Parece coisa de menino birrento. Mamãe pergunta se eu quero comer brócolis com carne de sol e logo faço careta com a negação da comida, por mais que goste de carne de sol. Foi o brócolis. Mas bem que queria aquilo no prato - eu separaria o brócolis do charque e, talvez, até poderia experimentá-lo.
Essa é a sensação minha em relação à São Paulo. Não gosto daqui - é de onde escrevo: cidade cinzenta, pesada, nebulosa, tensa, lenta, longa, grande, ampla, distante. Estou, mesmo assim, aqui, e porque quis. Quis por uma necessidade pouco compreendida por muitos e muito ressalvada por poucos. Entre os conjuntos de dez prédios iguais, feitos caixas de sapato em pé sem mesmo alterar o número de cada par, ainda assim existem elementos, pessoas e circunstâncias que fazem-me não apenas dar três horas de viagem aérea, mas mais duas terrestres em solo paulista.
Parece coisa de menino birrento. Fazer cara de desgosto, mas sorrir com tudo isso; ficar com a vista e o corpo cansados, mas se recusando o repouso; usar as mesmas roupas com o clima nordestino e gabar-se de não sentir frio sentindo frio; sentir-se assaltado com o custo elevado de vida - e dos estudos -, mas satisfeito pelo investimento no material alcançado.
Essas são as sensações de onde escrevo, daqui, da paulicéia (com ou sem aceito no ditongo?) desvairada. Tal como o brócolis, nego as oportunidades para passeio pela perdição que ela pode proporcionar, mas indiretamente serei frustrado em não experimentar a noite paulistana; tal como a vontade de experimentar, está aí a própria cidade e sua rotina, seu ritmo e seu cotidiano - nos ônibus, nos metrôs, nas ruas.
Eu não gosto, mas eu quero.
sexta-feira, 26 de agosto de 2011
terça-feira, 23 de agosto de 2011
Imagem da semana, parte IV
Nesta imagem, a demonstração de uma luta pela sobrevivência em meio a uma realidade inerente ao Centro de Fortaleza, mesmo em dia dos mais obsoletos e teoricamente vazios: fim de tarde de domingo.
Rua José Avelino, um resquício da história fortalezense e da ocupação da capital alencarina pós-Pajeú, transposto depois de séculos de tímida colonização territorial em suas margens, agora é palco de (sobre)vivência de centenas de pessoas no mercado informal, em fim de tarde, em espaço que teoricamente deveria ser tornado cuidado pelo bem patrimonial e histórico que representa à cidade, por seu piso original desde o período relativo à belle époque, sobretudo em sua pavimentação. São as contradições entre o bem viver da cidade e a realidade objetiva do (sobre)viver na metrópole.
foto: @felipesilveir4
domingo, 21 de agosto de 2011
Cidade das 10 mil
Averiguando dados preliminares do Censo 2010 do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), algumas curiosidades sobre a capital alencarina tornam-se misteriosas por um lado, mas também bem interessantes por outro. A priori, vamos enfatizar que a metrópole cearense - que não é mais a única no Ceará - mais consolidada, que é Fortaleza, possui quase 2,5 milhões de habitantes.
Fortaleza, administrativamente, é dividida em Secretarias Executivas Regionais (SER's), cujo agrupamento de bairros visam dar uma característica regional intraurbana, embora em nossa avaliação não consiga. Em relação ao que foi exposto pelo IBGE, numa perspectiva mais geral, a capital alencarina possui mais mulheres que homens, tanto no sentido total da cidade, quanto em cada regional.
Ademais, em um olhar escalar mais aprofundado, em seus 117 bairros há mais mulheres que homens, ora algumas margens sendo mínimas, ficando percentualmente meio a meio, ora as margens alcançando mais de 2% - e considerando esta margem um grande quociente. Em um bairro especificamente, esta margem foi ainda maior, de quase 5%, mas o que mais chama a atenção foi um detalhe numérico: Cidade dos Funcionários, bairro localizado na SER VI e de ocupação demasiadamente de classe média, possui exatas 10 mil mulheres!
