O poder no Brasil tem forte tendência, historicamente, a ser cíclico. As tentativas de transformações foram poucas, na perspectiva da ruptura de uma hegemonia de um direcionamento político e, considerando iniciativas sempre louváveis de iniciativa popular, aquelas que se mantiveram ao lado do povo são raras, quando existentes.
Nos diferentes níveis de poder, no pós-Constitucionalismo, dificilmente cidades possuíram a mesma escala de poder e o mesmo grupo de poder - não necessariamente chapas puras, de frentes únicas partidárias - a frente da cidade, do Estado e do país; se não me engano deve ter acontecido na capital paulista durante o período FHC (PSDB) e, mais recentemente, na capital cearense durante o período Lula (PT-PSB). A segunda, visivelmente, veio em vitória sobre a primeira, como uma esperança em uma resposta e uma alternativa àquele modelo que se cristalizava.
Oito anos depois e essa segunda passagem de uma hegemonia de poder é colocada em disputa. Irônica, oportuna e politicamente, o bloco que se consolidara no Ceará demonstrou sua maior fraqueza, a falsidade da união, e contraditoriamente ambos os blocos de poder, a seu modo e no seu canto, buscam uma mesma identidade. Sim, identificada com o Pai Amado, o Odorico Paraguassu da vida real, aliando a isso a figura feminina, menos carismática, menos poderosa, mas aquela que atualmente manda no final das contas, tirando o coelho da cartola: a Mônica que o Maurício de Souza não criou.
Parecendo a terra da Turma da Mônica, Fortaleza tem possuído muitos colegas da dentucinha com força e coelhinho potentes. Uma série de agregados tentam fazer parte dessa turma, quando na verdade se associam ao criador dela, o Pai Amado. Um desses personagens que tem tentado criar esse perfil na capital alencarina é branco, baixinho, reluzente e aparentemente (repito, aparentemente) não faz nenhuma maldade, mas costuma sair para dar alguns sustos. Amigo do Ceifador Sinistro, o Penadinho é a representação daquela transformação maior que a morte no cotidiano da política brasileira: a metamorfose do socialista(?) 40.
Sob a liderança da Dona Morte, o nosso fantasminha Penadinho, que aparecera no cemitério... ops! cenário local para uma maior quantidade de pessoas no cemitério legislativo, que, por sinal, chegou a comandar. Nesse ínterim, andou aprontando muito, dando não somente sustos, mas verdadeiros sinais de crueldade do além: edificou violações a direitos humanos! Nesse celeiro, é improvável chamar o fantasminha de desalmado, porém a questão não é de espiritualidade, é de direcionamento político mesmo.
Na entrada do ano olímpico, o fantasminha nada camarada, junto com Dona Morte e seus colegas, quiseram se organizar e criaram um ato chamado Atitude. Atitude que culminou no lançamento de sua candidatura à Prefeitura de Fortaleza, sob os auspícios, signos e feitos por ela, que tem governado o Ceará há algum tempo. Parece que o fantasminha quer se parecer com a própria mestre!
No entanto, em meio às aspirações de Penadinho para a Terra da Luz, suas condições objetivas são e estão concretas, não tão bem claras mas de forma efetivamente material, no mundo real. Não é fantasia suas ações, nem seus sustos. Não estão no purgatório as suas chances de assombrar, nos próximos quatro anos, a vida de muita gente.
Não basta apenas acender vela de sete dias e fazer a brincadeira do copo para evitar novas surpresas, os puxões nos dedos dos pés e andar na escuridão, porque Penadinho quer ser da Turma da Mônica: quer sua força e seu coelho junto com ele.
quinta-feira, 16 de agosto de 2012
domingo, 12 de agosto de 2012
Pai Amado, Filho Mimado(?)
Década de 1970, novidades consideradas incríveis à época surgiam na vida de muitas, muitas pessoas. A presença da televisão na sala de pessoas que podiam tê-la traziam o boom da tecnologia de então: as cores. Os matizes que faziam enxergar melhor as feições, o brilho e o contraste dos rostos e corpos das pessoas, das paisagens, dos horizontes. Foi nesse período, também, que um mítico personagem ganha relevo; igualmente, um homem, da classe trabalhadora, auspicia incomodar o patronato - e o regime militar, de alguma forma.
Os anos passaram e no século XXI aquele personagem que antes incomodara as classes dirigentes, atualmente, se não faz parte dela ao menos não incomoda tanto assim, aprendeu a dialogar sob o idioma delas. Duas vezes presidente da república, aperfeiçoou-se no fazer política e mudando os tons, antes agressivos, agora consegue ser o centro das atenções e da mídia, para o bem, para o mal; pegou no microfone, todos querem estar ao seu lado: no palanque, na televisão, na rua, no hospital...
Em 2012, este dilectus pater da política brasileira vem fomentando muitos filhos país afora, aqueles que são realmente de seu sangue partidário ou não, porque o papai é bom e no seu abraço cabe (quase) todo mundo. Na capital cearense, então...
