O que é fruto de desentendimentos amorosos, familiares e fraternos agora é pecha de propaganda: algumas pessoas avaliam-na como um tiro no pé (porque a propaganda parece assumir que o produto precisou mudar), enquanto que outras creem-na criativa e formidável. Enquanto que o Novo Palio é reproduzido nas tevês e na camisa de equipes brasileiras pela Fiat patrocinadas, o nosso foco retorna para a frase: "o problema não é com você, é comigo".
Em um diálogo com pessoas cujo assunto é "discutindo a relação", acontecem uma série de debates em torno de algo quase sempre muito pequeno à proporção do calor do momento. O pior é que, neste ínterim, ninguém dá o braço a torcer. Cada um com sua míngua de razão, presa nos braços como quem prende o filho para não ir à guerra, o garrafão de água no deserto ou a garrafa de vodka em fim de festa de quinze anos: ninguém larga!
Nessa conjuntura, perguntas que já saturam a paciência aparecem às pessoas de meia idade: "cadê a namorada?" "cadê o namorado?", ressaltando as questões de gênero e suas orientações que quem lê e de quem escreve. Dependendo da sua resposta, a frase-título da crônica emerge em forma de questionamento: "por quê?"
Tentando colocar um ponto final nisso, a resposta que sai pela boca é "o problema não sou eu, as pessoas não querem nada sério...". Mas somos capazes de nos fazer a pergunta "o problema sou eu mesmo?"?
Talvez não, com o receio do tiro no pé que a Fiat não teve. Ela se arriscou.
quarta-feira, 30 de novembro de 2011
domingo, 27 de novembro de 2011
Imagem da Semana, parte XI
Olá Curiosos! Olá Curiosas!
Há exatamente uma semana, houve o registro desta imagem. É a Catedral Metropolitana de Fortaleza, erguida sob a antiga Igreja da Sé - e por isso popularmente conhecida como Catedral da Sé.
É, desde muito tempo, ponto de referência espacial no Centro de Fortaleza, inclusive ao núcleo urbano. Atualmente, tanto o é a nível de mobilidade de pessoas e do turismo local quanto de sobrevivência econômica informal.
Foto: @felipesilveir4
Há exatamente uma semana, houve o registro desta imagem. É a Catedral Metropolitana de Fortaleza, erguida sob a antiga Igreja da Sé - e por isso popularmente conhecida como Catedral da Sé.
É, desde muito tempo, ponto de referência espacial no Centro de Fortaleza, inclusive ao núcleo urbano. Atualmente, tanto o é a nível de mobilidade de pessoas e do turismo local quanto de sobrevivência econômica informal.
Foto: @felipesilveir4
quarta-feira, 23 de novembro de 2011
Imagem da Semana, parte X
Olá, Curiosos! Olá, Curiosas!
Neste retorno às Imagens da Semana, uma fotografia retirada em reportagem do dia 22 de novembro de 2011 no Diário do Nordeste retratando uma ação ao mesmo tempo curiosa e muito, muito criativa.
Chamam-na de intervenção. Pelo conteúdo da ação, é uma manifestação em torno da consciência negra, retratada no dia 20 de novembro tendo como alegoria Zumbi dos Palmares e sua manifestação sobreposta a data (avenida) em que nos dias atuais se registra a libertação negra, 13 de maio, data de assinatura da Lei Áurea.
Mais que uma simples manifestação, essa ação, autônoma e desconhecida pelo Blog, retrata uma questão a ser debatida de forma mais ampla: 13 de maio tem simbologia de libertação negra na sociedade? Há quem proponha, casual ou firmemente, uma mudança de data do dia 13 de maio para 20 de novembro. Tanto do tema quanto da avenida.
Que tal? (Não) sentem-se e fiquem à vontade.
Foto: Diário do Nordeste, 22/11/2011
Neste retorno às Imagens da Semana, uma fotografia retirada em reportagem do dia 22 de novembro de 2011 no Diário do Nordeste retratando uma ação ao mesmo tempo curiosa e muito, muito criativa.
Chamam-na de intervenção. Pelo conteúdo da ação, é uma manifestação em torno da consciência negra, retratada no dia 20 de novembro tendo como alegoria Zumbi dos Palmares e sua manifestação sobreposta a data (avenida) em que nos dias atuais se registra a libertação negra, 13 de maio, data de assinatura da Lei Áurea.
Mais que uma simples manifestação, essa ação, autônoma e desconhecida pelo Blog, retrata uma questão a ser debatida de forma mais ampla: 13 de maio tem simbologia de libertação negra na sociedade? Há quem proponha, casual ou firmemente, uma mudança de data do dia 13 de maio para 20 de novembro. Tanto do tema quanto da avenida.
Que tal? (Não) sentem-se e fiquem à vontade.
