O tempo passa lentamente no sentido da natureza, esse é o nosso olhar, nossa visão antropocêntrica de mundo. A vida na natureza plena dura bilhões de anos e nós estamos inseridos em parte desses ões de tempo e de vida, assim como minimamente o tempo voa e em um piscar de olhos a durabilidade ocorre da mesma forma que uma reação animal: a vida começa, a vida acaba.
Esse paradigma recrudesce em outro que certamente é enorme a muitos. Desde a lembrança das aulas clássicas e essenciais de Biologia (nós nascemos, crescemos, nos reproduziremos, amadurecemos e morremos) e Filosofia (ser ou não ser, essência e aparência, real e virtual) até o cotidiano materializado, o célebre bordão "a ficha caiu" se concretiza. Gerando satisfações. Proporcionando estranhamentos, sobretudo.
Em um dia festivo, diante do qual você já se reconhece no estranhamento, essa ação de concretizar passa a ter mais relevo que o dia-a-dia da nossa rotina. Duas queridas primas de sua mesma faixa etária, que há tempos não as via, aparecem cada uma com uma criança a tira colo, cada uma com seu filho, duas criaturas lindas! Ao voltar a casa, em uma pausa em um bar, as reflexões tangenciam os sorrisos e os afagos. Em um final de semana prolongado de novembro, uma visita forasteira mais-que-querida novamente adormece alguns dias em sua casa e o leva a dormir no gabinete: seu irmão e família. Dessa vez, com mais uma pessoa, a sua filha, a segunda, e que apenas conhecia por fotografia: oito meses de muita timidez, calma e lindeza. Ao seu retorno ao extremo oriental brasileiro, as saudades ficam e os pensamentos retornam com força: as gerações familiares estão velozes. No sono da última noite, uma infinidade de situações vivenciadas, entre a morte e a esperança (literalmente) e os recados que parecem ter sido dados, a experiência mais interessante e ao mesmo tempo surpreendente foi o resgate de três pessoas da sua época de alfabetização estarem ao seu lado: uma não reconhecível, um com a certeza de quem é e sabendo como está atualmente e, por fim, uma coleguinha, muito linda por sinal, e as exasperantes vontades de retomar os contatos após relembramos uns aos outros pelos nomes - e foi isso que mais pareceu o recado: seu nome.
Acordo atordoado, mas ao mesmo tempo extasiado, querendo encontrar as lembranças de 19 anos atrás. Novamente, a ação recaiu sobre meu corpo e a primeira vez que você utiliza um intervalo de tempo tão grande para resgatar um momento vivido seu. Vinte minutos e o material foi devidamente encontrado: a lista de assinaturas, com letras até bonitinhas para quem ali aprendeu a escrever, dos coleguinhas e das coleguinhas daquele ano de 1992. Pela rede social virtual, encontrei-a e espero curtir (e ela também) esse esbarrão.
Diante de tudo isso, não adianta mais sonegar as informações e, daqui a um tempo, negar as provas cabais de que essa ação da natureza também lhe envolve; se às rugas existem as plásticas e aos cabelos brancos as químicas (e mediadas pelo dinheiro na sua realização do disfarce), a idade não adianta esconder, portanto, sorria: você está envelhecendo.
Ah, envelhecer também tem suas coisas boas. (:
ResponderExcluirNão tem? O_O rs
Muito bom texto, Lipe! ;*
Triste, mas verdadeiro, mesmo assim que nos definir é a idade do nosso espírito, pois ele pode muito bem nos envelhecer mais do que realmente temos de idade ou enganar a todos que o semblante mais jovem por nossa paz e a forma que encramos a vida! Belíssimo texto Amigo! Adorei
ResponderExcluirEngraçado, ou pura coincidência, nesses dias estava realmente pensando nisto, no tempo que passa as vezes tão rápido (quando não queremos) e de outras vezes tão lentamente que dá desassossego! No fim envelhecemos desde quando somos concebidos...contra o tempo não dá pra lutar, melhor caminhar junto com ele e ao mesmo tempo vê-lo passar!
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