Talvez assim como as moedas de um centavo, este texto não ganhe tanta repercussão por discutir algo sem tanto valor assim. Se por um lado o texto realmente não alcance o status quo de grandes e muitos leitores, qualificar assim as moedas de menor unidade monetária brasileira é de enorme iniquidade.
Pois bem, desde que me entendo por pessoa consciente do mundo onde moramos, as unidades monetárias do país contemplaram unidades de valor pequenas, para completar pequenas transações comerciais ou a satisfação do mínimo possível ao consumo mediado pelo dinheiro: as moedas de 50, 10, cinco e um centavo, seja ela de cruzado, cruzeiro, cruzeiro real e real. Neste último caso, com a implantação de outras unidades na confecção de moedas, notadamente a moedinha de 25 centavos e no início do Plano Real (quando 10 reais era "dinheirão" e rendia um monte), qualquer trocado era milhão. Com isso, cada centavinho em um produto, serviço ou tarifa que fosse gasto era um vintém a mais no bolso e nas contas bancárias. Surgia a era dos preços trocados: em Fortaleza, desde a passagem de ônibus, que no fim dos anos 1990 e começo dos anos 2000 - quando a inteira tinha valores de R$ 0,72, R$ 0,80, ou até mesmo R$ 1,16 - até ao quilo de arroz, com seus valores fracionados.
Adiantando o tempo e alcançamos a era dos preço único: tudo por R$ 1,99. Formalizava o custo com uma nota de real, criada depois de algum período de duração do Real, para bugingangas quaisquer, geralmente consumidas nos mercados popular e ambulante. Se no caso acima citado os valores fracionados demandavam maior troco de trocados, para esse caso o retorno se daria com apenas uma moeda, a moeda de um centavo.
A pergunta, então, surge: afinal, cadê as moedas de um centavo?
Remontemos a 2009 para uma primeira consideração. Belém, época do Fórum Social Mundial e uma promoção incrível para o retorno da utilização da moeda de um centavo: um bar vendendo cervejas em lata a um centavo (para quem pagasse o ingresso para adentrá-lo por R$ 15,00) e, entre algumas diretrizes, tinha a obrigatoriedade de comprar a cerveja com a moeda de um centavo e comprar apenas uma cerveja por vez. Fantástico! No entanto, não deu para entrar no local e decidimos consumir o dinheiro fora, comprando uma cerveja a quatro reais. Detalhe: tínhamos quatro reais em moedas de um centavo. No mesmo bar, após pedirmos a conta por essa cerveja, a garçonete se recusou a receber nosso saquinho de dinheiro - a gerente foi chamada e conosco contou as moedas e as aceitou. 2012 e realizo uma compra em um supermercado cujo valor total deu R$ 23,03 e eu paguei com R$ 25,00. Adivinhem o que aconteceu: perdi R$ 0,97 no troco, ou seja, quase-que-praticamente um real!
Não seria isso um choro de um miserável, mas observemos: se eu perdi brincando noventa e sete centavos em um simples troco, quantos milhões de reais essa rede de supermercados adquire nesses trocos arredondados para menos de milhares de pessoas? Por dia!
A pergunta, então, retorna: afinal, cadê as nossas moedas de um centavo?
Real e definitivamente, qualquer trocado vale milhão.
segunda-feira, 25 de junho de 2012
domingo, 17 de junho de 2012
Cantando primaveras
Em alusão a um aniversário, o meu, e oferecido às pessoas queridas.
Mesmo não sendo uma estação do ano, fecha-se mais um ciclo para mais uma primavera que busca florescer novas searas, novos horizontes. Em solo cada vez mais carente de cuidado, trabalhá-lo tornará mais uma florada eficiente e feliz, em novos ritmos e expandindo a paisagem.
Vigésima sétima flor que entra em trabalho de abrir-se ao mundo e revelar-se solenemente, as vinte e seis flores - que não são de plástico, Titãs - acumulam um mix paradoxal de cansaço e renovação, sobriedade e juventude, brilho que novamente é incandiado por um momento pleno: o abrir de mais uma flor.
Desta (mais uma) vez, não houveram tantos jardineiros e floricultoras a cultivar este momento, mas que de alguma forma irrigaram a semeadura, mesmo que de longe, de tantos recantos da cidade, do Estado, do país, a qual fora realizada e contemplada por quatro floricultoras e dois jardineiros, ficando uma delas e um deles da concepção ao fato. Desta (mais uma) vez, todo o ambiente renovava o fluxo de energia necessário e revigorante para o fenômeno: a energia do combustível à alegria da concepção aliada ao clima musical do fato e do momento.