Foto: Diário do Nordeste, 22/11/2011
sábado, 19 de novembro de 2011
Perto
As pessoas tem a capacidade de serem norteadas em suas vidas, de diversas formas, para o bem, para o mal. Nesta guisa tem sido pontos de pauta em políticas públicas o tema das drogas, mas, longe de querer estacionar minha atenção a este tema - não o menosprezando, porém escrevendo sobre algo mais leve -, quero abordar outras maneiras de sermos encaminhados por ações ou elementos de fora da gente.
Há quem pondere seus atos pela poesia - e aí destaca-se a moda nas redes sociais o apelo ao Caio Fernando Abreu -, quem aposte seus rumos ao horóscopo diário - e vale ressaltar isso como bem diferente do guia astral, do significado da astrologia e dos zodíacos na vida de cada pessoa -, todavia uma forma bem mais comum, para o bem, para o mal, é sem dúvida a música. Ou não existe aquele momento de ouvir uma música quando se está bem feliz e querer explodir (e associar a isso músicas mais agitadas) e, em seu contrário, músicas "melôs" para os dramas pessoais?
Especificamente aqui e agora, o nosso caso é um duplo contrário, já que não ponho uma música agitada para um momento feliz e a utilização de uma música mais dramática para uma situação ótima seja na verdade sua desconstrução e posterior reconstrução. Não é uma crítica, é uma... digamos... analogia ao contrário, de forma metafórica, conquanto que corrobore numa perspectiva real e concreta. Em uma determinada música de Arnaldo Antunes, existe uma narrativa de uma pessoa que está distante de outra e que quer dela se aproximar; aparecem externalidades que impedem essa aproximação, de tal modo que a impossibilidade acaba realizando um derrotismo, uma condição sine qua non inexpugnável.
Não é longe. O nosso contrário é cada vez mais termos, mesmo que imaterialmente, essa aproximação por perto: se lá o celular não pega, aqui o celular funciona todos os dias com uma mensagem vespertina; se lá o comércio fechou, aqui ele é intenso e ela vive vizinho a ele; se lá nenhum e-mail chegou, aqui as mensagens são fluidas e instantâneas; enfim, se lá dentro deste corpo fechado há um vácuo, aqui, ao contrário, existe o cheio, o constantemente sendo cheio, o cultivado.
Hoje - e não só hoje - eu posso estar até fisicamente distante desta pessoa, muito minha amiga e querida aos montes, entretanto, diferente do roteiro antuniano do encontro contra o qual o impossível prevalece, aqui estamos cada vez mais próximo. Enfim, se Arnaldo Antunes canta Longe, eu ensaio Perto.
Há quem pondere seus atos pela poesia - e aí destaca-se a moda nas redes sociais o apelo ao Caio Fernando Abreu -, quem aposte seus rumos ao horóscopo diário - e vale ressaltar isso como bem diferente do guia astral, do significado da astrologia e dos zodíacos na vida de cada pessoa -, todavia uma forma bem mais comum, para o bem, para o mal, é sem dúvida a música. Ou não existe aquele momento de ouvir uma música quando se está bem feliz e querer explodir (e associar a isso músicas mais agitadas) e, em seu contrário, músicas "melôs" para os dramas pessoais?
Especificamente aqui e agora, o nosso caso é um duplo contrário, já que não ponho uma música agitada para um momento feliz e a utilização de uma música mais dramática para uma situação ótima seja na verdade sua desconstrução e posterior reconstrução. Não é uma crítica, é uma... digamos... analogia ao contrário, de forma metafórica, conquanto que corrobore numa perspectiva real e concreta. Em uma determinada música de Arnaldo Antunes, existe uma narrativa de uma pessoa que está distante de outra e que quer dela se aproximar; aparecem externalidades que impedem essa aproximação, de tal modo que a impossibilidade acaba realizando um derrotismo, uma condição sine qua non inexpugnável.
Não é longe. O nosso contrário é cada vez mais termos, mesmo que imaterialmente, essa aproximação por perto: se lá o celular não pega, aqui o celular funciona todos os dias com uma mensagem vespertina; se lá o comércio fechou, aqui ele é intenso e ela vive vizinho a ele; se lá nenhum e-mail chegou, aqui as mensagens são fluidas e instantâneas; enfim, se lá dentro deste corpo fechado há um vácuo, aqui, ao contrário, existe o cheio, o constantemente sendo cheio, o cultivado.
Hoje - e não só hoje - eu posso estar até fisicamente distante desta pessoa, muito minha amiga e querida aos montes, entretanto, diferente do roteiro antuniano do encontro contra o qual o impossível prevalece, aqui estamos cada vez mais próximo. Enfim, se Arnaldo Antunes canta Longe, eu ensaio Perto.
quarta-feira, 16 de novembro de 2011
Sorria: você está envelhecendo
O tempo passa lentamente no sentido da natureza, esse é o nosso olhar, nossa visão antropocêntrica de mundo. A vida na natureza plena dura bilhões de anos e nós estamos inseridos em parte desses ões de tempo e de vida, assim como minimamente o tempo voa e em um piscar de olhos a durabilidade ocorre da mesma forma que uma reação animal: a vida começa, a vida acaba.