O filho de sangue do Pai Amado usa a estrela vermelha do número 13, mas parece muito com aquela história de um mimado que fora reconhecido às vésperas do nascimento, sabe como é? Do dia para a noite, papai e filhinho estavam juntos, para todas as pessoas saberem: são retratos, são conversas, são relatos, são discursos, tudo isso o filho querendo demonstrar como o seu pai é bom, é legal e faz parte da família dele... ou melhor, que ele, o filho, faz parte da família do pai, o Amado. É um filho com pai, sem mãe, sem padrinhos e a madrinha, que existe, nem aparece tanto assim. A madrinha está com dívida na bodega.
Se a novela mostrar mais capítulos, talvez possa fazer revelar que tal filho é um advogado e que já compusera uma assessoria popular da área, inclusive estando junto a um grande movimento social brasileiro, mas o roteiro não mostra com tanta precisão as contradições, suficientes para questionar, por exemplo, qual a relevância, a importância e o alcance da participação deste personagem naquelas esferas de atuação e intervenção - porque nem ele costuma falar a respeito, então...
A quem não conhecer nem uma história, nem outra, fica a impressão de que Lula fora Odorico, o Bem Amado (sim, o da novela, daquela novela épica!). E este número 13 em Fortaleza, quem é?
Os anos passaram e no século XXI aquele personagem que antes incomodara as classes dirigentes, atualmente, se não faz parte dela ao menos não incomoda tanto assim, aprendeu a dialogar sob o idioma delas. Duas vezes presidente da república, aperfeiçoou-se no fazer política e mudando os tons, antes agressivos, agora consegue ser o centro das atenções e da mídia, para o bem, para o mal; pegou no microfone, todos querem estar ao seu lado: no palanque, na televisão, na rua, no hospital...
Em 2012, este dilectus pater da política brasileira vem fomentando muitos filhos país afora, aqueles que são realmente de seu sangue partidário ou não, porque o papai é bom e no seu abraço cabe (quase) todo mundo. Na capital cearense, então...
O filho de sangue do Pai Amado usa a estrela vermelha do número 13, mas parece muito com aquela história de um mimado que fora reconhecido às vésperas do nascimento, sabe como é? Do dia para a noite, papai e filhinho estavam juntos, para todas as pessoas saberem: são retratos, são conversas, são relatos, são discursos, tudo isso o filho querendo demonstrar como o seu pai é bom, é legal e faz parte da família dele... ou melhor, que ele, o filho, faz parte da família do pai, o Amado. É um filho com pai, sem mãe, sem padrinhos e a madrinha, que existe, nem aparece tanto assim. A madrinha está com dívida na bodega.
Se a novela mostrar mais capítulos, talvez possa fazer revelar que tal filho é um advogado e que já compusera uma assessoria popular da área, inclusive estando junto a um grande movimento social brasileiro, mas o roteiro não mostra com tanta precisão as contradições, suficientes para questionar, por exemplo, qual a relevância, a importância e o alcance da participação deste personagem naquelas esferas de atuação e intervenção - porque nem ele costuma falar a respeito, então...
A quem não conhecer nem uma história, nem outra, fica a impressão de que Lula fora Odorico, o Bem Amado (sim, o da novela, daquela novela épica!). E este número 13 em Fortaleza, quem é?
terça-feira, 7 de agosto de 2012
O palimpsesto 25?
Os papiros foram escritos na história há um certo tempo atrás e, neles, alguns eventos foram retratados e conhecidos até hoje. Deles as informações alcançaram milhas e milhas, quilômetros e quilômetros, revestindo muitos dos recantos com aquilo que descrevia e remetia alhures. Os tempos mudaram, novos meandros foram conquistados, a sociedade amadureceu e novas histórias e geografias foram redigidas.
Estamos no Estado do Ceará e a história que fora escrita, com o Constitucionalismo, é a emergência de um grupo político o qual se apresentava como mudança. Ascensão de uma nova classe dirigente, sob o regime democrático, nos auspícios da política local criavam a envergadura de uma novidade frente ao passado recente, remetido aos coronéis - inclusive de alcance e investidura regional. Os discursos e práticas de fortalecimento e desenvolvimento econômico e controle social foram tão executados que uma figura em particular, desde esse período, assumira conotações e representações em torno de uma personagem e contra uma situação que, a grosso modo, poderia ser resumida na frase "contra bandidagem, temos que dar voz e vez à força de polícia".
Uma frase escrita no tempo e no espaço reverbera ao passar dos anos. Em espaços de disputa, a frase se tornou slogan e a personagem, condição sine qua non nos confrontos. Com força e virilidade, praticamente sempre saiu derrotado em disputas proporcionais a uma função no espaço com direito a uma ou duas vagas; logrou êxito em algumas chances, sim, e tais oportunidades são reverenciadas como experiências marcantes e fundamentais em conflitos e espaços de disputa mais recentes; tudo em nome da ordem, da moral e do controle social. Curiosamente, na atual composição política e no seio dos embates ora em acontecimento, há algo de diferente. Não apenas a mudança de siglas, de PFL para DEM.
Aquele homem, rude, viril, conservador em sua natureza social, ideológica e política, reaparece após um recolhimento mais manso, suave, holístico e dialogando com esforço em ser abrangente e sociável; aquele homem que antes parecia o dono da bola ou o dono da quermesse agora retorna aparentando ser o time de fora ou o penetra da festa querendo tête-à-tête socializar simpatia; aquele que fizera carreira atentando contra a vida surge renovado orando em favor da vida. É, no mínimo, de se estranhar tamanhas mudanças, porquanto tamanhas rupturas.
