terça-feira, 7 de agosto de 2012

O palimpsesto 25?

Os papiros foram escritos na história há um certo tempo atrás e, neles, alguns eventos foram retratados e conhecidos até hoje. Deles as informações alcançaram milhas e milhas, quilômetros e quilômetros, revestindo muitos dos recantos com aquilo que descrevia e remetia alhures. Os tempos mudaram, novos meandros foram conquistados, a sociedade amadureceu e novas histórias e geografias foram redigidas.

Estamos no Estado do Ceará e a história que fora escrita, com o Constitucionalismo, é a emergência de um grupo político o qual se apresentava como mudança. Ascensão de uma nova classe dirigente, sob o regime democrático, nos auspícios da política local criavam a envergadura de uma novidade frente ao passado recente, remetido aos coronéis - inclusive de alcance e investidura regional. Os discursos e práticas de fortalecimento e desenvolvimento econômico e controle social foram tão executados que uma figura em particular, desde esse período, assumira conotações e representações em torno de uma personagem e contra uma situação que, a grosso modo, poderia ser resumida na frase "contra bandidagem, temos que dar voz e vez à força de polícia".

Uma frase escrita no tempo e no espaço reverbera ao passar dos anos. Em espaços de disputa, a frase se tornou slogan e a personagem, condição sine qua non nos confrontos. Com força e virilidade, praticamente sempre saiu derrotado em disputas proporcionais a uma função no espaço com direito a uma ou duas vagas; logrou êxito em algumas chances, sim, e tais oportunidades são reverenciadas como experiências marcantes e fundamentais em conflitos e espaços de disputa mais recentes; tudo em nome da ordem, da moral e do controle social. Curiosamente, na atual composição política e no seio dos embates ora em acontecimento, há algo de diferente. Não apenas a mudança de siglas, de PFL para DEM.

Aquele homem, rude, viril, conservador em sua natureza social, ideológica e política, reaparece após um recolhimento mais manso, suave, holístico e dialogando com esforço em ser abrangente e sociável; aquele homem que antes parecia o dono da bola ou o dono da quermesse agora retorna aparentando ser o time de fora ou o penetra da festa querendo tête-à-tête socializar simpatia; aquele que fizera carreira atentando contra a vida surge renovado orando em favor da vida. É, no mínimo, de se estranhar tamanhas mudanças, porquanto tamanhas rupturas.

A história é escrita e suas linhas permanecem cravadas no tempo; a geografia é experimentada e suas vivências cravadas no espaço. Os papiros são realmente palimpsestos¹ reciclados ou as letras estão dispostas em papel couché reescrevendo uma nova história?

Há quem acredite, mas há, principalmente, quem duvide. Atenção: tensione.

¹ Manuscrito em pergaminho que os copistas na Idade Média apagaram, para nele escrever de novo, e cujos caracteres primitivos a arte moderna não conseguiu fazer reaparecer.

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