Esse paradigma recrudesce em outro que certamente é enorme a muitos. Desde a lembrança das aulas clássicas e essenciais de Biologia (nós nascemos, crescemos, nos reproduziremos, amadurecemos e morremos) e Filosofia (ser ou não ser, essência e aparência, real e virtual) até o cotidiano materializado, o célebre bordão "a ficha caiu" se concretiza. Gerando satisfações. Proporcionando estranhamentos, sobretudo.
Em um dia festivo, diante do qual você já se reconhece no estranhamento, essa ação de concretizar passa a ter mais relevo que o dia-a-dia da nossa rotina. Duas queridas primas de sua mesma faixa etária, que há tempos não as via, aparecem cada uma com uma criança a tira colo, cada uma com seu filho, duas criaturas lindas! Ao voltar a casa, em uma pausa em um bar, as reflexões tangenciam os sorrisos e os afagos. Em um final de semana prolongado de novembro, uma visita forasteira mais-que-querida novamente adormece alguns dias em sua casa e o leva a dormir no gabinete: seu irmão e família. Dessa vez, com mais uma pessoa, a sua filha, a segunda, e que apenas conhecia por fotografia: oito meses de muita timidez, calma e lindeza. Ao seu retorno ao extremo oriental brasileiro, as saudades ficam e os pensamentos retornam com força: as gerações familiares estão velozes. No sono da última noite, uma infinidade de situações vivenciadas, entre a morte e a esperança (literalmente) e os recados que parecem ter sido dados, a experiência mais interessante e ao mesmo tempo surpreendente foi o resgate de três pessoas da sua época de alfabetização estarem ao seu lado: uma não reconhecível, um com a certeza de quem é e sabendo como está atualmente e, por fim, uma coleguinha, muito linda por sinal, e as exasperantes vontades de retomar os contatos após relembramos uns aos outros pelos nomes - e foi isso que mais pareceu o recado: seu nome.
Acordo atordoado, mas ao mesmo tempo extasiado, querendo encontrar as lembranças de 19 anos atrás. Novamente, a ação recaiu sobre meu corpo e a primeira vez que você utiliza um intervalo de tempo tão grande para resgatar um momento vivido seu. Vinte minutos e o material foi devidamente encontrado: a lista de assinaturas, com letras até bonitinhas para quem ali aprendeu a escrever, dos coleguinhas e das coleguinhas daquele ano de 1992. Pela rede social virtual, encontrei-a e espero curtir (e ela também) esse esbarrão.
Diante de tudo isso, não adianta mais sonegar as informações e, daqui a um tempo, negar as provas cabais de que essa ação da natureza também lhe envolve; se às rugas existem as plásticas e aos cabelos brancos as químicas (e mediadas pelo dinheiro na sua realização do disfarce), a idade não adianta esconder, portanto, sorria: você está envelhecendo.
Esse paradigma recrudesce em outro que certamente é enorme a muitos. Desde a lembrança das aulas clássicas e essenciais de Biologia (nós nascemos, crescemos, nos reproduziremos, amadurecemos e morremos) e Filosofia (ser ou não ser, essência e aparência, real e virtual) até o cotidiano materializado, o célebre bordão "a ficha caiu" se concretiza. Gerando satisfações. Proporcionando estranhamentos, sobretudo.
Em um dia festivo, diante do qual você já se reconhece no estranhamento, essa ação de concretizar passa a ter mais relevo que o dia-a-dia da nossa rotina. Duas queridas primas de sua mesma faixa etária, que há tempos não as via, aparecem cada uma com uma criança a tira colo, cada uma com seu filho, duas criaturas lindas! Ao voltar a casa, em uma pausa em um bar, as reflexões tangenciam os sorrisos e os afagos. Em um final de semana prolongado de novembro, uma visita forasteira mais-que-querida novamente adormece alguns dias em sua casa e o leva a dormir no gabinete: seu irmão e família. Dessa vez, com mais uma pessoa, a sua filha, a segunda, e que apenas conhecia por fotografia: oito meses de muita timidez, calma e lindeza. Ao seu retorno ao extremo oriental brasileiro, as saudades ficam e os pensamentos retornam com força: as gerações familiares estão velozes. No sono da última noite, uma infinidade de situações vivenciadas, entre a morte e a esperança (literalmente) e os recados que parecem ter sido dados, a experiência mais interessante e ao mesmo tempo surpreendente foi o resgate de três pessoas da sua época de alfabetização estarem ao seu lado: uma não reconhecível, um com a certeza de quem é e sabendo como está atualmente e, por fim, uma coleguinha, muito linda por sinal, e as exasperantes vontades de retomar os contatos após relembramos uns aos outros pelos nomes - e foi isso que mais pareceu o recado: seu nome.
Acordo atordoado, mas ao mesmo tempo extasiado, querendo encontrar as lembranças de 19 anos atrás. Novamente, a ação recaiu sobre meu corpo e a primeira vez que você utiliza um intervalo de tempo tão grande para resgatar um momento vivido seu. Vinte minutos e o material foi devidamente encontrado: a lista de assinaturas, com letras até bonitinhas para quem ali aprendeu a escrever, dos coleguinhas e das coleguinhas daquele ano de 1992. Pela rede social virtual, encontrei-a e espero curtir (e ela também) esse esbarrão.
