domingo, 12 de agosto de 2012

Pai Amado, Filho Mimado(?)

Década de 1970, novidades consideradas incríveis à época surgiam na vida de muitas, muitas pessoas. A presença da televisão na sala de pessoas que podiam tê-la traziam o boom da tecnologia de então: as cores. Os matizes que faziam enxergar melhor as feições, o brilho e o contraste dos rostos e corpos das pessoas, das paisagens, dos horizontes. Foi nesse período, também, que um mítico personagem ganha relevo; igualmente, um homem, da classe trabalhadora, auspicia incomodar o patronato - e o regime militar, de alguma forma.

Os anos passaram e no século XXI aquele personagem que antes incomodara as classes dirigentes, atualmente, se não faz parte dela ao menos não incomoda tanto assim, aprendeu a dialogar sob o idioma delas. Duas vezes presidente da república, aperfeiçoou-se no fazer política e mudando os tons, antes agressivos, agora consegue ser o centro das atenções e da mídia, para o bem, para o mal; pegou no microfone, todos querem estar ao seu lado: no palanque, na televisão, na rua, no hospital...

Em 2012, este dilectus pater da política brasileira vem fomentando muitos filhos país afora, aqueles que são realmente de seu sangue partidário ou não, porque o papai é bom e no seu abraço cabe (quase) todo mundo. Na capital cearense, então...

O filho de sangue do Pai Amado usa a estrela vermelha do número 13, mas parece muito com aquela história de um mimado que fora reconhecido às vésperas do nascimento, sabe como é? Do dia para a noite, papai e filhinho estavam juntos, para todas as pessoas saberem: são retratos, são conversas, são relatos, são discursos, tudo isso o filho querendo demonstrar como o seu pai é bom, é legal e faz parte da família dele... ou melhor, que ele, o filho, faz parte da família do pai, o Amado. É um filho com pai, sem mãe, sem padrinhos e a madrinha, que existe, nem aparece tanto assim. A madrinha está com dívida na bodega.

Se a novela mostrar mais capítulos, talvez possa fazer revelar que tal filho é um advogado e que já compusera uma assessoria popular da área, inclusive estando junto a um grande movimento social brasileiro, mas o roteiro não mostra com tanta precisão as contradições, suficientes para questionar, por exemplo, qual a relevância, a importância e o alcance da participação deste personagem naquelas esferas de atuação e intervenção - porque nem ele costuma falar a respeito, então...

A quem não conhecer nem uma história, nem outra, fica a impressão de que Lula fora Odorico, o Bem Amado (sim, o da novela, daquela novela épica!). E este número 13 em Fortaleza, quem é?

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