Depois de abrir-se mais uma flor ao mundo, emanando seu perfume que (espera-se) envolva e abranja outras flores e abelhas e donzelas queridas, apresentando sua beleza que (tomara) não esconda a sua verdadeira essência e, principalmente, que sua energia contagie as vinte e seis flores já abertas para o jardim da vida e deixar toda a árvore bonita, frondosa e querida.
Que as floricultoras e os jardineiros se aproximem e que não se afastem, porque, juntos, cantando para o mundo todos terão seus frutos!
Mesmo não sendo uma estação do ano, fecha-se mais um ciclo para mais uma primavera que busca florescer novas searas, novos horizontes. Em solo cada vez mais carente de cuidado, trabalhá-lo tornará mais uma florada eficiente e feliz, em novos ritmos e expandindo a paisagem.
Vigésima sétima flor que entra em trabalho de abrir-se ao mundo e revelar-se solenemente, as vinte e seis flores - que não são de plástico, Titãs - acumulam um mix paradoxal de cansaço e renovação, sobriedade e juventude, brilho que novamente é incandiado por um momento pleno: o abrir de mais uma flor.
Desta (mais uma) vez, não houveram tantos jardineiros e floricultoras a cultivar este momento, mas que de alguma forma irrigaram a semeadura, mesmo que de longe, de tantos recantos da cidade, do Estado, do país, a qual fora realizada e contemplada por quatro floricultoras e dois jardineiros, ficando uma delas e um deles da concepção ao fato. Desta (mais uma) vez, todo o ambiente renovava o fluxo de energia necessário e revigorante para o fenômeno: a energia do combustível à alegria da concepção aliada ao clima musical do fato e do momento.
Depois de abrir-se mais uma flor ao mundo, emanando seu perfume que (espera-se) envolva e abranja outras flores e abelhas e donzelas queridas, apresentando sua beleza que (tomara) não esconda a sua verdadeira essência e, principalmente, que sua energia contagie as vinte e seis flores já abertas para o jardim da vida e deixar toda a árvore bonita, frondosa e querida.
Que as floricultoras e os jardineiros se aproximem e que não se afastem, porque, juntos, cantando para o mundo todos terão seus frutos!
segunda-feira, 4 de junho de 2012
Uma visão de Brasil para a Economia
Claro que não posso esperar de um economista uma visão a respeito do espaço tal como estou habilitado a enxergar, discutir, analisar e, quando possível, intervir coletivamente. No entanto, não posso reduzir a visão de uma produção do espaço enquanto externalidade, tal como posta ontem por um economista em um programa de televisão na madrugada de domingo para segunda.
O entrevistado da semana no Canal Livre, programa noturno nos fins de domingo da TV Bandeirantes, foi o economista Delfim Netto. A primeira curiosidade em questão é: por que um dos jornalistas seguidamente o chamava de ministro (sim, ele foi Ministro, mas faz mais de 25 anos!)? Parece uma reprodução da mídia e de algumas muitas pessoas quando se referem ao Lula como presidente Lula. No tocante ao debate em questão, o sistema econômico mundial e seus rebatimentos no Brasil, alicerçando as discussões em torno do mundo financeiro, da crise europeia e a especulação imobiliária na produção de valores concretos e de insegurança de investimentos - e no sistema econômico, fragilizado por este agente desde a década de 1990 - em bolsas de valores.
Alguns excertos soam de forma tão interessante quanto reducionista - e, em uma condição crítica em torno do espaço, até mesmo absurda. Vamos nos deter, talvez, a pior delas: a relação entre a economia e os dilemas do saneamento básico em solo brasileiro. Em tempos (e visões) econômicos, equacionando as perspectivas de um mundo (e um país) melhor, as formas de resolução se encontram em... investimentos. Trazendo ao debate problemas urbanos e rurais (portanto, espaciais) crônicos, como o saneamento básico, o Brasil, para o devido economista, conseguirá superar tal angústia da sociedade através de investimentos públicos e privados, cuja natureza, condição e expectativa produza externalidades para atrair... mais investimentos. Teríamos, com essa interpretação, os problemas sociais resolvidos com o objetivo de obtenção e multiplicação de lucros e não o seu objetivo fundamental, ou seja, a qualidade de vida para a população. Claro, salientando que o investimento público nunca deva ser de natureza privatista ou com a expectativa do lucro sem uma razão e função sociais que as subsidiem e justifiquem e, portanto, concorram para a execução de ordem pública com tal finalidade.
