segunda-feira, 25 de junho de 2012

Afinal, cadê as moedas de um centavo?

Talvez assim como as moedas de um centavo, este texto não ganhe tanta repercussão por discutir algo sem tanto valor assim. Se por um lado o texto realmente não alcance o status quo de grandes e muitos leitores, qualificar assim as moedas de menor unidade monetária brasileira é de enorme iniquidade.

Pois bem, desde que me entendo por pessoa consciente do mundo onde moramos, as unidades monetárias do país contemplaram unidades de valor pequenas, para completar pequenas transações comerciais ou a satisfação do mínimo possível ao consumo mediado pelo dinheiro: as moedas de 50, 10, cinco e um centavo, seja ela de cruzado, cruzeiro, cruzeiro real e real. Neste último caso, com a implantação de outras unidades na confecção de moedas, notadamente a moedinha de 25 centavos e no início do Plano Real (quando 10 reais era "dinheirão" e rendia um monte), qualquer trocado era milhão. Com isso, cada centavinho em um produto, serviço ou tarifa que fosse gasto era um vintém a mais no bolso e nas contas bancárias. Surgia a era dos preços trocados: em Fortaleza, desde a passagem de ônibus, que no fim dos anos 1990 e começo dos anos 2000 - quando a inteira tinha valores de R$ 0,72, R$ 0,80, ou até mesmo R$ 1,16 - até ao quilo de arroz, com seus valores fracionados.

Adiantando o tempo e alcançamos a era dos preço único: tudo por R$ 1,99. Formalizava o custo com uma nota de real, criada depois de algum período de duração do Real, para bugingangas quaisquer, geralmente consumidas nos mercados popular e ambulante. Se no caso acima citado os valores fracionados demandavam maior troco de trocados, para esse caso o retorno se daria com apenas uma moeda, a moeda de um centavo.

A pergunta, então, surge: afinal, cadê as moedas de um centavo?

Remontemos a 2009 para uma primeira consideração. Belém, época do Fórum Social Mundial e uma promoção incrível para o retorno da utilização da moeda de um centavo: um bar vendendo cervejas em lata a um centavo (para quem pagasse o ingresso para adentrá-lo por R$ 15,00) e, entre algumas diretrizes, tinha a obrigatoriedade de comprar a cerveja com a moeda de um centavo e comprar apenas uma cerveja por vez. Fantástico! No entanto, não deu para entrar no local e decidimos consumir o dinheiro fora, comprando uma cerveja a quatro reais. Detalhe: tínhamos quatro reais em moedas de um centavo. No mesmo bar, após pedirmos a conta por essa cerveja, a garçonete se recusou a receber nosso saquinho de dinheiro - a gerente foi chamada e conosco contou as moedas e as aceitou. 2012 e realizo uma compra em um supermercado cujo valor total deu R$ 23,03 e eu paguei com R$ 25,00. Adivinhem o que aconteceu: perdi R$ 0,97 no troco, ou seja, quase-que-praticamente um real!

Não seria isso um choro de um miserável, mas observemos: se eu perdi brincando noventa e sete centavos em um simples troco, quantos milhões de reais essa rede de supermercados adquire nesses trocos arredondados para menos de milhares de pessoas? Por dia!

A pergunta, então, retorna: afinal, cadê as nossas moedas de um centavo?

Real e definitivamente, qualquer trocado vale milhão.

2 comentários:

  1. Muito bem pensado.
    Excelente postagem! (:

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  2. SIDNEY DA SILVA .

    Sempre é bom ficar atento, ano passado fazendo uma hemeroteca encontrei uma matéria que tentava explicar o porque do sumiço das moeda de um centavos .Segundo o Banco Central justificou-se que para fabricar uma moeda de um centavo seria gasto 0,10 centavos e que as moedas eram feitas de acordo com o pedido dos banco, enfatizando ainda mais sua defesa o BC disse que as moedas de 0,01 centavo são suficientes para atender à necessidade do comércio de todo o país.
    Não me contemplando com o que vi na matéria fui em busca de outras fontes e acabei descobrindo que tudo isso não passa nada mais do que uma forma de “enganar” o consumidor que se da o nome de ancoragens do dígito esquerdo que supõe que em um processo simples com uma pequena distração e tomada de decisão precipitada faz com que consumidores perceba somente o dígito esquerdo, antes da virgula. Os centavos não seriam percebidos, e um preço como R$ 4,99 seria registrado mentalmente como apenas R$ 3,00. Essa manobra é muito utilizado em supermercados,lojas, shopping Center e todos os outros estabelecimento de comércio para atrair a clientela.

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