À primeira vista, as lembranças vem à tona pelo sucesso cinematográfico em torno do make animal. Perambulando pelas telas do mundo, muitos cachorros foram transformados em astros; em outra perspectiva, muitos cachorros foram aviltados de defesa e continuam sendo alvo de pachorra (eu disse pa-chorra) alheia da humanidade, ora abandonados, ora sendo ressignificados enquanto uma péssima característica humana.
Saracoteando seu curto rabo - encurtado em seus primeiros meses de vida, por pura sacanagem -, a cachorra passeia pela cidade: por longo tempo de sua vida, percorreu sentindo a brisa da Praia de Iracema nas fuças, sentia o cheiro do Pagode da Mocinha ou mesmo de um churrasquinho de gato no Mercado dos Pinhões, no vizinho (e que poucos sabem desse detalhe) Centro da cidade. Nada discreta, porém disposta a conviver com as pessoas, seus passos saltitantes tem outros destinos: as ruas calmas da Parangaba e uma delas caótica, a via na qual um shopping center se instalará em breve. Daqueles bons pra cachorro!
Em seu desfile, a passarela é a própria vida, mas que em seu rumo não apareçam crianças! Crianças e motos! No mais, com discrição, é até fácil conquistá-la: não é simpática, mas ela é meiga, é folgada e muito carinhosa. Até certo ponto. Até determinado período. Quando - e assim são as fêmeas, humanas ou outras animais - entram em seu período de vermelhidão, ou mesmo em um período prévio a este, as coisas mudam de lugar. De verdade.
O bebedouro sai da área de serviço e vai à cozinha; a urina sai do jornalzinho e chega nos tapetes do banheiro; sua ressaca sai do colchãozinho do quarto e o sofá passa a acolhê-la; a satisfação sexual deixa de estar na língua e passa a ser encontrada no chão. Não está largado, porém; está em fricção junto a ela, numa relação não dialética, mas de um tanto modo platônico, pois, afinal, ela se satisfaz. Pra quê mais?
Longe dos holofotes de seus rituais prazeirosos, seus desfiles continuam pelas passarelas do condomínio. Peluda, com coleira rosa, chama a atenção pela sua pose, pelo seu garbo e pela sua... animalidade (para não chamar personalidade). Quando passa, é logo reconhecida: parece uma princesa... é a poodle do 101.
Parece mesmo. De fato, uma Princesa. No entanto, se 101 faz parte de sua vida, esse 101 não são dalmatas.
Isso é que é um olhar geográfico - até a cadela do 101.
ResponderExcluirGostei:
"mas ela é meiga, é folgada e muito carinhosa. Até certo ponto. Até determinado período. Quando - e assim são as fêmeas, humanas ou outras animais - entram em seu período de vermelhidão, ou mesmo em um período prévio a este, as coisas mudam de lugar. De verdade."
hahahaha
"Saracoteando seu curto rabo - encurtado em seus primeiros meses de vida, por pura sacanagem -, a cachorra passeia pela cidade: por longo tempo de sua vida, percorreu sentindo a brisa da Praia de Iracema nas fuças, sentia o cheiro do Pagode da Mocinha ou mesmo de um churrasquinho de gato no Mercado dos Pinhões, no vizinho (e que poucos sabem desse detalhe) Centro da cidade."
ResponderExcluirMe apaixonei pela poodle do 101 como pela gata do jardim :D