Uma forma de compreender o escrito é imaginar uma localidade carente de serviços públicos, que pode ser ou a Serra de Carapicuíba, em São Paulo, ou as comunidades ribeirinhas no bairro Genibaú, em Fortaleza, cujas condições são bastante precarizadas em razão da ausência ou grande indisponibilidade de atendimento público de água e esgoto, moradia digna e disposição de trabalho e renda regulares e formalizados. Uma parcela considerável de seus habitantes estão na informalidade do trabalho - sendo ambulantes, camelôs ou fazendo bicos - e na informalidade da moradia - estando em condição de risco em sua ocupação residencial precária. Resolver essas questões não seriam uma necessidade social, mas uma possibilidade de executar investimentos públicos para atrair investimentos privados; com a (pseudo-)resolução deste problema, externalidades são criadas e, assim, o espaço torna-se valorizado para a reprodução do capital. Só não sabe o economista que, com a valorização da terra urbana por tais externalidades, o problema social não apenas não é resolvido como é intensificado, pela inacessibilidade dos pobres ao valor de troca imposto à terra.
Com tantas externalidades no plano do pensamento e da criação, falta ao economista em pauta olhar para o exterior de sua janela e não apenas ver o espaço: é preciso vivê-lo.
O entrevistado da semana no Canal Livre, programa noturno nos fins de domingo da TV Bandeirantes, foi o economista Delfim Netto. A primeira curiosidade em questão é: por que um dos jornalistas seguidamente o chamava de ministro (sim, ele foi Ministro, mas faz mais de 25 anos!)? Parece uma reprodução da mídia e de algumas muitas pessoas quando se referem ao Lula como presidente Lula. No tocante ao debate em questão, o sistema econômico mundial e seus rebatimentos no Brasil, alicerçando as discussões em torno do mundo financeiro, da crise europeia e a especulação imobiliária na produção de valores concretos e de insegurança de investimentos - e no sistema econômico, fragilizado por este agente desde a década de 1990 - em bolsas de valores.
Alguns excertos soam de forma tão interessante quanto reducionista - e, em uma condição crítica em torno do espaço, até mesmo absurda. Vamos nos deter, talvez, a pior delas: a relação entre a economia e os dilemas do saneamento básico em solo brasileiro. Em tempos (e visões) econômicos, equacionando as perspectivas de um mundo (e um país) melhor, as formas de resolução se encontram em... investimentos. Trazendo ao debate problemas urbanos e rurais (portanto, espaciais) crônicos, como o saneamento básico, o Brasil, para o devido economista, conseguirá superar tal angústia da sociedade através de investimentos públicos e privados, cuja natureza, condição e expectativa produza externalidades para atrair... mais investimentos. Teríamos, com essa interpretação, os problemas sociais resolvidos com o objetivo de obtenção e multiplicação de lucros e não o seu objetivo fundamental, ou seja, a qualidade de vida para a população. Claro, salientando que o investimento público nunca deva ser de natureza privatista ou com a expectativa do lucro sem uma razão e função sociais que as subsidiem e justifiquem e, portanto, concorram para a execução de ordem pública com tal finalidade.
Uma forma de compreender o escrito é imaginar uma localidade carente de serviços públicos, que pode ser ou a Serra de Carapicuíba, em São Paulo, ou as comunidades ribeirinhas no bairro Genibaú, em Fortaleza, cujas condições são bastante precarizadas em razão da ausência ou grande indisponibilidade de atendimento público de água e esgoto, moradia digna e disposição de trabalho e renda regulares e formalizados. Uma parcela considerável de seus habitantes estão na informalidade do trabalho - sendo ambulantes, camelôs ou fazendo bicos - e na informalidade da moradia - estando em condição de risco em sua ocupação residencial precária. Resolver essas questões não seriam uma necessidade social, mas uma possibilidade de executar investimentos públicos para atrair investimentos privados; com a (pseudo-)resolução deste problema, externalidades são criadas e, assim, o espaço torna-se valorizado para a reprodução do capital. Só não sabe o economista que, com a valorização da terra urbana por tais externalidades, o problema social não apenas não é resolvido como é intensificado, pela inacessibilidade dos pobres ao valor de troca imposto à terra.
Com tantas externalidades no plano do pensamento e da criação, falta ao economista em pauta olhar para o exterior de sua janela e não apenas ver o espaço: é preciso vivê-lo.
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