Se é possível fazer menção à memória às mil e uma noites, mil e uma mulheres de Salomão e à Casa das Sete Mulheres, obras de uma arte literária parcial ou completamente distorcidas com a arte de mass media contemporanea, a Cidade das 10 mil merece os louvores não apenas da estatística - da qual nem quero demonstrar tanto primor e afeto -, mas à incrível coincidência e presença daquelas que, como flores, permeiam os nossos caminhos. Que a Cidade das 10 mil assevere delicadeza com as rudezas da Avenida Oliveira Paiva e a Avenida Desembargador Gonzaga, onde algumas delas trabalham subumanamente, são exploradas e infelizes.
Fortaleza, administrativamente, é dividida em Secretarias Executivas Regionais (SER's), cujo agrupamento de bairros visam dar uma característica regional intraurbana, embora em nossa avaliação não consiga. Em relação ao que foi exposto pelo IBGE, numa perspectiva mais geral, a capital alencarina possui mais mulheres que homens, tanto no sentido total da cidade, quanto em cada regional.
Ademais, em um olhar escalar mais aprofundado, em seus 117 bairros há mais mulheres que homens, ora algumas margens sendo mínimas, ficando percentualmente meio a meio, ora as margens alcançando mais de 2% - e considerando esta margem um grande quociente. Em um bairro especificamente, esta margem foi ainda maior, de quase 5%, mas o que mais chama a atenção foi um detalhe numérico: Cidade dos Funcionários, bairro localizado na SER VI e de ocupação demasiadamente de classe média, possui exatas 10 mil mulheres!
Se é possível fazer menção à memória às mil e uma noites, mil e uma mulheres de Salomão e à Casa das Sete Mulheres, obras de uma arte literária parcial ou completamente distorcidas com a arte de mass media contemporanea, a Cidade das 10 mil merece os louvores não apenas da estatística - da qual nem quero demonstrar tanto primor e afeto -, mas à incrível coincidência e presença daquelas que, como flores, permeiam os nossos caminhos. Que a Cidade das 10 mil assevere delicadeza com as rudezas da Avenida Oliveira Paiva e a Avenida Desembargador Gonzaga, onde algumas delas trabalham subumanamente, são exploradas e infelizes.
sexta-feira, 19 de agosto de 2011
Escanteio
Ficar de escanteio. Uma expressão que remete a uma infinitude de sentidos e significados, inclusive para o mais comum dos esportes brasileiros: o futebol de domingo. Esta expressão, todavia, em sua plenitude, faz remissão a fatos que menos lembram a paixão nacional amarelinha. Em um tempo bem recente, experimentar ficar de escanteio passou por nossas estradas, de forma direta e indireta, vendo pessoas por nela fazer um estágio. Etapas que aparentemente são ofensivas, demonstrando pleno domínio da partida.
No intervalo de uma semana, diversas foram as situações que a bola permaneceu naquele canto do campo, esperando ser lançada à grande área e proporcionando uma das maiores disputas no gramado verde, que é empurrar a bola pra rede ou afastar o perigo daquela zona. Ficar de escanteio pode ser ocasionada por diversos motivos, desde a inibição até a proteção a outrem e ficando excluído, em ambas as situações, diante de um contexto o qual não lhe deve perpassar e sua presença ali é, senão incômoda, ao menos inapropriada. Será mesmo isso?
Em uma noite, a inibição permeou as relações iniciadas horas antes e, tamanha a timidez, a reclusão foi consequência óbvia. Dois crepúsculos adiante, apenas sua presença era um ato de coragem, de amizade e de companheirismo, porém sua ação era uma garantia distante e que, assim, apenas uma vigília. Ficar de escanteio não é apenas uma bola no corner kick, mas também estar de braços cruzados à espera de uma resolução de problemas ou envolver seus braços uma solução em busca de ser conquistada.
Decorrente disso tudo, aparentemente chega-se a uma contraditória descrição, além de uma possibilidade às avessas, de como as coisas na vida são passíveis de mudanças e que, para isso, a transformação é-lhe inerente. Quem diria que ficar de escanteio seria uma ação defensiva, no campo de jogo?