A história é escrita e suas linhas permanecem cravadas no tempo; a geografia é experimentada e suas vivências cravadas no espaço. Os papiros são realmente palimpsestos¹ reciclados ou as letras estão dispostas em papel couché reescrevendo uma nova história?
Há quem acredite, mas há, principalmente, quem duvide. Atenção: tensione.
¹ Manuscrito em pergaminho que os copistas na Idade Média apagaram, para nele escrever de novo, e cujos caracteres primitivos a arte moderna não conseguiu fazer reaparecer.
Estamos no Estado do Ceará e a história que fora escrita, com o Constitucionalismo, é a emergência de um grupo político o qual se apresentava como mudança. Ascensão de uma nova classe dirigente, sob o regime democrático, nos auspícios da política local criavam a envergadura de uma novidade frente ao passado recente, remetido aos coronéis - inclusive de alcance e investidura regional. Os discursos e práticas de fortalecimento e desenvolvimento econômico e controle social foram tão executados que uma figura em particular, desde esse período, assumira conotações e representações em torno de uma personagem e contra uma situação que, a grosso modo, poderia ser resumida na frase "contra bandidagem, temos que dar voz e vez à força de polícia".
Uma frase escrita no tempo e no espaço reverbera ao passar dos anos. Em espaços de disputa, a frase se tornou slogan e a personagem, condição sine qua non nos confrontos. Com força e virilidade, praticamente sempre saiu derrotado em disputas proporcionais a uma função no espaço com direito a uma ou duas vagas; logrou êxito em algumas chances, sim, e tais oportunidades são reverenciadas como experiências marcantes e fundamentais em conflitos e espaços de disputa mais recentes; tudo em nome da ordem, da moral e do controle social. Curiosamente, na atual composição política e no seio dos embates ora em acontecimento, há algo de diferente. Não apenas a mudança de siglas, de PFL para DEM.
Aquele homem, rude, viril, conservador em sua natureza social, ideológica e política, reaparece após um recolhimento mais manso, suave, holístico e dialogando com esforço em ser abrangente e sociável; aquele homem que antes parecia o dono da bola ou o dono da quermesse agora retorna aparentando ser o time de fora ou o penetra da festa querendo tête-à-tête socializar simpatia; aquele que fizera carreira atentando contra a vida surge renovado orando em favor da vida. É, no mínimo, de se estranhar tamanhas mudanças, porquanto tamanhas rupturas.
A história é escrita e suas linhas permanecem cravadas no tempo; a geografia é experimentada e suas vivências cravadas no espaço. Os papiros são realmente palimpsestos¹ reciclados ou as letras estão dispostas em papel couché reescrevendo uma nova história?
Há quem acredite, mas há, principalmente, quem duvide. Atenção: tensione.
¹ Manuscrito em pergaminho que os copistas na Idade Média apagaram, para nele escrever de novo, e cujos caracteres primitivos a arte moderna não conseguiu fazer reaparecer.
domingo, 5 de agosto de 2012
Eleições 2012: um pequeno perfil municipal
Em mais uma proposta de postagens temáticas (e também em virtude das seguidas provocações que me acometeram nos debates eleitorais transmitidos em canais de televisão), o Blog do Silveir4 se proporá a fazer, de modo sintético e em uma avaliação um tanto pessoal, uma leitura de perfil daquilo que se reverbera em Fortaleza a partir de seus candidatos ao Paço Municipal.
Para isso, será pano de fundo da análise a ser colocada neste espaço aquilo que se visualizou nos dois debates dos três que já aconteceram (TV O Povo, TV União e TV Jangadeiro). O foco será nos dois últimos.
Leitores e leitoras, atentemos para aquilo que está acontecendo na cidade: ocorre durante três meses e se perde por longos quatro anos, na insumidade maioria dos casos; atentemos para quem será o escolhido - ou que tenhamos a opção de não escolher ninguém (porque voto nulo também é votar e também é escolher, pela negação ao que está posto); atentemos, enfim, para as coerências do incoerente para fazermos nossas escolhas. Tentaremos contribuir um pouco com o debate.
Até lá.
Para isso, será pano de fundo da análise a ser colocada neste espaço aquilo que se visualizou nos dois debates dos três que já aconteceram (TV O Povo, TV União e TV Jangadeiro). O foco será nos dois últimos.
Leitores e leitoras, atentemos para aquilo que está acontecendo na cidade: ocorre durante três meses e se perde por longos quatro anos, na insumidade maioria dos casos; atentemos para quem será o escolhido - ou que tenhamos a opção de não escolher ninguém (porque voto nulo também é votar e também é escolher, pela negação ao que está posto); atentemos, enfim, para as coerências do incoerente para fazermos nossas escolhas. Tentaremos contribuir um pouco com o debate.
Até lá.
quarta-feira, 4 de julho de 2012
Maniqueísmo (nada) surpreendente
A vida é tão efêmera, mas ao mesmo tempo tão abstrata que algumas possibilidades de vivê-la plenamente são paradoxalmente negadas, paradoxalmente reprimidas, ao mesmo tempo que torna-se capaz de contraditoriamente surpreender, contraditoriamente renovar as esperanças.
