O que é fruto de desentendimentos amorosos, familiares e fraternos agora é pecha de propaganda: algumas pessoas avaliam-na como um tiro no pé (porque a propaganda parece assumir que o produto precisou mudar), enquanto que outras creem-na criativa e formidável. Enquanto que o Novo Palio é reproduzido nas tevês e na camisa de equipes brasileiras pela Fiat patrocinadas, o nosso foco retorna para a frase: "o problema não é com você, é comigo".
Em um diálogo com pessoas cujo assunto é "discutindo a relação", acontecem uma série de debates em torno de algo quase sempre muito pequeno à proporção do calor do momento. O pior é que, neste ínterim, ninguém dá o braço a torcer. Cada um com sua míngua de razão, presa nos braços como quem prende o filho para não ir à guerra, o garrafão de água no deserto ou a garrafa de vodka em fim de festa de quinze anos: ninguém larga!
Nessa conjuntura, perguntas que já saturam a paciência aparecem às pessoas de meia idade: "cadê a namorada?" "cadê o namorado?", ressaltando as questões de gênero e suas orientações que quem lê e de quem escreve. Dependendo da sua resposta, a frase-título da crônica emerge em forma de questionamento: "por quê?"
Tentando colocar um ponto final nisso, a resposta que sai pela boca é "o problema não sou eu, as pessoas não querem nada sério...". Mas somos capazes de nos fazer a pergunta "o problema sou eu mesmo?"?
Talvez não, com o receio do tiro no pé que a Fiat não teve. Ela se arriscou.
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