Diante de tudo isso, não adianta mais sonegar as informações e, daqui a um tempo, negar as provas cabais de que essa ação da natureza também lhe envolve; se às rugas existem as plásticas e aos cabelos brancos as químicas (e mediadas pelo dinheiro na sua realização do disfarce), a idade não adianta esconder, portanto, sorria: você está envelhecendo.
segunda-feira, 14 de novembro de 2011
CBF: Celeção Brasileira de Farejo (sic!)
Encerra-se mais um ano "letivo" da CBF - mais conhecida criticamente como Celeção Brasileira de Farejo (sic!) -, de maneira que as bases chamam mais a atenção que a protagonista da turma e os aspectos políticos inerentes a ela clamam mais debates que a convocação para um jogo... mas, aliás, que jogos?
Cotidianamente, em tempos passados, este esporte, com cujos fãs majoritariamente homens - e por isso à época o futebol era associado ao machismo (e sua reprodução em relação ao futebol feminino tanto é combatida, de forma bem feliz e que por isso também associado a produtos voltados ao público masculino , como cerveja, vestuário, calçados, para ficarmos em exemplos ilustrativos) -, atraía focos no mundo do trabalho a cada jogo, anunciado com forte tom emotivo e com o lacônico ufanismo oriundo do vínculo da paixão nacional ao regime militar com a conquista de 1970 e o hit ecoado naquelas paragens; as firmas paravam, contando ou não com o apoio do patronato, por noventa minutos a espera do gol do camisa 9, 10 ou 11. Nenhuma outra camisa era reprimida, todavia, na satisfação dessa vontade.
Isso me faz lembrar a Copa de 1994 e meus poucos idos, com a família reunida em frente a televisão: crianças nas bordas dos sofás e mesas de centro, homens sentados nos sofás e cadeiras, mulheres fora da sala, geralmente conversando sobre outra coisa qualquer. Era quase uma hierarquia construída. Na final contra a Itália - ainda hoje o jogo mais tenso e emocionante que já acompanhei -, o misto entre a descrença e a esperança soerguiam lance a lance, até que nos penais havia quem não quisesse ver, os curiosos, os apaixonados e as pessoas que preferiam apelar às divindades. Brasil campeão, era bonito de se ver as ruas amontoadas de bandeiras.
Por um lado feliz, vemos que o futebol tem se tornado mais democrático e democratizante quanto ao seu acesso, visto que temos cada vez mais mulheres torcedoras e tão sagazes em relação ao futebol a deixar muitos marmanjos no chão; por outro, essa ação democrática/democratizante é paradoxal, haja vista a realização do esporte se tornado mais e mais impositiva, truculenta, observando os exemplos da distante África do Sul e do cotidiano Brasil repetindo as mesmas ações. Ao lado disso, o valor àquilo que as pessoas antigas tanto referendavam hoje assume outras perspectivas, outras diretrizes: a amarelinha. Ao caso brasileiro, talvez ela assuma a mudança de paradigma que o futebol tem absolutizado: o valor de uso se consolidando em valor de troca.
Como tornar isso concreto? Analisando o ano "letivo" deste processo, de modo que o selecionado principal da CBF realizou 12 jogos amistosos (em datas Fifa) em 2011, além da Copa América na Argentina e da controversa Copa Rocca contra a Argentina, em jogos de ida e volta. Diante disso, em relação aos jogos amistosos, apenas dois (Holanda e Romênia, em despedida a Ronaldo, praticamente um rachão!) foram realizados em casa, com mando efetivo de campo em território nacional. Outros quatro jogos foram realizados "em casa" europeia, principalmente na Europa e no Oriente Médio, com a justificativa do deslocamento dos jogadores vinculados aos clubes europeus, além dos jogos como visitante (mais três).
Como proposta de preparação à Copa do Mundo e Copa das Confederações - porque não temos um foco à Seleção Olímpica, que é um tanto diferente das seleções de base -, os adversários insólitos não empolgaram (Egito, Gabão, México, Costa Rica, Gana e Escócia) e os fortes adversários impuseram seu jogo e as fragilidades nossas, principalmente a Alemanha. No entanto, curiosamente, observando os adversários e os locais de jogo - e associando a isso a marcação dos jogos realizado por uma empresa vinculada à CBF -, uma questão de ordem tem seguido o curso anual: expansão de mercado da camisa amarelinha; fazer com que o mundo a vista - por obséquio, consumindo-a.
Não resta dúvidas - e a isso críticas advirão - que dentro de campo o selecionado brasileiro não cumpriu com todos os objetivos pensados pelos/pelas seus/suas torcedores/as, mas à CBF, sem dúvida, abriu novas e reais possibilidades: pacote 11 jogadores + camisas amarelinhas = altos rendimentos se concretiza para além das nossas tevês ultramodernas!
