Janeiro chega e as expectativas se realiza: o pré-carnaval em Fortaleza começa. São vários pontos da cidade em efervescência nos finais de semana que antecedem, até fevereiro, o carnaval e, cada um a seu modo e em seu lugar, resgata o momento momino ao cotidiano urbano.
Os holofotes, contemporaneamente, estão distribuídos para o Centro da cidade, além da tradicionalíssima Praia de Iracema e do ascendente Benfica como locais de maiores frequências da população que procura festejar. Lugares diferentes, ritmos semelhantes e ideias bastante distintas, por sinal, as quais repercutem nas pessoas que procuram cada um desses lugares e na forma e a atenção institucional que cada uma delas recebe - e sem cair aqui em determinismo social e/ou geografico. Se o Centro é geograficamente polarizador e a Praia de Iracema recebe as maiores multidões por ser um ponto de encontro de blocos de foliões, o Benfica tem apresentado crescimento em sua frequência - que é, em boa parte dos casos, de quem foge das multidões dos outros bairros.
Em uma semana, do sábado passado até esta sexta que se encerrou, presenciamos dois dos três exemplos citados: a Praia de Iracema e o Benfica. A antiga Praia do Peixe, há sete dias, receberia a abertura oficial dos festejos pré-carnavalescos e, aliado aos blocos (como o Baqueta e o Unidos da Cachorra) que desfilariam por ali - saindo do Dragão do Mar de Arte e Cultura -, milhares de fortalezenses e alguns turistas marcaram presença. Os paredões de som, proibidos por aqui, a falta de educação, o machismo, a falta de banheiros e Michel Teló, também. Ontem, ao ritmo de compositores cearenses, nas mediações do tradicional Bar do Chaguinha, o Luxo da Aldeia (que se apresenta em palco, não faz desfiles) pareceu bem mais agradável, visto que não contava com os equipamentos que estragaram o outro momento - e, supostamente, pelo bairro do Benfica ser um reduto de pessoas com diferentes orientações sexuais -, embora contasse também com a falta de infraestrutura sanitária suficiente à quantidade de presentes.
De forma simplória, em uma semana tive pré-canavais do vinagre ao vinho, mas uma frase em cearês ainda pode simplificar um pouco dos casos, cada um a seu modo e à avaliação feita: : "a galera (não) sabe (nem) brincar, viu, mah!"
sábado, 21 de janeiro de 2012
segunda-feira, 2 de janeiro de 2012
(In)Segurança Pública (in)segura
Ceará, final de 2011: policiais militares do Ronda do Quarteirão em Fortaleza e bombeiros militares entram em estado de greve com as pautas que variam a melhorias trabalhistas - salários e carga horária - à anistia administrativa - em relação ao ato ocorrido no Centro de Fortaleza, o qual o comando considerou abusivo. Soma-se a isso a tradicional falta de diálogo com servidores públicos por parte do atual governo estadual cearense: além dos policiais e bombeiros, tem o caso dos professores da rede estadual de ensino, como exemplo notório, além de outras categorias profissionais.
Em Fortaleza, esta manifestação, que luta por um direito humano coletivo dos trabalhadores, era colocada pela mídia massiva como uma ameaça às festividades do Réveillon, anunciado como o segundo maior do país e contando, entre outros artistas, com Ivete Sangalo como grande "força motriz" a aglutinar pessoas e necessidades de segurança pública.
Ceará, começo de 2012: policiais militares do Ronda do Quarteirão em Fortaleza e algumas cidades do interior, como Juazeiro do Norte, além do Policiamento Ostensivo Geral em Sobral, o Batalhão de Choque e o Raio, assim como os bombeiros militares, endossam o movimento por melhorias - e ganham a solidariedade de algumas categorias profissionais e de parte da sociedade sensibilizada com a causa. Por outro lado, há o crescimento da violência e o crescimento dos boatos da violência disseminada pela capital cearense, em que o pânico somado às redes sociais ampliam os fatos, embora as redes sociais estejam cumprindo excelente papel de precaução aos desavisados.
Arrastões, assaltos, o clima de insegurança ronda o cotidiano social nosso. Isso não ronda os servidores da segurança pública, também, na execução de suas tarefas?
A pergunta primordial que fica ao ar e muitas vezes posta ao léu: se há, quem é o verdadeiro culpado por esta situação? Eles estão (in)seguros com essa (in)segurança? Há quem diga que são os bandidos mesmo, há quem diga que é o Estado, há quem personalize a culpa no governador, Cid Gomes. A certeza é de que a culpa não é dos policiais em greve. Dos trabalhadores da segurança pública.
E eu serei visto como ortodoxo. O debate está aberto, já que ficamos em casa.
Em Fortaleza, esta manifestação, que luta por um direito humano coletivo dos trabalhadores, era colocada pela mídia massiva como uma ameaça às festividades do Réveillon, anunciado como o segundo maior do país e contando, entre outros artistas, com Ivete Sangalo como grande "força motriz" a aglutinar pessoas e necessidades de segurança pública.
Ceará, começo de 2012: policiais militares do Ronda do Quarteirão em Fortaleza e algumas cidades do interior, como Juazeiro do Norte, além do Policiamento Ostensivo Geral em Sobral, o Batalhão de Choque e o Raio, assim como os bombeiros militares, endossam o movimento por melhorias - e ganham a solidariedade de algumas categorias profissionais e de parte da sociedade sensibilizada com a causa. Por outro lado, há o crescimento da violência e o crescimento dos boatos da violência disseminada pela capital cearense, em que o pânico somado às redes sociais ampliam os fatos, embora as redes sociais estejam cumprindo excelente papel de precaução aos desavisados.
Arrastões, assaltos, o clima de insegurança ronda o cotidiano social nosso. Isso não ronda os servidores da segurança pública, também, na execução de suas tarefas?
A pergunta primordial que fica ao ar e muitas vezes posta ao léu: se há, quem é o verdadeiro culpado por esta situação? Eles estão (in)seguros com essa (in)segurança? Há quem diga que são os bandidos mesmo, há quem diga que é o Estado, há quem personalize a culpa no governador, Cid Gomes. A certeza é de que a culpa não é dos policiais em greve. Dos trabalhadores da segurança pública.
E eu serei visto como ortodoxo. O debate está aberto, já que ficamos em casa.
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