Em situações bastante peculiares, sentimos o pulsar da vida no peito de tal forma que o coração sofre espasmos para além de sua comum função. É a adrenalina, é a emoção, é a tenra sensação de uma avalanche que o corpo tenta controlar e disfarçar, mas o espírito não nega e às vezes emana ao mundo real. Há quem chame de frio na barriga, de borboletas no estômago ou a falta de ar que não dá agonia. Há quem sinta em partida de futebol, em apresentação artística ou científica ou nos momentos do amor.
Talvez ao mesmo tempo ou então em outros momentos, sentimos a angústia das relações se realizando de maneira que a multidão se torna solidão, os cânticos ficam mudos e silenciosos e a música ao invés de sorrir e dar prazer, chora e dá alfinetadas. O relicário imenso transcende em terços infinitos que do diverso constroi o caminho único. Há quem chame isso de depressão, de infelicidade, de frescura. Há quem sinta de modo a calar, a chorar, a gritar, a bater, a correr, a beber.
Ao passo de toda essa noção e em meio a tamanhas circunstâncias, o mais importante é saber conviver com os momentos. Com ambos os momentos. Com cada momento. Usufruir da experiência de ter passado oportunidades anteriores em cada fase, em cada disritmia, para o bem, para o mal, é um destino que se consagra no avançar da caminhada. Como a esperança não pode nunca deixar de existir, as vias se transformam para o começo-meio-e-fim não linear se realizar: o caminho da vida.
Para não negar, para não reprimir, para surpreender e para renovar as esperanças, as pedras que estão no caminho, como poetizou Drummond, tem que ser retiradas.
Se em seu caminho não há quem queira lhe seguir, faça como faria com as pedras: tire-as do caminho. No bolso, no coração, na lata do lixo, na semeadura da indiferença ou ao relento do desprezo, aí a opção é de cada um. Qual será a de nosso caminho? Não queira descobrir.
Em situações bastante peculiares, sentimos o pulsar da vida no peito de tal forma que o coração sofre espasmos para além de sua comum função. É a adrenalina, é a emoção, é a tenra sensação de uma avalanche que o corpo tenta controlar e disfarçar, mas o espírito não nega e às vezes emana ao mundo real. Há quem chame de frio na barriga, de borboletas no estômago ou a falta de ar que não dá agonia. Há quem sinta em partida de futebol, em apresentação artística ou científica ou nos momentos do amor.
Talvez ao mesmo tempo ou então em outros momentos, sentimos a angústia das relações se realizando de maneira que a multidão se torna solidão, os cânticos ficam mudos e silenciosos e a música ao invés de sorrir e dar prazer, chora e dá alfinetadas. O relicário imenso transcende em terços infinitos que do diverso constroi o caminho único. Há quem chame isso de depressão, de infelicidade, de frescura. Há quem sinta de modo a calar, a chorar, a gritar, a bater, a correr, a beber.
Ao passo de toda essa noção e em meio a tamanhas circunstâncias, o mais importante é saber conviver com os momentos. Com ambos os momentos. Com cada momento. Usufruir da experiência de ter passado oportunidades anteriores em cada fase, em cada disritmia, para o bem, para o mal, é um destino que se consagra no avançar da caminhada. Como a esperança não pode nunca deixar de existir, as vias se transformam para o começo-meio-e-fim não linear se realizar: o caminho da vida.
Para não negar, para não reprimir, para surpreender e para renovar as esperanças, as pedras que estão no caminho, como poetizou Drummond, tem que ser retiradas.
Se em seu caminho não há quem queira lhe seguir, faça como faria com as pedras: tire-as do caminho. No bolso, no coração, na lata do lixo, na semeadura da indiferença ou ao relento do desprezo, aí a opção é de cada um. Qual será a de nosso caminho? Não queira descobrir.
segunda-feira, 25 de junho de 2012
Afinal, cadê as moedas de um centavo?
Talvez assim como as moedas de um centavo, este texto não ganhe tanta repercussão por discutir algo sem tanto valor assim. Se por um lado o texto realmente não alcance o status quo de grandes e muitos leitores, qualificar assim as moedas de menor unidade monetária brasileira é de enorme iniquidade.
Pois bem, desde que me entendo por pessoa consciente do mundo onde moramos, as unidades monetárias do país contemplaram unidades de valor pequenas, para completar pequenas transações comerciais ou a satisfação do mínimo possível ao consumo mediado pelo dinheiro: as moedas de 50, 10, cinco e um centavo, seja ela de cruzado, cruzeiro, cruzeiro real e real. Neste último caso, com a implantação de outras unidades na confecção de moedas, notadamente a moedinha de 25 centavos e no início do Plano Real (quando 10 reais era "dinheirão" e rendia um monte), qualquer trocado era milhão. Com isso, cada centavinho em um produto, serviço ou tarifa que fosse gasto era um vintém a mais no bolso e nas contas bancárias. Surgia a era dos preços trocados: em Fortaleza, desde a passagem de ônibus, que no fim dos anos 1990 e começo dos anos 2000 - quando a inteira tinha valores de R$ 0,72, R$ 0,80, ou até mesmo R$ 1,16 - até ao quilo de arroz, com seus valores fracionados.