Cotidianamente, em tempos passados, este esporte, com cujos fãs majoritariamente homens - e por isso à época o futebol era associado ao machismo (e sua reprodução em relação ao futebol feminino tanto é combatida, de forma bem feliz e que por isso também associado a produtos voltados ao público masculino , como cerveja, vestuário, calçados, para ficarmos em exemplos ilustrativos) -, atraía focos no mundo do trabalho a cada jogo, anunciado com forte tom emotivo e com o lacônico ufanismo oriundo do vínculo da paixão nacional ao regime militar com a conquista de 1970 e o hit ecoado naquelas paragens; as firmas paravam, contando ou não com o apoio do patronato, por noventa minutos a espera do gol do camisa 9, 10 ou 11. Nenhuma outra camisa era reprimida, todavia, na satisfação dessa vontade.
Isso me faz lembrar a Copa de 1994 e meus poucos idos, com a família reunida em frente a televisão: crianças nas bordas dos sofás e mesas de centro, homens sentados nos sofás e cadeiras, mulheres fora da sala, geralmente conversando sobre outra coisa qualquer. Era quase uma hierarquia construída. Na final contra a Itália - ainda hoje o jogo mais tenso e emocionante que já acompanhei -, o misto entre a descrença e a esperança soerguiam lance a lance, até que nos penais havia quem não quisesse ver, os curiosos, os apaixonados e as pessoas que preferiam apelar às divindades. Brasil campeão, era bonito de se ver as ruas amontoadas de bandeiras.
Por um lado feliz, vemos que o futebol tem se tornado mais democrático e democratizante quanto ao seu acesso, visto que temos cada vez mais mulheres torcedoras e tão sagazes em relação ao futebol a deixar muitos marmanjos no chão; por outro, essa ação democrática/democratizante é paradoxal, haja vista a realização do esporte se tornado mais e mais impositiva, truculenta, observando os exemplos da distante África do Sul e do cotidiano Brasil repetindo as mesmas ações. Ao lado disso, o valor àquilo que as pessoas antigas tanto referendavam hoje assume outras perspectivas, outras diretrizes: a amarelinha. Ao caso brasileiro, talvez ela assuma a mudança de paradigma que o futebol tem absolutizado: o valor de uso se consolidando em valor de troca.
Como tornar isso concreto? Analisando o ano "letivo" deste processo, de modo que o selecionado principal da CBF realizou 12 jogos amistosos (em datas Fifa) em 2011, além da Copa América na Argentina e da controversa Copa Rocca contra a Argentina, em jogos de ida e volta. Diante disso, em relação aos jogos amistosos, apenas dois (Holanda e Romênia, em despedida a Ronaldo, praticamente um rachão!) foram realizados em casa, com mando efetivo de campo em território nacional. Outros quatro jogos foram realizados "em casa" europeia, principalmente na Europa e no Oriente Médio, com a justificativa do deslocamento dos jogadores vinculados aos clubes europeus, além dos jogos como visitante (mais três).
Como proposta de preparação à Copa do Mundo e Copa das Confederações - porque não temos um foco à Seleção Olímpica, que é um tanto diferente das seleções de base -, os adversários insólitos não empolgaram (Egito, Gabão, México, Costa Rica, Gana e Escócia) e os fortes adversários impuseram seu jogo e as fragilidades nossas, principalmente a Alemanha. No entanto, curiosamente, observando os adversários e os locais de jogo - e associando a isso a marcação dos jogos realizado por uma empresa vinculada à CBF -, uma questão de ordem tem seguido o curso anual: expansão de mercado da camisa amarelinha; fazer com que o mundo a vista - por obséquio, consumindo-a.
Não resta dúvidas - e a isso críticas advirão - que dentro de campo o selecionado brasileiro não cumpriu com todos os objetivos pensados pelos/pelas seus/suas torcedores/as, mas à CBF, sem dúvida, abriu novas e reais possibilidades: pacote 11 jogadores + camisas amarelinhas = altos rendimentos se concretiza para além das nossas tevês ultramodernas!
quarta-feira, 9 de novembro de 2011
Protestar, farrear ou transgredir? Lutar!
A provocação nas perguntas expostas apareceram em torno da atual conjuntura que toma parte da mídia (e de forma parcelada, fragmentada) a respeito da Universidade de São Paulo lançada por um programa religioso do concorrente do Cidadão Kane. Muito além das parceladas informações em torno dos fatos históricos (e espaciais, por que não?), o que parece necessário amadurecer no debate não é a presença ou não de forças militares na Universidade - seja ela a USP, a Uece, a Unilab ou a Unir - ou do uso de drogas - e aí a reflexão sobre o que é ou não droga e sua licitude e negação, já que o álcool é permitido - nos campi, mas aquilo que está neste processo.