No intervalo de uma semana, diversas foram as situações que a bola permaneceu naquele canto do campo, esperando ser lançada à grande área e proporcionando uma das maiores disputas no gramado verde, que é empurrar a bola pra rede ou afastar o perigo daquela zona. Ficar de escanteio pode ser ocasionada por diversos motivos, desde a inibição até a proteção a outrem e ficando excluído, em ambas as situações, diante de um contexto o qual não lhe deve perpassar e sua presença ali é, senão incômoda, ao menos inapropriada. Será mesmo isso?
Em uma noite, a inibição permeou as relações iniciadas horas antes e, tamanha a timidez, a reclusão foi consequência óbvia. Dois crepúsculos adiante, apenas sua presença era um ato de coragem, de amizade e de companheirismo, porém sua ação era uma garantia distante e que, assim, apenas uma vigília. Ficar de escanteio não é apenas uma bola no corner kick, mas também estar de braços cruzados à espera de uma resolução de problemas ou envolver seus braços uma solução em busca de ser conquistada.
Decorrente disso tudo, aparentemente chega-se a uma contraditória descrição, além de uma possibilidade às avessas, de como as coisas na vida são passíveis de mudanças e que, para isso, a transformação é-lhe inerente. Quem diria que ficar de escanteio seria uma ação defensiva, no campo de jogo?
quinta-feira, 18 de agosto de 2011
Imagem da Semana, parte III
Curiosos e Curiosas, olá!
Esta imagem prisma não apenas uma realidade da capital cearense na contemporaneidade; ela é uma justificativa, em partes, além de uma característica peculiar, da localização do Forte de Schonnenborch, atual 10º Batalhão Militar: horizontes ampliados na vigília defensiva do território da capitania de outrora.
De qualquer modo, como aqui temos apenas uma foto, sentem-se e fiquem a vontade. Ou não.
Foto: @felipesilveir4
segunda-feira, 15 de agosto de 2011
Mistérios da Casa do Português
Curiosos e curiosas, olá!
Sábado à tarde, bairro Damas, mais precisamente na Avenida João Pessoa, nas proximidades da Rua Desembargador Praxedes, eis que ali está localizada a curiosidade de muitos fortalezenses: a Casa do Português (Fotos 01 e 02).
Sendo uma vila em sua concepção inicial e com desenho arquitetônico inovador para os princípios e modelos da época, década de 1950, a Vila de Santo Antônio, como está inscrita em sua testada, pertencia à José Maria Cardoso, nativo de Portugal e cuja família trabalhava com a exploração de madeira e com vínculos comerciais com a Rede Ferroviária Federal S/A, simples e popularmente conhecida como RFFSA. Para algumas pessoas, esta casa é conhecida como Casa do Cardoso - sobretudo para as pessoas mais antigas e seus congêneres -, como no caso de minha amiga Ana Paula Vasconcelos. Para mim e meu amigo Sidney da Silva, é a Casa do Português.
Sábado à tarde e o trio se dirige ao endereço em busca tanto de satisfação pessoal e coletiva como uma tentativa de conhecer melhor uma realidade que a casa envolve em suas paredes: famílias que ali habitam e sabe-se lá de que forma e com quais infraestruturas a elas dispostas. Um ar místico de insegurança envolve aquelas pessoas que escondem sua simpatia em meio ao (possível) medo de dali saírem, pensávamos. Palmas, assobios e um chamado de "ei!" foram as formas iniciais - e finais - de um contato que não demorou a ser encerrado, mesmo não sendo imediatamente satisfeito. Por quê?
Na medida em que os contatos tentavam ser estabelecidos, havia tanto o incômodo material com as mulheres presentes próximo à porta de entrada à casa, que faziam suas unhas e conversavam, bem como o sentimento ofensivo das presenças estranhas no portão lá de fora que supostamente (e realmente?) representávamos. Uma moça veio dizer que não poderíamos entrar pois não havia autorização da pessoa responsável pela casa. Esse fato foi repetido por um homem que entrou na casa dez minutos depois, após o hiato de novas e frustradas tentativas de ali penetrar. As curiosidades deveriam ser satisfeitas de outras formas, exteriores e por meio do diálogo.
