Evidencia-se nas redes sociais uma grande discussão (mais uma) a respeito da Lei FIFA Geral da Copa, agora em sua proposta de premiação e estabelecimento de piso aos campeões mundiais das copas de 1958, 1962 e 1970 (veja aqui a proposta de adesão desta proposta à lei: http://esportes.opovo.com.br/app/esportes/futebol/selecaobrasileira/2012/02/28/noticiaselecaobrasileira,2290764/lei-geral-premio-de-r-100-mil-aos-campeoes-mundiais.shtml ). De maneira diferente como tenho percebido o que é recorrente nestes espaços, acho que é importante desagregar os assuntos para um debate político mais totalizante. O que se segue é um ensaio para uma crítica, que não se encerra no próprio texto, vislumbrando estabelecer diálogos. Abre-se espaço, portanto, para reavaliações.
Inicialmente, um grande perigo na discordância de muitos em relação ao que se propõe é comparar com categorias profissionais o mérito da questão. Há comparação com o piso dos professores da rede básica de ensino e universitários de campus estaduais, mas que pode vir também a comparação com o piso dos policiais, médicos e outras tantas categorias profissionais que lutam por isso, com o plano de cargos e carreiras de agentes comunitários de saúde e outras tantas categorias profissionais que lutam por isso, além de profissionais que batalham no reconhecimento de seu exercício, como os catadores de resíduos sólidos. Se fazemos deliberadamente comparações, recorrentemente vamos acabar avaliando quem merece mais ou menos uma reivindicação salarial ou de proteção previdenciária à carreira. Ao invés de unificar as lutas e reivindicações por melhor qualidade de vida, acaba-se, assim, por fragmentar ainda mais os/as trabalhadores/as em suas pautas individualizadas. Fora uma questão que fica no ar: jogador de futebol é uma categoria profissional (antes relegada e atualmente superremunerada)?
Com isso, vale salientar outra consideração: o futebol alimenta a alienação de massa. Em partes, isso é uma verdade, de tal maneira que os interesses de quem gerencia carreiras, campeonatos e detém o know how da gestão econômica e política do esporte (e o futebol não é exclusividade) é uma condição restrita. Não dá para afirmar com veemência que jogadores de futebol e todos aqueles que trabalham no esporte (desde os especialistas da área médica até os roupeiros, com seu ensino fundamental incompleto) são objetos alienadores das massas, mas tão massa de manobra quanto quem o venera. Ademais, nossa crítica à questão pode crucificar os ex-jogadores, quando o alvo destas críticas devem ser outros.
Dito isso, a questão que o debate atinge acaba não sendo o ponto crucial da pauta: a famigerada Lei FIFA Geral da Copa. Seus proponentes é quem merecem estar no alvo das discussões e não apenas pelo acréscimo de uma pauta de comoção social à massa considerada alienada. A Lei FIFA Geral da Copa apresenta questões de suma importância a serem discutidas e de retirada de direitos estabelecidos nacionalmente e com base de muita mobilização social, como a meia-entrada a jovens, a proibição de consumo de bebidas alcoólicas dentro dos estádios e o cumprimento do Estatuto do Idoso, do Torcedor e da Cidade na realização dos jogos da Copa 2014 - e que vem sido subvertido em prol desses proponentes, vinculando interesses à busca de rentabilidade da empresa FIFA.
Assim, em poucas palavras de uma discussão que não se encerra, o que está em jogo não é um benefício a ex-jogadores campeões mundiais (que na minha opinião está de forma escrupulosa posta nesta Lei para garantir adesão social, mas que discutindo os valores e as formas de atendimento a estas pessoas, é uma consideração relevante em ser proposta), mas aquilo que é mais estupendo no rompimento de nossas relações com a própria cidade de um modo mais totalizante.
Se fossem propostas desvinculadas, eu preferiria contribuir meu imposto a estes ex-jogadores à realização caríssima e absurda da Copa 2014, se o esquema for comparativo.
Acho que estamos mirando para atirar no alvo errado.
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