O poder no Brasil tem forte tendência, historicamente, a ser cíclico. As tentativas de transformações foram poucas, na perspectiva da ruptura de uma hegemonia de um direcionamento político e, considerando iniciativas sempre louváveis de iniciativa popular, aquelas que se mantiveram ao lado do povo são raras, quando existentes.
Nos diferentes níveis de poder, no pós-Constitucionalismo, dificilmente cidades possuíram a mesma escala de poder e o mesmo grupo de poder - não necessariamente chapas puras, de frentes únicas partidárias - a frente da cidade, do Estado e do país; se não me engano deve ter acontecido na capital paulista durante o período FHC (PSDB) e, mais recentemente, na capital cearense durante o período Lula (PT-PSB). A segunda, visivelmente, veio em vitória sobre a primeira, como uma esperança em uma resposta e uma alternativa àquele modelo que se cristalizava.
Oito anos depois e essa segunda passagem de uma hegemonia de poder é colocada em disputa. Irônica, oportuna e politicamente, o bloco que se consolidara no Ceará demonstrou sua maior fraqueza, a falsidade da união, e contraditoriamente ambos os blocos de poder, a seu modo e no seu canto, buscam uma mesma identidade. Sim, identificada com o Pai Amado, o Odorico Paraguassu da vida real, aliando a isso a figura feminina, menos carismática, menos poderosa, mas aquela que atualmente manda no final das contas, tirando o coelho da cartola: a Mônica que o Maurício de Souza não criou.
Parecendo a terra da Turma da Mônica, Fortaleza tem possuído muitos colegas da dentucinha com força e coelhinho potentes. Uma série de agregados tentam fazer parte dessa turma, quando na verdade se associam ao criador dela, o Pai Amado. Um desses personagens que tem tentado criar esse perfil na capital alencarina é branco, baixinho, reluzente e aparentemente (repito, aparentemente) não faz nenhuma maldade, mas costuma sair para dar alguns sustos. Amigo do Ceifador Sinistro, o Penadinho é a representação daquela transformação maior que a morte no cotidiano da política brasileira: a metamorfose do socialista(?) 40.
Sob a liderança da Dona Morte, o nosso fantasminha Penadinho, que aparecera no cemitério... ops! cenário local para uma maior quantidade de pessoas no cemitério legislativo, que, por sinal, chegou a comandar. Nesse ínterim, andou aprontando muito, dando não somente sustos, mas verdadeiros sinais de crueldade do além: edificou violações a direitos humanos! Nesse celeiro, é improvável chamar o fantasminha de desalmado, porém a questão não é de espiritualidade, é de direcionamento político mesmo.
Na entrada do ano olímpico, o fantasminha nada camarada, junto com Dona Morte e seus colegas, quiseram se organizar e criaram um ato chamado Atitude. Atitude que culminou no lançamento de sua candidatura à Prefeitura de Fortaleza, sob os auspícios, signos e feitos por ela, que tem governado o Ceará há algum tempo. Parece que o fantasminha quer se parecer com a própria mestre!
No entanto, em meio às aspirações de Penadinho para a Terra da Luz, suas condições objetivas são e estão concretas, não tão bem claras mas de forma efetivamente material, no mundo real. Não é fantasia suas ações, nem seus sustos. Não estão no purgatório as suas chances de assombrar, nos próximos quatro anos, a vida de muita gente.
Não basta apenas acender vela de sete dias e fazer a brincadeira do copo para evitar novas surpresas, os puxões nos dedos dos pés e andar na escuridão, porque Penadinho quer ser da Turma da Mônica: quer sua força e seu coelho junto com ele.
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