Na vizinhança, um retrato mais fidedigno do que os apresentados pelas imagens. A família Cardoso não é mais a proprietária da Casa do Português, sendo-lhe dona outra família [que por ora deixarei em omissão] e que esta mantém uma família nesta residência para que cuide dela - e das famílias que ali vivem. Aliás, são onze as famílias. De acordo com relatos da vizinhança, a venda fora sacramentada há algum tempo, dado posteriormente à morte de José e a herança deixada, em espólio, sendo vendida pelos filhos.
A curiosidade arquitetônica e mística do que ali tem em seu interior não foi descoberta, plenamente satisfeita. Um sinal de respeito às famílias também tem/deve ser colocado em debate. Os mistérios da Casa do Português possui merecem, no entanto, maior atenção nossa tanto no apreço com a história da cidade como, principalmente, com as pessoas da metrópole.
Foto 01: Casa do Português, de frente.
Foto 02: Casa do Português, lado esquerdo.
Fotos: @felipesilveir4
Sábado à tarde, bairro Damas, mais precisamente na Avenida João Pessoa, nas proximidades da Rua Desembargador Praxedes, eis que ali está localizada a curiosidade de muitos fortalezenses: a Casa do Português (Fotos 01 e 02).
Sábado à tarde e o trio se dirige ao endereço em busca tanto de satisfação pessoal e coletiva como uma tentativa de conhecer melhor uma realidade que a casa envolve em suas paredes: famílias que ali habitam e sabe-se lá de que forma e com quais infraestruturas a elas dispostas. Um ar místico de insegurança envolve aquelas pessoas que escondem sua simpatia em meio ao (possível) medo de dali saírem, pensávamos. Palmas, assobios e um chamado de "ei!" foram as formas iniciais - e finais - de um contato que não demorou a ser encerrado, mesmo não sendo imediatamente satisfeito. Por quê?
Na vizinhança, um retrato mais fidedigno do que os apresentados pelas imagens. A família Cardoso não é mais a proprietária da Casa do Português, sendo-lhe dona outra família [que por ora deixarei em omissão] e que esta mantém uma família nesta residência para que cuide dela - e das famílias que ali vivem. Aliás, são onze as famílias. De acordo com relatos da vizinhança, a venda fora sacramentada há algum tempo, dado posteriormente à morte de José e a herança deixada, em espólio, sendo vendida pelos filhos.
A curiosidade arquitetônica e mística do que ali tem em seu interior não foi descoberta, plenamente satisfeita. Um sinal de respeito às famílias também tem/deve ser colocado em debate. Os mistérios da Casa do Português possui merecem, no entanto, maior atenção nossa tanto no apreço com a história da cidade como, principalmente, com as pessoas da metrópole.
Foto 01: Casa do Português, de frente.
Foto 02: Casa do Português, lado esquerdo.
Fotos: @felipesilveir4
sábado, 13 de agosto de 2011
Reencontros
A gente só se encontra em ocasiões assim, disse meu amigo. Definitivamente, aquela seria uma ocasião bem interessante, bem importante e estavam ali presentes pessoas amigas e queridas de datas, tempos e momentos distintos.
As paredes brancas que espetam pessoas que nela se encostam, se escoram - pintadas com massa corrida por meio de rolos e cabos de vassoura - não contagiavam tanto o ambiente que elas protegiam, cujo sério e gelado ambiente parecia enervar todas aquelas pessoas presentes em torno deste meu amigo. Estas paredes que, no dia seguinte e com algumas das pessoas presentes no dia anterior (foram eventos sequenciais, em uma terça e uma quarta-feira), também proporcionariam as mesmas angustias e a mesma possibilidade de reencontro. Mesmo sem a frase inicial ecoada no ar, ela faria sentido em sentido strictu senso.
Dentro da sala, em ambos os dias, teve o momento de aparição deste meu amigo, na terça, e de minha amiga, no dia seguinte. Foram apreciados e em meio ao momento de tensão inerente àquela situação a que eles estavam submetidos, incrivelmente risadas ecoavam, justamente quando a avaliação desses meus amigos era realizada. Um momento teoricamente tenso que foi levado com leveza, mas, obviamente, houve quem tentasse acender mais fogo no incêndio ou atrair mais refletores em seus flashes.