À discussão colocada pela mídia, em formas de enquetes e perguntas objetivas do tipo "você é a favor ou contra?", forjam-se maniqueísmos tangentes a condições e conjunturas cujo elemento mais importante a se considerar está justamente no liame, no processo. Ao meio disso tudo, um capítulo apresentado foi uma edição inteira do programa "Fala que eu te Escuto" dedicado ao tema, interrogando os/as fiéis telespectadores/as sobre tal episódio - e nada surpreendente que todas as pessoas direcionando sua opinião à transgressão de regras, um rompimento moral, focando o uso da maconha. Os usuários foram postos na berlinda e apenas um dos lados foi questionado; apenas um lado, o outro, está sendo ouvido.
A história não teve seu início neste epípeto. Uma primeira prerrogativa foi apresentada em nota¹ pela Professora Ana Fani, do Curso de Geografia desta Universidade, relacionando a precarização da universidade em sua totalidade e a presença da polícia, de igual maneira ao escasseamento de incentivos de pesquisa e o rareamento do tempo de reflexão acadêmica (diferente por natureza do tempo da produção), diante da qual as condições da Universidade de São Paulo - e não apenas ela, embora sua dimensão internacional amplie sua polarização - tem experimentado. Ela se posicionou a favor das manifestações enxergando a totalidade da questão e não apenas o fato in situ. A universidade foi posta ao debate e apenas um dos lados foi questionado; apenas um lado, o outro, está sendo ouvido.
As opiniões contrárias - e prenhes de ideologia contrária, vocês devem saber qual é - emergem com um próposito também de totalidade, oriundos do fato e proporcionando voos mais altos. O que dizer de um jornalista² que não conhece a produção geográfica no todo e, ao invés de discuti-la, desqualifica-a com a autoridade que não lhe é conferida? O voo mais alto não foi vencer a professora no debate, mas aniquilar a Geografia da vida escolar e cotidiana na formação crítica da sociedade, pondo-a como inútil e desnecessária. Aliás, o que tratamos ideologicamente como autoridade? Qual a autoridade, por exemplo, que se estabelece entre uma tropa de choque três vezes superior ao número de estudantes em uma tensa relação dentro de um campus universitário? Qual a autoridade posta em exercício quando muitos daqueles apontam veridicamente sua opinião à aplicação de punição aos/às estudantes usuários de maconha - que muitos alegarão como porte de entorpecentes e segundo a lei, é proibido - e, principalmente, aos atos de manifestação? Proibir as manifestações, agora? Quando estão afirmando que é um fato histórico de transformação de uma realidade, temos uma verdade, porém com argumentos diferenciados: inicialmente, o que está na mesa de xadrez não seria a relação de um possível e ampliado debate sobre um assunto (a descriminalização das drogas ou, especificamente, da maconha) mas, contraditoriamente, o seu contrário, a saber, a proliferação de um debate cada vez mais deliberado (a criminalização de movimentos sociais).
Esse contrário vem se consolidando historicamente na formação brasileira, em que desde a segregação racial e regional discriminatória que temos constantemente presenciado e que alguns lutam arduamente contra isso, até a piada insalubre é realizada sobre uma triste realidade. Atribui-se a questão dos movimentos sociais a um determinado grupo - e dependendo da fonte da opinião, considerando-o um grupo de baderneiros -, sem notarmos que a organização coletiva dos indivíduos também é uma construção social em busca de suas garantias, de seus direitos: os movimentos estudantis, os movimentos grevistas, os movimentos de reivindicação, os moradores de condomínios em assembleia, os moradores de uma comunidade mobilizados. Daí, diante dessas diferenças, o que vem à tona é uma dimensão política - que repercute também, é claro, ao capítulo de uma narrativa sobre a vida real em andamento em São Paulo.
Fica ausente, portanto, ausente na exposição tanto ao esclarecimento geral quanto à construção de novas possibilidades a compreensão do processo que, de um lado, tem a precarização da universidade (e da vida) e, de outro, seu tratamento de forma unilateral e na base da força. Não estamos falando de meio termo, de ponderação ou de consenso, mas de processo. Até porque fica óbvio que as questões ali evidenciadas não envolvem apenas um baseado e uma tropa de choque como antítese. Não se resumem a isso - ou não deveria ser resumidas, como parte da mídia o faz ao fragmentar, propositadamente, para fins de notícia, o ocorrido. Há mais a se saber e a lutar...
E a pergunta que foi feita entre parênteses: e o espaço diante disso tudo? Ora, se o tempo histórico nos mostra a construção de segregação e de preconceitos presente na nossa formação, é claro que ela se materializa em algum lugar. Em algum espaço!
Por fim, vale a pena ler um relato de alguém que se diz despolitizada³.