Adiantando o tempo e alcançamos a era dos preço único: tudo por R$ 1,99. Formalizava o custo com uma nota de real, criada depois de algum período de duração do Real, para bugingangas quaisquer, geralmente consumidas nos mercados popular e ambulante. Se no caso acima citado os valores fracionados demandavam maior troco de trocados, para esse caso o retorno se daria com apenas uma moeda, a moeda de um centavo.
A pergunta, então, surge: afinal, cadê as moedas de um centavo?
Remontemos a 2009 para uma primeira consideração. Belém, época do Fórum Social Mundial e uma promoção incrível para o retorno da utilização da moeda de um centavo: um bar vendendo cervejas em lata a um centavo (para quem pagasse o ingresso para adentrá-lo por R$ 15,00) e, entre algumas diretrizes, tinha a obrigatoriedade de comprar a cerveja com a moeda de um centavo e comprar apenas uma cerveja por vez. Fantástico! No entanto, não deu para entrar no local e decidimos consumir o dinheiro fora, comprando uma cerveja a quatro reais. Detalhe: tínhamos quatro reais em moedas de um centavo. No mesmo bar, após pedirmos a conta por essa cerveja, a garçonete se recusou a receber nosso saquinho de dinheiro - a gerente foi chamada e conosco contou as moedas e as aceitou. 2012 e realizo uma compra em um supermercado cujo valor total deu R$ 23,03 e eu paguei com R$ 25,00. Adivinhem o que aconteceu: perdi R$ 0,97 no troco, ou seja, quase-que-praticamente um real!
Não seria isso um choro de um miserável, mas observemos: se eu perdi brincando noventa e sete centavos em um simples troco, quantos milhões de reais essa rede de supermercados adquire nesses trocos arredondados para menos de milhares de pessoas? Por dia!
A pergunta, então, retorna: afinal, cadê as nossas moedas de um centavo?
Real e definitivamente, qualquer trocado vale milhão.
Pois bem, desde que me entendo por pessoa consciente do mundo onde moramos, as unidades monetárias do país contemplaram unidades de valor pequenas, para completar pequenas transações comerciais ou a satisfação do mínimo possível ao consumo mediado pelo dinheiro: as moedas de 50, 10, cinco e um centavo, seja ela de cruzado, cruzeiro, cruzeiro real e real. Neste último caso, com a implantação de outras unidades na confecção de moedas, notadamente a moedinha de 25 centavos e no início do Plano Real (quando 10 reais era "dinheirão" e rendia um monte), qualquer trocado era milhão. Com isso, cada centavinho em um produto, serviço ou tarifa que fosse gasto era um vintém a mais no bolso e nas contas bancárias. Surgia a era dos preços trocados: em Fortaleza, desde a passagem de ônibus, que no fim dos anos 1990 e começo dos anos 2000 - quando a inteira tinha valores de R$ 0,72, R$ 0,80, ou até mesmo R$ 1,16 - até ao quilo de arroz, com seus valores fracionados.
Adiantando o tempo e alcançamos a era dos preço único: tudo por R$ 1,99. Formalizava o custo com uma nota de real, criada depois de algum período de duração do Real, para bugingangas quaisquer, geralmente consumidas nos mercados popular e ambulante. Se no caso acima citado os valores fracionados demandavam maior troco de trocados, para esse caso o retorno se daria com apenas uma moeda, a moeda de um centavo.
A pergunta, então, surge: afinal, cadê as moedas de um centavo?
Remontemos a 2009 para uma primeira consideração. Belém, época do Fórum Social Mundial e uma promoção incrível para o retorno da utilização da moeda de um centavo: um bar vendendo cervejas em lata a um centavo (para quem pagasse o ingresso para adentrá-lo por R$ 15,00) e, entre algumas diretrizes, tinha a obrigatoriedade de comprar a cerveja com a moeda de um centavo e comprar apenas uma cerveja por vez. Fantástico! No entanto, não deu para entrar no local e decidimos consumir o dinheiro fora, comprando uma cerveja a quatro reais. Detalhe: tínhamos quatro reais em moedas de um centavo. No mesmo bar, após pedirmos a conta por essa cerveja, a garçonete se recusou a receber nosso saquinho de dinheiro - a gerente foi chamada e conosco contou as moedas e as aceitou. 2012 e realizo uma compra em um supermercado cujo valor total deu R$ 23,03 e eu paguei com R$ 25,00. Adivinhem o que aconteceu: perdi R$ 0,97 no troco, ou seja, quase-que-praticamente um real!
Não seria isso um choro de um miserável, mas observemos: se eu perdi brincando noventa e sete centavos em um simples troco, quantos milhões de reais essa rede de supermercados adquire nesses trocos arredondados para menos de milhares de pessoas? Por dia!
A pergunta, então, retorna: afinal, cadê as nossas moedas de um centavo?
Real e definitivamente, qualquer trocado vale milhão.
domingo, 17 de junho de 2012
Cantando primaveras
Em alusão a um aniversário, o meu, e oferecido às pessoas queridas.
Mesmo não sendo uma estação do ano, fecha-se mais um ciclo para mais uma primavera que busca florescer novas searas, novos horizontes. Em solo cada vez mais carente de cuidado, trabalhá-lo tornará mais uma florada eficiente e feliz, em novos ritmos e expandindo a paisagem.