No final das contas, as pessoas sempre são mais importantes. Dessa forma, ao passo que as pessoas saíam felizes e aliviadas, um desejo de compartilhar, de comemorar, de felicitar envolvia as pessoas. Nada, para isso, que sair desta sala com paredes espinhosas e sorrir ao ar livre, sentir o sabor típico das comemorações fraternas e dormir um pouco mais tarde... porque só assim para a gente se encontrar.
A lição de moral que fica, tangendo esses momentos, é de que os amigos estão presentes de diversas formas, sendo a maior e melhor delas nos momentos tensos que se transformam em alegria. As defesas de monografias de meus amigos revelaram mais que um conteúdo a ser refletido pela academia e pela sociedade, em um sentido mais amplo, mas, principalmente, a demonstração da necessidade de cultivar as pessoas. Sempre.
Dedicado à Pedro Vicente e Rafaela Aguiar.
As paredes brancas que espetam pessoas que nela se encostam, se escoram - pintadas com massa corrida por meio de rolos e cabos de vassoura - não contagiavam tanto o ambiente que elas protegiam, cujo sério e gelado ambiente parecia enervar todas aquelas pessoas presentes em torno deste meu amigo. Estas paredes que, no dia seguinte e com algumas das pessoas presentes no dia anterior (foram eventos sequenciais, em uma terça e uma quarta-feira), também proporcionariam as mesmas angustias e a mesma possibilidade de reencontro. Mesmo sem a frase inicial ecoada no ar, ela faria sentido em sentido strictu senso.
Dentro da sala, em ambos os dias, teve o momento de aparição deste meu amigo, na terça, e de minha amiga, no dia seguinte. Foram apreciados e em meio ao momento de tensão inerente àquela situação a que eles estavam submetidos, incrivelmente risadas ecoavam, justamente quando a avaliação desses meus amigos era realizada. Um momento teoricamente tenso que foi levado com leveza, mas, obviamente, houve quem tentasse acender mais fogo no incêndio ou atrair mais refletores em seus flashes.
No final das contas, as pessoas sempre são mais importantes. Dessa forma, ao passo que as pessoas saíam felizes e aliviadas, um desejo de compartilhar, de comemorar, de felicitar envolvia as pessoas. Nada, para isso, que sair desta sala com paredes espinhosas e sorrir ao ar livre, sentir o sabor típico das comemorações fraternas e dormir um pouco mais tarde... porque só assim para a gente se encontrar.
A lição de moral que fica, tangendo esses momentos, é de que os amigos estão presentes de diversas formas, sendo a maior e melhor delas nos momentos tensos que se transformam em alegria. As defesas de monografias de meus amigos revelaram mais que um conteúdo a ser refletido pela academia e pela sociedade, em um sentido mais amplo, mas, principalmente, a demonstração da necessidade de cultivar as pessoas. Sempre.
Dedicado à Pedro Vicente e Rafaela Aguiar.
quinta-feira, 11 de agosto de 2011
Imagem da Semana, parte II
Percorrendo o Centro de Fortaleza, transmitimos um registro de uma de suas principais ruas, sendo um dos corredores de transporte coletivo da cidade, orientando percursos de ônibus que penetram o Centro e saem com destino à Aldeota, buscando a Avenida Santos Dumont, ou no prolongamento da Avenida Visconde do Rio Branco e alcançar a Avenida Aguanambi, esta integrada ao KM 0 da BR-116.
A Rua Castro e Silva, neste retrato, demonstra o velho e o novo em sua paisagem, a qual ora entra em conflitos de uso, ora em usos e abusos do ambiente construído. No lado direito, o Edifício San Pedro, reformado e que dá sede hoje ao Conselho Regional de Engenharia, Arquitetura e Agronomia (CREA-CE), em frente a antiga edificação requalificada e, esta, vizinha a prédio subutilizado. Pluralidades de uso no Centro de Fortaleza? Ei-las aí.