¹ http://www.facebook.com/note.php?note_id=258372657547134
² http://veja.abril.com.br/blog/reinaldo/geral/os-problemas-obvios-de-alfabetizacao-de-uma-professora-de-geografia-da-usp/
³ http://www.facebook.com/notes/shayene-metri/desabafo-de-quem-tava-l%C3%A1-reintegra%C3%A7%C3%A3o-de-posse/233831886679892
À discussão colocada pela mídia, em formas de enquetes e perguntas objetivas do tipo "você é a favor ou contra?", forjam-se maniqueísmos tangentes a condições e conjunturas cujo elemento mais importante a se considerar está justamente no liame, no processo. Ao meio disso tudo, um capítulo apresentado foi uma edição inteira do programa "Fala que eu te Escuto" dedicado ao tema, interrogando os/as fiéis telespectadores/as sobre tal episódio - e nada surpreendente que todas as pessoas direcionando sua opinião à transgressão de regras, um rompimento moral, focando o uso da maconha. Os usuários foram postos na berlinda e apenas um dos lados foi questionado; apenas um lado, o outro, está sendo ouvido.
A história não teve seu início neste epípeto. Uma primeira prerrogativa foi apresentada em nota¹ pela Professora Ana Fani, do Curso de Geografia desta Universidade, relacionando a precarização da universidade em sua totalidade e a presença da polícia, de igual maneira ao escasseamento de incentivos de pesquisa e o rareamento do tempo de reflexão acadêmica (diferente por natureza do tempo da produção), diante da qual as condições da Universidade de São Paulo - e não apenas ela, embora sua dimensão internacional amplie sua polarização - tem experimentado. Ela se posicionou a favor das manifestações enxergando a totalidade da questão e não apenas o fato in situ. A universidade foi posta ao debate e apenas um dos lados foi questionado; apenas um lado, o outro, está sendo ouvido.
As opiniões contrárias - e prenhes de ideologia contrária, vocês devem saber qual é - emergem com um próposito também de totalidade, oriundos do fato e proporcionando voos mais altos. O que dizer de um jornalista² que não conhece a produção geográfica no todo e, ao invés de discuti-la, desqualifica-a com a autoridade que não lhe é conferida? O voo mais alto não foi vencer a professora no debate, mas aniquilar a Geografia da vida escolar e cotidiana na formação crítica da sociedade, pondo-a como inútil e desnecessária. Aliás, o que tratamos ideologicamente como autoridade? Qual a autoridade, por exemplo, que se estabelece entre uma tropa de choque três vezes superior ao número de estudantes em uma tensa relação dentro de um campus universitário? Qual a autoridade posta em exercício quando muitos daqueles apontam veridicamente sua opinião à aplicação de punição aos/às estudantes usuários de maconha - que muitos alegarão como porte de entorpecentes e segundo a lei, é proibido - e, principalmente, aos atos de manifestação? Proibir as manifestações, agora? Quando estão afirmando que é um fato histórico de transformação de uma realidade, temos uma verdade, porém com argumentos diferenciados: inicialmente, o que está na mesa de xadrez não seria a relação de um possível e ampliado debate sobre um assunto (a descriminalização das drogas ou, especificamente, da maconha) mas, contraditoriamente, o seu contrário, a saber, a proliferação de um debate cada vez mais deliberado (a criminalização de movimentos sociais).
Esse contrário vem se consolidando historicamente na formação brasileira, em que desde a segregação racial e regional discriminatória que temos constantemente presenciado e que alguns lutam arduamente contra isso, até a piada insalubre é realizada sobre uma triste realidade. Atribui-se a questão dos movimentos sociais a um determinado grupo - e dependendo da fonte da opinião, considerando-o um grupo de baderneiros -, sem notarmos que a organização coletiva dos indivíduos também é uma construção social em busca de suas garantias, de seus direitos: os movimentos estudantis, os movimentos grevistas, os movimentos de reivindicação, os moradores de condomínios em assembleia, os moradores de uma comunidade mobilizados. Daí, diante dessas diferenças, o que vem à tona é uma dimensão política - que repercute também, é claro, ao capítulo de uma narrativa sobre a vida real em andamento em São Paulo.
Fica ausente, portanto, ausente na exposição tanto ao esclarecimento geral quanto à construção de novas possibilidades a compreensão do processo que, de um lado, tem a precarização da universidade (e da vida) e, de outro, seu tratamento de forma unilateral e na base da força. Não estamos falando de meio termo, de ponderação ou de consenso, mas de processo. Até porque fica óbvio que as questões ali evidenciadas não envolvem apenas um baseado e uma tropa de choque como antítese. Não se resumem a isso - ou não deveria ser resumidas, como parte da mídia o faz ao fragmentar, propositadamente, para fins de notícia, o ocorrido. Há mais a se saber e a lutar...
E a pergunta que foi feita entre parênteses: e o espaço diante disso tudo? Ora, se o tempo histórico nos mostra a construção de segregação e de preconceitos presente na nossa formação, é claro que ela se materializa em algum lugar. Em algum espaço!
Por fim, vale a pena ler um relato de alguém que se diz despolitizada³.
¹ http://www.facebook.com/note.php?note_id=258372657547134
² http://veja.abril.com.br/blog/reinaldo/geral/os-problemas-obvios-de-alfabetizacao-de-uma-professora-de-geografia-da-usp/
³ http://www.facebook.com/notes/shayene-metri/desabafo-de-quem-tava-l%C3%A1-reintegra%C3%A7%C3%A3o-de-posse/233831886679892
sábado, 5 de novembro de 2011
Finados, Fortaleza e Supermercado: como relacionar?
