passar um e-mail para o senador Valadares
(antoniocarlosvaladares@senador.gov.br) pedindo que ele desengavete essa “bomba do bem”? É um ato cívico simples. Pela educação. Porque pela Copa já estamos fazendo muito mais.
Jorge Portugal é educador, poeta e apresentador de TV. Idealizou e apresenta o programa “Tô Sabendo”, da TV Brasil.
Passei, nesses últimos dias, meu olhar pelo noticiário nacional e não dá outra: copa do mundo, construção de estádios, ampliação de aeroportos, modernização dos meios de transportes, um frenesi em torno do tema que domina mentes e corações de dez entre dez brasileiros.
Há semanas, o todo-poderoso do futebol mundial ousou desconfiar de nossa capacidade de entregar o “circo da copa” em tempo hábil para a realização do evento, e deve ter recebido pancada de todos os lados pois, imediatamente, retratou-se e até elogiou publicamente o ritmo das obras.
Fiquei pensando: já imaginaram se um terço desse vigor cívico-esportivo fosse canalizado para melhorar nosso ensino público? É… pois se todo mundo acha que reside aí nossa falha fundamental, nosso pecado social de fundo, que compromete todo o futuro e a própria sustentabilidade de nossa condição de BRIC, por que não um esforço nacional pela educação pública de qualidade igual ao que despendemos para preparar a Copa do Mundo?
E olhe que nem precisaria ser tanto! Lembrei-me, incontinenti, que o educador Cristovam Buarque, ex-ministro da Educação e hoje senador da República, encaminhou ao Senado dois projetos com o condão de fazer as coisas nessa área ganharem velocidade de lebre: um deles prevê simplesmente a federalização do ensino público, ou seja, nosso ensino básico passaria a ser responsabilidade da União, com professores, coordenadores e corpo administrativo tendo seus planos de carreira e recebendo salários compatíveis com os de funcionários do Banco do Brasil ou da Caixa Econômica Federal. Que tal? Não é valorizar essa classe estratégica ao nosso crescimento o desejo de todos que amamos o Brasil? O projeto está lá… parado, quieto, na gaveta de algum relator.
O outro projeto, do mesmo Cristovam, é uma verdadeira “bomba do bem”. Leiam com atenção: ele, o projeto, prevê que “daqui a sete anos, todos os detentores de cargo público, do vereador ao presidente da República serão obrigados a matricular seus filhos na rede pública de ensino”. E então? Já imaginaram o esforço que deputados (estaduais e federais), senadores e governadores não fariam para melhorar nossas escolas, sabendo que seus filhos, netos, iriam estudar nelas daqui a sete anos? Pois bem, esse projeto está adormecido na gaveta do senador Antônio Carlos Valladares, de Sergipe, seu relator. E não anda. E ninguém sabe dele.
Desafio ao leitor: você é capaz de, daí do seu conforto, concordando com os projetos, pegar o seu computador e passar um e-mail para o senador Valadares
(antoniocarlosvaladares@senador.gov.br) pedindo que ele desengavete essa “bomba do bem”? É um ato cívico simples. Pela educação. Porque pela Copa já estamos fazendo muito mais.
Jorge Portugal é educador, poeta e apresentador de TV. Idealizou e apresenta o programa “Tô Sabendo”, da TV Brasil.
domingo, 2 de outubro de 2011
Mistérios da meia noite
Sábado para domingo e a noite fora da cidade parece ser outra. É convidativa, atraente, envolvente, brilhosa e reluzente. Parece enfeitiçar, tanto que quando as situações supõem-se retornar ao normal, o susto impera.
Em final de semana de intensos debates e construção política a partir da chuva de ideias em um grupo coletivo de pessoas - com propostas semelhantes de ação/intervenção -, a madrugada de sábado mereceu, após horas de uma propositiva atividade, ser vivenciado de forma mais plena. O céu negro em um olhar mais atento e não necessariamente acurado dava lugar aos milhares de pontos brancos no horizonte astronômico.
As estrelas eram muitas e, caminhando e cantando e seguindo a canção, os mistérios da meia noite eram descobertos por várias pessoas, copos de vinho e celulares com função de lanterna. No percurso, os lobos já manifestavam sua presença por seu bafo e seus latidos. Opa, estamos falando dos cachorros da longínqua vizinhança de uma comunidade rural de Guaramiranga, Ceará. Comunidade que tinha um local - que nos acolheu nessa caminhada tortuosa - com uma função talvez mítica: sentir a energia estrelar.
Sentados ou deitados, sentadas ou deitadas, na calçada da suposta igreja estávamos. Felizes, admirados e com as bocas rubras de algumas doses de vinho bebidos por todas estas pessoas. Supostamente escuta-se um rangido arrastado de porta no chão. Uma pessoa amedronta-se e outra sai em disparada: era a chama geral de um alarme que não era falso. É hora de correr.
Desgarrados, desamparados e sem professor, a subida íngreme não encerrava a fuga, embora fadigasse a corrida. Do susto, se lobisomem ou não, os mistérios dessa meia noite permanecerão ocultos. Afinal, cadê os impérios do lobisomem?
Em final de semana de intensos debates e construção política a partir da chuva de ideias em um grupo coletivo de pessoas - com propostas semelhantes de ação/intervenção -, a madrugada de sábado mereceu, após horas de uma propositiva atividade, ser vivenciado de forma mais plena. O céu negro em um olhar mais atento e não necessariamente acurado dava lugar aos milhares de pontos brancos no horizonte astronômico.
As estrelas eram muitas e, caminhando e cantando e seguindo a canção, os mistérios da meia noite eram descobertos por várias pessoas, copos de vinho e celulares com função de lanterna. No percurso, os lobos já manifestavam sua presença por seu bafo e seus latidos. Opa, estamos falando dos cachorros da longínqua vizinhança de uma comunidade rural de Guaramiranga, Ceará. Comunidade que tinha um local - que nos acolheu nessa caminhada tortuosa - com uma função talvez mítica: sentir a energia estrelar.
Sentados ou deitados, sentadas ou deitadas, na calçada da suposta igreja estávamos. Felizes, admirados e com as bocas rubras de algumas doses de vinho bebidos por todas estas pessoas. Supostamente escuta-se um rangido arrastado de porta no chão. Uma pessoa amedronta-se e outra sai em disparada: era a chama geral de um alarme que não era falso. É hora de correr.
Desgarrados, desamparados e sem professor, a subida íngreme não encerrava a fuga, embora fadigasse a corrida. Do susto, se lobisomem ou não, os mistérios dessa meia noite permanecerão ocultos. Afinal, cadê os impérios do lobisomem?
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