Local: Rua Castro e Silva, entre Rua General Bizerril e Rua Floriano Peixoto.
Foto: @felipesilveir4
segunda-feira, 8 de agosto de 2011
Expedição Praça General Tibúrcio: e os Leões desta praça?
A Praça General Tibúrcio, mais conhecida como Praça dos Leões, se localiza no Centro da capital cearense, entre as ruas Conde D'eu e General Bizerril e nas proximidades da Travessa Morada Nova (Figura 01) e tangida pela Rua São Paulo. Nela, pode-se observar a presença do desenho, como um marco histórico inscrito na paisagem do lugar, da linha de bonde no passeio da praça que nela em tempos passados percorria. Além disso, ainda em relação a esta descrição, foram destacados usos passados e presentes das edificações, como o Museu do Ceará (antiga Assembleia Legislativa do Ceará), a Igreja do Rosário e os bares e restaurantes nas proximidades como elementos da paisagem mais inerente à rotina dali, ao passo da “permanência dos efêmeros” entre os leões esculpidos, como a feira de livros usados, que ocorre nos três primeiros meses do ano com maior efervescência. Daí inferir as diferentes territorialidades que compõem os usos do Centro de Fortaleza, inclusive com as suas transformações socioespaciais e de que maneiras este Centro tem sido utilizado contemporaneamente.
Por que o Centro do presente não é mais o Centro do passado? Esta pergunta, lançada de forma bem comum e facilmente incutida nas cabeças de cidadãos/ãs fortalezenses e mesmo os/as forasteiros/as, cai com relevância, dada as questões relativas à migração administrativa e habitacional deste lugar, além dos significados dos automóveis e a migração dos bancos – conforme destacados. Neste ínterim, é possível observar os conflitos em torno da ocupação do solo particularmente relativos a esta questão na Rua Conde D’Eu, a antiga Estrada do comércio, cujo embate se dava entre os “armazéns para atacado” versus as casas de luxo em sua contigüidade – e a Igreja Presbiteriana (no atual térreo do prédio da Caixa) mais à esquerda deste horizonte, como quem percorre ao sul da cidade seguindo pela Rua Conde D'Eu em direção à Messejana na antiga Estrada da Messejana.
Objeto atual de um projeto de requalificação por vias habitacionais, o Centro de Fortaleza - assim como outros centros urbanos neste Brasil varonil - assiste os passos dos transeuntes em suas pedras portuguesas em meio a muita desconfiança e medo: desconfiança em torno de quem serão os beneficiados nesta empreitada particular e o medo de perder a áurea de uma cidade que não preserva sua história, seu patrimônio e suas características próprias. Os leões da praça são mais que símbolos de escultura francesa importadas no fim do século XIX oriundas da Fonderies d'art du Val d'Osne (Fundição de Arte do Vale de Osne), de Paris; são objetos de arte e manifestação política - aos/às nativos/as locais, basta ir ver as esculturas e perceber que leões machos não tem jubas e as leoas fêmeas tem juba, tudo ao contrário e de propósito, segundo relatos. Não estamos falando apenas de senso comum. Academicamente, no entanto, os receios são bem mais amplos, ficando um para o debate: requalificar o Centro... requalificar o quê e para quem?
Figura 01: Travessa Morada Nova
Fonte: @felipesilveir4, 2011.
sábado, 6 de agosto de 2011
Os festejos
Era um sábado a noite e a noite prometia. Depois de uma semana atribuída aos afazeres acadêmicos - que diga-se de passagem, quando com dedicação, são mais densos e mesmo cansativos que qualquer exercício escolar - e de monotonia fora dos muros da universidade, visitar uma outra faculdade até que traria novos ânimos, novos meandros a percorrer e, também, novas possibilidades de satisfação pessoal. Neste sábado haveria a calourada de Arquitetura, inspirada nos anos #60.