Vigésima sétima flor que entra em trabalho de abrir-se ao mundo e revelar-se solenemente, as vinte e seis flores - que não são de plástico, Titãs - acumulam um mix paradoxal de cansaço e renovação, sobriedade e juventude, brilho que novamente é incandiado por um momento pleno: o abrir de mais uma flor.
Desta (mais uma) vez, não houveram tantos jardineiros e floricultoras a cultivar este momento, mas que de alguma forma irrigaram a semeadura, mesmo que de longe, de tantos recantos da cidade, do Estado, do país, a qual fora realizada e contemplada por quatro floricultoras e dois jardineiros, ficando uma delas e um deles da concepção ao fato. Desta (mais uma) vez, todo o ambiente renovava o fluxo de energia necessário e revigorante para o fenômeno: a energia do combustível à alegria da concepção aliada ao clima musical do fato e do momento.
Depois de abrir-se mais uma flor ao mundo, emanando seu perfume que (espera-se) envolva e abranja outras flores e abelhas e donzelas queridas, apresentando sua beleza que (tomara) não esconda a sua verdadeira essência e, principalmente, que sua energia contagie as vinte e seis flores já abertas para o jardim da vida e deixar toda a árvore bonita, frondosa e querida.
Que as floricultoras e os jardineiros se aproximem e que não se afastem, porque, juntos, cantando para o mundo todos terão seus frutos!
Mesmo não sendo uma estação do ano, fecha-se mais um ciclo para mais uma primavera que busca florescer novas searas, novos horizontes. Em solo cada vez mais carente de cuidado, trabalhá-lo tornará mais uma florada eficiente e feliz, em novos ritmos e expandindo a paisagem.
Vigésima sétima flor que entra em trabalho de abrir-se ao mundo e revelar-se solenemente, as vinte e seis flores - que não são de plástico, Titãs - acumulam um mix paradoxal de cansaço e renovação, sobriedade e juventude, brilho que novamente é incandiado por um momento pleno: o abrir de mais uma flor.
Desta (mais uma) vez, não houveram tantos jardineiros e floricultoras a cultivar este momento, mas que de alguma forma irrigaram a semeadura, mesmo que de longe, de tantos recantos da cidade, do Estado, do país, a qual fora realizada e contemplada por quatro floricultoras e dois jardineiros, ficando uma delas e um deles da concepção ao fato. Desta (mais uma) vez, todo o ambiente renovava o fluxo de energia necessário e revigorante para o fenômeno: a energia do combustível à alegria da concepção aliada ao clima musical do fato e do momento.
Depois de abrir-se mais uma flor ao mundo, emanando seu perfume que (espera-se) envolva e abranja outras flores e abelhas e donzelas queridas, apresentando sua beleza que (tomara) não esconda a sua verdadeira essência e, principalmente, que sua energia contagie as vinte e seis flores já abertas para o jardim da vida e deixar toda a árvore bonita, frondosa e querida.
Que as floricultoras e os jardineiros se aproximem e que não se afastem, porque, juntos, cantando para o mundo todos terão seus frutos!
segunda-feira, 4 de junho de 2012
Uma visão de Brasil para a Economia
Claro que não posso esperar de um economista uma visão a respeito do espaço tal como estou habilitado a enxergar, discutir, analisar e, quando possível, intervir coletivamente. No entanto, não posso reduzir a visão de uma produção do espaço enquanto externalidade, tal como posta ontem por um economista em um programa de televisão na madrugada de domingo para segunda.
O entrevistado da semana no Canal Livre, programa noturno nos fins de domingo da TV Bandeirantes, foi o economista Delfim Netto. A primeira curiosidade em questão é: por que um dos jornalistas seguidamente o chamava de ministro (sim, ele foi Ministro, mas faz mais de 25 anos!)? Parece uma reprodução da mídia e de algumas muitas pessoas quando se referem ao Lula como presidente Lula. No tocante ao debate em questão, o sistema econômico mundial e seus rebatimentos no Brasil, alicerçando as discussões em torno do mundo financeiro, da crise europeia e a especulação imobiliária na produção de valores concretos e de insegurança de investimentos - e no sistema econômico, fragilizado por este agente desde a década de 1990 - em bolsas de valores.
Alguns excertos soam de forma tão interessante quanto reducionista - e, em uma condição crítica em torno do espaço, até mesmo absurda. Vamos nos deter, talvez, a pior delas: a relação entre a economia e os dilemas do saneamento básico em solo brasileiro. Em tempos (e visões) econômicos, equacionando as perspectivas de um mundo (e um país) melhor, as formas de resolução se encontram em... investimentos. Trazendo ao debate problemas urbanos e rurais (portanto, espaciais) crônicos, como o saneamento básico, o Brasil, para o devido economista, conseguirá superar tal angústia da sociedade através de investimentos públicos e privados, cuja natureza, condição e expectativa produza externalidades para atrair... mais investimentos. Teríamos, com essa interpretação, os problemas sociais resolvidos com o objetivo de obtenção e multiplicação de lucros e não o seu objetivo fundamental, ou seja, a qualidade de vida para a população. Claro, salientando que o investimento público nunca deva ser de natureza privatista ou com a expectativa do lucro sem uma razão e função sociais que as subsidiem e justifiquem e, portanto, concorram para a execução de ordem pública com tal finalidade.
