Sábado para domingo e a noite fora da cidade parece ser outra. É convidativa, atraente, envolvente, brilhosa e reluzente. Parece enfeitiçar, tanto que quando as situações supõem-se retornar ao normal, o susto impera.
Em final de semana de intensos debates e construção política a partir da chuva de ideias em um grupo coletivo de pessoas - com propostas semelhantes de ação/intervenção -, a madrugada de sábado mereceu, após horas de uma propositiva atividade, ser vivenciado de forma mais plena. O céu negro em um olhar mais atento e não necessariamente acurado dava lugar aos milhares de pontos brancos no horizonte astronômico.
As estrelas eram muitas e, caminhando e cantando e seguindo a canção, os mistérios da meia noite eram descobertos por várias pessoas, copos de vinho e celulares com função de lanterna. No percurso, os lobos já manifestavam sua presença por seu bafo e seus latidos. Opa, estamos falando dos cachorros da longínqua vizinhança de uma comunidade rural de Guaramiranga, Ceará. Comunidade que tinha um local - que nos acolheu nessa caminhada tortuosa - com uma função talvez mítica: sentir a energia estrelar.
Sentados ou deitados, sentadas ou deitadas, na calçada da suposta igreja estávamos. Felizes, admirados e com as bocas rubras de algumas doses de vinho bebidos por todas estas pessoas. Supostamente escuta-se um rangido arrastado de porta no chão. Uma pessoa amedronta-se e outra sai em disparada: era a chama geral de um alarme que não era falso. É hora de correr.
Desgarrados, desamparados e sem professor, a subida íngreme não encerrava a fuga, embora fadigasse a corrida. Do susto, se lobisomem ou não, os mistérios dessa meia noite permanecerão ocultos. Afinal, cadê os impérios do lobisomem?
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