Como forma de me dirigir a quaisquer recantos da cidade, sigo no transporte coletivo saindo das proximidades do Mercado dos Pinhões, no extremo leste do Centro da cidade, rumo ao outrora distante sítio do Benfica, ficando a Arquitetura em terreno anteriormente reticente à família Gentil. Desta vez, fora do comum, parti sozinho. Estarão todos lá, pensava, acreditava, esperava. Não estavam. Mal chegando no recinto e um 'batizado' é executado: fico sujo de barro na camisa amarela. Depois de ficar cheiroso, percebo que era sabonete. Daqueles que faziam a festa de nossos banhos por serem extremamente lisos e que hoje são raridade nas prateleiras. Sim, falo do pheboo.
Ali, encontro uma moça muito simpática e por meio de quem conheço outras pessoas, até uma amiga com quem havia combinado chegar. Envolto destas pessoas, revejo paixão antiga e que sempre me desperta um furor interno. Mas nada além disso, feliz ou infelizmente. Depois de me conformar, fecho os olhos abstratamente e começo o primeiro dos festejos, solitariamente, mas rodeado de pessoas. E assim esbaldamos todos até a retirada obrigatória, não exatamente ao fim da festa, porém com as ordens superiores. Sempre elas a atingir o ápice dos bons momentos.
Para retornar o caminho de casa, o coletivo não passava mais, perdi o limiar da razão e a hora do busão. Senti inveja naquele momento em não ter bicicleta e pedalar solenemente - e foi a partir daí que obtive a razão em procurar obtê-la, fim realizado três meses depois. As pessoas iam e outros sons vinham, agora dos carros a perturbar o juízo. E eu ficando. Ficando sem destino, sem caminho e sem retorno, até que a amiga com quem me encontrei ofereceu carona. Eu, sem dinheiro para a bandeira do taxi, sugeri carona até o Centro, pelo caminho da bandeira dela e das amigas. Negócio fechado e começaria, dez minutos depois, o segundo dos festejos - e, para mim, o mais interessante: andar, em plena madrugada, pelo Centro de Fortaleza.
Descendo na Duque de Caxias, dois quarteirões da Faculdade de Direito, começo o longo caminho de volta ao outro lado do Centro e, enfim, em sua fronteira, minha casa. Eram quase duas da manhã e o silêncio ecoava nos boulevards. Apenas o burburinho dos bares mais populares e sem o requinte, servindo o essencial e o básico - e ainda confiando o velho fiado e a cadernetinha - destoava do habitual silêncio que no claro do dia inexiste ali. Mesas de plástico e a dose de cachaça eram a paisagem nos olhares do festejante. Irrompe negativamente um ronda policial aliciando prostitutas e travestis para diversão perversa e risadas maquiavélicas, ao passo que andaricava nervoso e medroso por esse motivo.
Se fosse limpo, daria gosto de ouvir o Pajeú correr no Parque das Esculturas, no boulevard Dom Manuel; se não estivesse nublado, daria prazer em ver as estrelas brilhando no céu ao invés das luzes da Coelce; se não fosse o pólo elitista da boemia imposta nos arredores do Dragão do Mar, era surpreendente o brilho flamejante ao fim, tal como a luz no fim do túnel; se fosse católico, reverenciava a belezura do Seminário da Prainha com um sinal da cruz; se fosse de dia, não daria para dizer que a Avenida Monsenhor Tabosa também é um corredor de vento; se não estivesse fechado, eu pararia no Pagode da Mocinha, daria uma saudação carinhosa e pediria uma cerveja; se eu atravesso a João Cordeiro, eu saio do Centro, chego em casa e o meu festejo termina. Uma rua é capaz de mudar a ordem das coisas, põe em dúvida a paisagem avistada durante uma caminhada, mas não transforma o vivenciado ontem e hoje... para sempre.
Como forma de me dirigir a quaisquer recantos da cidade, sigo no transporte coletivo saindo das proximidades do Mercado dos Pinhões, no extremo leste do Centro da cidade, rumo ao outrora distante sítio do Benfica, ficando a Arquitetura em terreno anteriormente reticente à família Gentil. Desta vez, fora do comum, parti sozinho. Estarão todos lá, pensava, acreditava, esperava. Não estavam. Mal chegando no recinto e um 'batizado' é executado: fico sujo de barro na camisa amarela. Depois de ficar cheiroso, percebo que era sabonete. Daqueles que faziam a festa de nossos banhos por serem extremamente lisos e que hoje são raridade nas prateleiras. Sim, falo do pheboo.