Entrada de um mês, recebimento de crédito para as aquisições do sustento mensal e a necessidade batendo a porta de casa tangente ao pão nosso de cada dia levam-nos a realização de inúmeras atividades diária e cotidianamente. Em Fortaleza, a intensa movimentação no trânsito insuportável da cidade tanto pela sua malha viária deficiente quanto (e principalmente por isso, entre outros motivos) pela precariedade do transporte público e a enorme quantidade de carros particulares parecem dar à cidade um ritmo tão forte que mata um pouco de nós dia após dia.
Novembro pede permissão para se aproximar e, com eles, as lembranças de quem não volta mais e permanece constantemente em nossas vidas. Assim como o trânsito alencarino. Em um novo ritmo de mobilidade e congestionamento, essa permanência da insustentabilidade agora adentrou o supermercado. Era dois de novembro e a quantidade enorme de pessoas e carrinhos em umsupermercado era tão impressionante quanto o tamanho de suas filas. A estratégia a se tomar seria: meu filho, pegue o carrinho e vá para a fila, que enquanto isso eu vou pegando os produtos.
Ao enfrentamento da enorme fila, na não realização da hipótese abstrata que não se materializou, mais de meia hora foram repartidas com a espera de dez pessoas a nossa frente. Enquanto isso, entre uma saída e outra em busca de algo esquecido, as piadinhas típicas ecoavam: "a Avenida Borges de Melo agora é aqui dentro!", "o trânsito de Fortaleza é um inferno e agora estamos na filial!", entre outras. Até que uma circunstância aparece em voga e um homem conversa comigo:
- Tá difícil mesmo essa cidade, né? Ela tem realmente assumido sua versão de metrópole...
- É, mas essa condição era inerente a ela há algum tempo, não é pela população, mas...
- ...mas hoje é bem mais evidente, o trânsito é escroto. Já experimentou andar no Centro de carro?
- Não arrisco, sei que é bem complicado.
- Mais complicado ainda quando os ambulantes invadem a rua e a calçada, não há como se locomover.
Esse diálogo entre um homem de meia idade e eu - que não dei nenhuma indicação de minha orientação política e da formação profissional - parece evidenciar não apenas uma realidade em discussão na cidade e que não tem alcançado a população (falamos do que estão chamando de Fórum Viva Centro, iniciativa da Câmara dos Vereadores e apoio da Prefeitura de Fortaleza, do CDL e do Jornal OPovo), mas o seu contrário, formas de matar uma cidade que tem se autoflagelado pela sua própria população (parte dela, claro): a sua negação como forma de criticá-la.
A sua negação parece ser um traço muito mais forte em relação ao contracheque caído na conta corrente no começo do mês e o novembro trazendo consigo a lembrança saudosa dos finados; é inclusive uma forma de não ter o que resguardar.
Novembro pede permissão para se aproximar e, com eles, as lembranças de quem não volta mais e permanece constantemente em nossas vidas. Assim como o trânsito alencarino. Em um novo ritmo de mobilidade e congestionamento, essa permanência da insustentabilidade agora adentrou o supermercado. Era dois de novembro e a quantidade enorme de pessoas e carrinhos em um
Ao enfrentamento da enorme fila, na não realização da hipótese abstrata que não se materializou, mais de meia hora foram repartidas com a espera de dez pessoas a nossa frente. Enquanto isso, entre uma saída e outra em busca de algo esquecido, as piadinhas típicas ecoavam: "a Avenida Borges de Melo agora é aqui dentro!", "o trânsito de Fortaleza é um inferno e agora estamos na filial!", entre outras. Até que uma circunstância aparece em voga e um homem conversa comigo:
- Tá difícil mesmo essa cidade, né? Ela tem realmente assumido sua versão de metrópole...
- É, mas essa condição era inerente a ela há algum tempo, não é pela população, mas...
- ...mas hoje é bem mais evidente, o trânsito é escroto. Já experimentou andar no Centro de carro?
- Não arrisco, sei que é bem complicado.
- Mais complicado ainda quando os ambulantes invadem a rua e a calçada, não há como se locomover.
Esse diálogo entre um homem de meia idade e eu - que não dei nenhuma indicação de minha orientação política e da formação profissional - parece evidenciar não apenas uma realidade em discussão na cidade e que não tem alcançado a população (falamos do que estão chamando de Fórum Viva Centro, iniciativa da Câmara dos Vereadores e apoio da Prefeitura de Fortaleza, do CDL e do Jornal OPovo), mas o seu contrário, formas de matar uma cidade que tem se autoflagelado pela sua própria população (parte dela, claro): a sua negação como forma de criticá-la.
A sua negação parece ser um traço muito mais forte em relação ao contracheque caído na conta corrente no começo do mês e o novembro trazendo consigo a lembrança saudosa dos finados; é inclusive uma forma de não ter o que resguardar.
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