Uma forma de compreender o escrito é imaginar uma localidade carente de serviços públicos, que pode ser ou a Serra de Carapicuíba, em São Paulo, ou as comunidades ribeirinhas no bairro Genibaú, em Fortaleza, cujas condições são bastante precarizadas em razão da ausência ou grande indisponibilidade de atendimento público de água e esgoto, moradia digna e disposição de trabalho e renda regulares e formalizados. Uma parcela considerável de seus habitantes estão na informalidade do trabalho - sendo ambulantes, camelôs ou fazendo bicos - e na informalidade da moradia - estando em condição de risco em sua ocupação residencial precária. Resolver essas questões não seriam uma necessidade social, mas uma possibilidade de executar investimentos públicos para atrair investimentos privados; com a (pseudo-)resolução deste problema, externalidades são criadas e, assim, o espaço torna-se valorizado para a reprodução do capital. Só não sabe o economista que, com a valorização da terra urbana por tais externalidades, o problema social não apenas não é resolvido como é intensificado, pela inacessibilidade dos pobres ao valor de troca imposto à terra.
Com tantas externalidades no plano do pensamento e da criação, falta ao economista em pauta olhar para o exterior de sua janela e não apenas ver o espaço: é preciso vivê-lo.
O entrevistado da semana no Canal Livre, programa noturno nos fins de domingo da TV Bandeirantes, foi o economista Delfim Netto. A primeira curiosidade em questão é: por que um dos jornalistas seguidamente o chamava de ministro (sim, ele foi Ministro, mas faz mais de 25 anos!)? Parece uma reprodução da mídia e de algumas muitas pessoas quando se referem ao Lula como presidente Lula. No tocante ao debate em questão, o sistema econômico mundial e seus rebatimentos no Brasil, alicerçando as discussões em torno do mundo financeiro, da crise europeia e a especulação imobiliária na produção de valores concretos e de insegurança de investimentos - e no sistema econômico, fragilizado por este agente desde a década de 1990 - em bolsas de valores.
Alguns excertos soam de forma tão interessante quanto reducionista - e, em uma condição crítica em torno do espaço, até mesmo absurda. Vamos nos deter, talvez, a pior delas: a relação entre a economia e os dilemas do saneamento básico em solo brasileiro. Em tempos (e visões) econômicos, equacionando as perspectivas de um mundo (e um país) melhor, as formas de resolução se encontram em... investimentos. Trazendo ao debate problemas urbanos e rurais (portanto, espaciais) crônicos, como o saneamento básico, o Brasil, para o devido economista, conseguirá superar tal angústia da sociedade através de investimentos públicos e privados, cuja natureza, condição e expectativa produza externalidades para atrair... mais investimentos. Teríamos, com essa interpretação, os problemas sociais resolvidos com o objetivo de obtenção e multiplicação de lucros e não o seu objetivo fundamental, ou seja, a qualidade de vida para a população. Claro, salientando que o investimento público nunca deva ser de natureza privatista ou com a expectativa do lucro sem uma razão e função sociais que as subsidiem e justifiquem e, portanto, concorram para a execução de ordem pública com tal finalidade.
Uma forma de compreender o escrito é imaginar uma localidade carente de serviços públicos, que pode ser ou a Serra de Carapicuíba, em São Paulo, ou as comunidades ribeirinhas no bairro Genibaú, em Fortaleza, cujas condições são bastante precarizadas em razão da ausência ou grande indisponibilidade de atendimento público de água e esgoto, moradia digna e disposição de trabalho e renda regulares e formalizados. Uma parcela considerável de seus habitantes estão na informalidade do trabalho - sendo ambulantes, camelôs ou fazendo bicos - e na informalidade da moradia - estando em condição de risco em sua ocupação residencial precária. Resolver essas questões não seriam uma necessidade social, mas uma possibilidade de executar investimentos públicos para atrair investimentos privados; com a (pseudo-)resolução deste problema, externalidades são criadas e, assim, o espaço torna-se valorizado para a reprodução do capital. Só não sabe o economista que, com a valorização da terra urbana por tais externalidades, o problema social não apenas não é resolvido como é intensificado, pela inacessibilidade dos pobres ao valor de troca imposto à terra.
Com tantas externalidades no plano do pensamento e da criação, falta ao economista em pauta olhar para o exterior de sua janela e não apenas ver o espaço: é preciso vivê-lo.
sexta-feira, 25 de maio de 2012
Trabalhadores do racha
Dia de trabalho e de apresentar a um amigo uma promessa que foi inaugurada na Universidade depois de muita pressão e luta do movimento estudantil - que aliás algumas pessoas vangloriam seu status quando suas demandas são oriundas antes mesmo da entrada destas pessoas neste espaço de formação. Terminada a reunião de cunho acadêmico, vamos dar uma chegada lá no Complexo Poliesportivo da Universidade Estadual do Ceará?