Ali, encontro uma moça muito simpática e por meio de quem conheço outras pessoas, até uma amiga com quem havia combinado chegar. Envolto destas pessoas, revejo paixão antiga e que sempre me desperta um furor interno. Mas nada além disso, feliz ou infelizmente. Depois de me conformar, fecho os olhos abstratamente e começo o primeiro dos festejos, solitariamente, mas rodeado de pessoas. E assim esbaldamos todos até a retirada obrigatória, não exatamente ao fim da festa, porém com as ordens superiores. Sempre elas a atingir o ápice dos bons momentos.
Para retornar o caminho de casa, o coletivo não passava mais, perdi o limiar da razão e a hora do busão. Senti inveja naquele momento em não ter bicicleta e pedalar solenemente - e foi a partir daí que obtive a razão em procurar obtê-la, fim realizado três meses depois. As pessoas iam e outros sons vinham, agora dos carros a perturbar o juízo. E eu ficando. Ficando sem destino, sem caminho e sem retorno, até que a amiga com quem me encontrei ofereceu carona. Eu, sem dinheiro para a bandeira do taxi, sugeri carona até o Centro, pelo caminho da bandeira dela e das amigas. Negócio fechado e começaria, dez minutos depois, o segundo dos festejos - e, para mim, o mais interessante: andar, em plena madrugada, pelo Centro de Fortaleza.
Descendo na Duque de Caxias, dois quarteirões da Faculdade de Direito, começo o longo caminho de volta ao outro lado do Centro e, enfim, em sua fronteira, minha casa. Eram quase duas da manhã e o silêncio ecoava nos boulevards. Apenas o burburinho dos bares mais populares e sem o requinte, servindo o essencial e o básico - e ainda confiando o velho fiado e a cadernetinha - destoava do habitual silêncio que no claro do dia inexiste ali. Mesas de plástico e a dose de cachaça eram a paisagem nos olhares do festejante. Irrompe negativamente um ronda policial aliciando prostitutas e travestis para diversão perversa e risadas maquiavélicas, ao passo que andaricava nervoso e medroso por esse motivo.
Se fosse limpo, daria gosto de ouvir o Pajeú correr no Parque das Esculturas, no boulevard Dom Manuel; se não estivesse nublado, daria prazer em ver as estrelas brilhando no céu ao invés das luzes da Coelce; se não fosse o pólo elitista da boemia imposta nos arredores do Dragão do Mar, era surpreendente o brilho flamejante ao fim, tal como a luz no fim do túnel; se fosse católico, reverenciava a belezura do Seminário da Prainha com um sinal da cruz; se fosse de dia, não daria para dizer que a Avenida Monsenhor Tabosa também é um corredor de vento; se não estivesse fechado, eu pararia no Pagode da Mocinha, daria uma saudação carinhosa e pediria uma cerveja; se eu atravesso a João Cordeiro, eu saio do Centro, chego em casa e o meu festejo termina. Uma rua é capaz de mudar a ordem das coisas, põe em dúvida a paisagem avistada durante uma caminhada, mas não transforma o vivenciado ontem e hoje... para sempre.
quarta-feira, 3 de agosto de 2011
Imagem da Semana, parte 1
Curiosos e curiosas, olá!
Nesta "Imagem da Semana", apresentamos como as intervenções humanas sobre o ambiente urbano se dão historicamente em desarmonia com os auspícios de uma cidade verdadeira e plenamente voltada para sua plenitude. Em Fortaleza, seu riacho mais simbólico hoje é em grande parte canalizado e, em alguns trechos, invisibilizado, como na foto. Você, curioso, curiosa de Fortaleza, sabia que o riacho Pajeú passa nas mediações do Mercado Central? Ei-lo aí.
Sentem-se e fiquei à vontade.
Sentem-se e fiquei à vontade.
Local: Mercado Central, seu lado direito, com a Catedral Metropolitana ao fundo.
Foto: @felipesilveir4
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