sábado, 19 de novembro de 2011

Perto

As pessoas tem a capacidade de serem norteadas em suas vidas, de diversas formas, para o bem, para o mal. Nesta guisa tem sido pontos de pauta em políticas públicas o tema das drogas, mas, longe de querer estacionar minha atenção a este tema - não o menosprezando, porém escrevendo sobre algo mais leve -, quero abordar outras maneiras de sermos encaminhados por ações ou elementos de fora da gente.

Há quem pondere seus atos pela poesia - e aí destaca-se a moda nas redes sociais o apelo ao Caio Fernando Abreu -, quem aposte seus rumos ao horóscopo diário - e vale ressaltar isso como bem diferente do guia astral, do significado da astrologia e dos zodíacos na vida de cada pessoa -, todavia uma forma bem mais comum, para o bem, para o mal, é sem dúvida a música. Ou não existe aquele momento de ouvir uma música quando se está bem feliz e querer explodir (e associar a isso músicas mais agitadas) e, em seu contrário, músicas "melôs" para os dramas pessoais?

Especificamente aqui e agora, o nosso caso é um duplo contrário, já que não ponho uma música agitada para um momento feliz e a utilização de uma música mais dramática para uma situação ótima seja na verdade sua desconstrução e posterior reconstrução. Não é uma crítica, é uma... digamos... analogia ao contrário, de forma metafórica, conquanto que corrobore numa perspectiva real e concreta. Em uma determinada música de Arnaldo Antunes, existe uma narrativa de uma pessoa que está distante de outra e que quer dela se aproximar; aparecem externalidades que impedem essa aproximação, de tal modo que a impossibilidade acaba realizando um derrotismo, uma condição sine qua non inexpugnável.

Não é longe. O nosso contrário é cada vez mais termos, mesmo que imaterialmente, essa aproximação por perto: se lá o celular não pega, aqui o celular funciona todos os dias com uma mensagem vespertina; se lá o comércio fechou, aqui ele é intenso e ela vive vizinho a ele; se lá nenhum e-mail chegou, aqui as mensagens são fluidas e instantâneas; enfim, se lá dentro deste corpo fechado há um vácuo, aqui, ao contrário, existe o cheio, o constantemente sendo cheio, o cultivado.

Hoje - e não só hoje - eu posso estar até fisicamente distante desta pessoa, muito minha amiga e querida aos montes, entretanto, diferente do roteiro antuniano do encontro contra o qual o impossível prevalece, aqui estamos cada vez mais próximo. Enfim, se Arnaldo Antunes canta Longe, eu ensaio Perto.

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