sexta-feira, 19 de agosto de 2011

Escanteio

Ficar de escanteio. Uma expressão que remete a uma infinitude de sentidos e significados, inclusive para o mais comum dos esportes brasileiros: o futebol de domingo. Esta expressão, todavia, em sua plenitude, faz remissão a fatos que menos lembram a paixão nacional amarelinha. Em um tempo bem recente, experimentar ficar de escanteio passou por nossas estradas, de forma direta e indireta, vendo pessoas por nela fazer um estágio. Etapas que aparentemente são ofensivas, demonstrando pleno domínio da partida.

No intervalo de uma semana, diversas foram as situações que a bola permaneceu naquele canto do campo, esperando ser lançada à grande área e proporcionando uma das maiores disputas no gramado verde, que é empurrar a bola pra rede ou afastar o perigo daquela zona. Ficar de escanteio pode ser ocasionada por diversos motivos, desde a inibição até a proteção a outrem e ficando excluído, em ambas as situações, diante de um contexto o qual não lhe deve perpassar e sua presença ali é, senão incômoda, ao menos inapropriada. Será mesmo isso?

Em uma noite, a inibição permeou as relações iniciadas horas antes e, tamanha a timidez, a reclusão foi consequência óbvia. Dois crepúsculos adiante, apenas sua presença era um ato de coragem, de amizade e de companheirismo, porém sua ação era uma garantia distante e que, assim, apenas uma vigília. Ficar de escanteio não é apenas uma bola no corner kick, mas também estar de braços cruzados à espera de uma resolução de problemas ou envolver seus braços uma solução em busca de ser conquistada.

Decorrente disso tudo, aparentemente chega-se a uma contraditória descrição, além de uma possibilidade às avessas, de como as coisas na vida são passíveis de mudanças e que, para isso, a transformação é-lhe inerente. Quem diria que ficar de escanteio seria uma ação defensiva, no campo de jogo?

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