segunda-feira, 8 de agosto de 2011

Expedição Praça General Tibúrcio: e os Leões desta praça?


A Praça General Tibúrcio, mais conhecida como Praça dos Leões, se localiza no Centro da capital cearense, entre as ruas Conde D'eu e General Bizerril e nas proximidades da Travessa Morada Nova (Figura 01) e tangida pela Rua São Paulo. Nela, pode-se observar a presença do desenho, como um marco histórico inscrito na paisagem do lugar, da linha de bonde no passeio da praça que nela em tempos passados percorria. Além disso, ainda em relação a esta descrição, foram destacados usos passados e presentes das edificações, como o Museu do Ceará (antiga Assembleia Legislativa do Ceará), a Igreja do Rosário e os bares e restaurantes nas proximidades como elementos da paisagem mais inerente à rotina dali, ao passo da “permanência dos efêmeros” entre os leões esculpidos, como a feira de livros usados, que ocorre nos três primeiros meses do ano com maior efervescência. Daí inferir as diferentes territorialidades que compõem os usos do Centro de Fortaleza, inclusive com as suas transformações socioespaciais e de que maneiras este Centro tem sido utilizado contemporaneamente.

Por que o Centro do presente não é mais o Centro do passado? Esta pergunta, lançada de forma bem comum e facilmente incutida nas cabeças de cidadãos/ãs fortalezenses e mesmo os/as forasteiros/as, cai com relevância, dada as questões relativas à migração administrativa e habitacional deste lugar, além dos significados dos automóveis e a migração dos bancos – conforme destacados. Neste ínterim, é possível observar os conflitos em torno da ocupação do solo particularmente relativos a esta questão na Rua Conde D’Eu, a antiga Estrada do comércio, cujo embate se dava entre os “armazéns para atacado” versus as casas de luxo em sua contigüidade – e a Igreja Presbiteriana (no atual térreo do prédio da Caixa) mais à esquerda deste horizonte, como quem percorre ao sul da cidade seguindo pela Rua Conde D'Eu em direção à Messejana na antiga Estrada da Messejana.

Objeto atual de um projeto de requalificação por vias habitacionais, o Centro de Fortaleza - assim como outros centros urbanos neste Brasil varonil - assiste os passos dos transeuntes em suas pedras portuguesas em meio a muita desconfiança e medo: desconfiança em torno de quem serão os beneficiados nesta empreitada particular e o medo de perder a áurea de uma cidade que não preserva sua história, seu patrimônio e suas características próprias. Os leões da praça são mais que símbolos de escultura francesa importadas no fim do século XIX oriundas da Fonderies d'art du Val d'Osne (Fundição de Arte do Vale de Osne), de Paris; são objetos de arte e manifestação política - aos/às nativos/as locais, basta ir ver as esculturas e perceber que leões machos não tem jubas e as leoas fêmeas tem juba, tudo ao contrário e de propósito, segundo relatos. Não estamos falando apenas de senso comum. Academicamente, no entanto, os receios são bem mais amplos, ficando um para o debate: requalificar o Centro... requalificar o quê e para quem?

Figura 01: Travessa Morada Nova
Fonte: @felipesilveir4, 2011.

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