No carnaval em uma capital brasileira cujo ritmo não é dos mais frenéticos, se comparado com outras capitais (Recife, São Paulo, Rio de Janeiro...) e mesmo com as cidades do litoral cearense (Aracati, Paracuru...), Fortaleza não tem sido ultimamente tão quieta e, neste ano, surgiu uma outra possibilidade, mediante uma ótima iniciativa. Se não fosse seu interesse escuso - e que proporcionou outras questões.
A promoção? No período de carnaval, assistir a três filmes a dez reais com a franquia do estacionamento (para quem vai de carro, moto...) junto. Uma boa pedida para quem ficou. As compras somente no guinchê do cinema - eliminando as compras via internet e seu rápido consumo: certamente, os 10 mil pacotes seriam encerrados em três minutos ou menos. Até aí uma louvável ação. Suportar a longa fila fazia parte do pacote da promoção e, até então, era plenamente "aceitável" por conta da lei da oferta e da procura, esse paradigma capitalista.
No entanto, parece que inseriram outros elementos no pacote. Com a longa fila e o longo tempo de espera, quem foi de carro, moto ou outro veículo estacionado acabou por contribuir e muito; com a longa fila e o longo tempo de espera; o consumo de água e/ou lanche acabou por contribuir e muito; com a longa fila e o longo tempo de espera; não entender o processo de compra e venda corroborou para tanto tempo e tanta gente - na compra, era necessário definir quais filmes, quais sessões e quais assentos (isso mesmo!), além de eu poder comprar quantos pacotes quiser, um, dois, cinco, 80, 300. Dessa forma, por conta de outras pessoas que não a administração do shopping - que, aliás, acabou por contribuir e muito, valores foram agregados e desagregados ao pacote.
Também com a longa fila e o longo tempo de espera acabaram por contribuir e muito o jeitinho brasileiro em querer se dar bem passando por cima das outras pessoas: um amigo que tava na frente na fila e eu dou meus cinquenta reais para ele comprar meus cinco pacotes; uma prima que há muito tempo não a via e, conversa vai, conversa vem, e eu penetro na fila; um grupo de amigos que encontra outro e tudo vira festa dentro da fila; o direito de preferencial sendo utilizado a varejo e com muitas pessoas sem este direito aproveitando uma gestante para adquirir seus ingressos ou inclusive chamar uma idosa para comprá-los. Tudo isso com as vistas grossas de um segurança que o shopping disponibilizava para ajudar a organizar aquela longa fila. Assim, a fila que seria prevista percorrer em longas duas horas, acabou sendo uma penintência de cinco horas.
Três filmes, estacionamento grátis, corrupção de valores para tê-los, comprando a varejo para, inclusive, revendê-los e ganhar dinheiro sobre a paciência de outras pessoas e o desejo de quem não teve como ir. A quem se manteve incólume, respeito, honestidade e caráter ainda mais se transformaram em elogio e característica - e não sendo mais e mais um princípio humano. Meus ingressos custaram dez reais, um absurdo de caro.
Gente!
ResponderExcluirQue troço desorganizado! :S