Indo de carro - se fosse andando seriam quase 10 minutos de caminhada de onde estávamos -, para chegar até o ginásio passamos por um verdadeiro rali, em um carro modesto, mas chegamos. Acreditava eu que apenas existia o ginásio, mas foi-nos revelado ali também um campinho muito mal disposto e uma piscina olímpica construída, porém sem água. Ambos estão ainda não concluídos. Eram mais de cinco horas da tarde e o horário de trabalho já havia encerrado. Iríamos conhecer as novas dependências do ginásio, até mesmo saber se já estava pronto para uso, se possuía as traves, mastros e tabelas dispostas, mas algo chamou mais a atenção que a sua ausência.
"Toca a bola, porra!", "Vai, vai, vai!" e "Faz o gol, ...alho!" foram gritos que nos levaram a quadra e concretizaram as impressões: havia um racha na quadra, inaugurando aquele espaço. Mais que isso - e ao mesmo tempo o melhor de tudo -, quem jogava aquela travinha, cujas traves foram improvisadas com a madeira que sobrara das obras, eram os próprios operários! Por um longo minuto, um sorriso e a satisfação de ver aquela alegria em poder dispersar o fim do trabalho com aquela disposição física, mas também com a oportunidade de usar aquilo que fora feito por eles.
Mesmo sem ser um habilidoso jogador de linha, senti uma imensa vontade de tocar a bola para o artilheiro. Artilheiro das obras, artilheiro de luta, artilheiro da alegria e do verdadeiro futebol - jogado pelo simples e puro prazer.
Indo de carro - se fosse andando seriam quase 10 minutos de caminhada de onde estávamos -, para chegar até o ginásio passamos por um verdadeiro rali, em um carro modesto, mas chegamos. Acreditava eu que apenas existia o ginásio, mas foi-nos revelado ali também um campinho muito mal disposto e uma piscina olímpica construída, porém sem água. Ambos estão ainda não concluídos. Eram mais de cinco horas da tarde e o horário de trabalho já havia encerrado. Iríamos conhecer as novas dependências do ginásio, até mesmo saber se já estava pronto para uso, se possuía as traves, mastros e tabelas dispostas, mas algo chamou mais a atenção que a sua ausência.
"Toca a bola, porra!", "Vai, vai, vai!" e "Faz o gol, ...alho!" foram gritos que nos levaram a quadra e concretizaram as impressões: havia um racha na quadra, inaugurando aquele espaço. Mais que isso - e ao mesmo tempo o melhor de tudo -, quem jogava aquela travinha, cujas traves foram improvisadas com a madeira que sobrara das obras, eram os próprios operários! Por um longo minuto, um sorriso e a satisfação de ver aquela alegria em poder dispersar o fim do trabalho com aquela disposição física, mas também com a oportunidade de usar aquilo que fora feito por eles.
Mesmo sem ser um habilidoso jogador de linha, senti uma imensa vontade de tocar a bola para o artilheiro. Artilheiro das obras, artilheiro de luta, artilheiro da alegria e do verdadeiro futebol - jogado pelo simples e puro prazer.
terça-feira, 22 de maio de 2012
Duas barbeiragens
Observem estas duas composições, curiosos e curiosas.
A primeira é correspondente ao Centro de Fortaleza e a primeira barbeiragem: como local de ruas estreitas devido sua natureza urbanística histórica, trafegar pelo Centro da cidade em veículo individual se torna mais estressante e cansativo, além de demorado. No entanto, não justifica a ação que o carro de vermelho ocasionou - querer se antecipar na curva e bloquear a rua para todos os outros carros em seu favor. Além disso, os carros brancos, que não são táxis, estacionados nesta rua cujo estacionamento é proibido.
A segunda é nas proximidades da Universidade Estadual do Ceará, localizada no bairro Serrinha, no centro geográfico da capital cearense. A avenida, neste trecho por conta do acesso à universidade, é relativamente largo no seu lado, sendo de duas faixas no outro sentido. Há um cruzamento sinalizado em que não é permitido fazer a curva que o carro de vermelho realizou - fechando uma faixa inteira do fluxo devido sua vontade. Na realidade, ele não dobrou à esquerda, ele fez retorno, o que é pior.
Essas duas demonstrações de exemplos do trânsito local - diante dos quais eu estive como motorista - indicam algumas questões para a discussão: temos carros demais para vias de menos; temos carros demais para transporte público de menos e, por fim, motoristas mal educados demais para um trânsito eficiente de menos.
quarta-feira, 16 de maio de 2012
Afinal, são quantos times grandes no Brasil?
Campeonato Brasileiro de 2012 está com o pontapé inicial a ser dado e
alguns dos eternos chavões se repetirão entre 16 dos 20 clubes que
disputarão a Série A: vamos disputar o título. As demais quatro equipes
dirão que quererão se manter no campeonato - e curiosamente ou não são
aquelas que emergiram da Série B em 2011. com o discurso de luta pelo
título, posa cada um destes clubes como time grande, mas afinal de cotnas, quem de fato é grande no Brasil?
Não se trata de uma fortíssima elaboração, mas uma tese baseada em alguns fatores que alimentam a minha inquietação e que pode (tomara!) suscitar debates e materiais ainda mais aprofundados. Por um sentido óbvio, foram elencados três fatores substanciais - em uma espécie de índice - a fim de avaliar a grandeza dos clubes - que chamarei de triplo T: trocados (porque para times com grande cifra de dívidas não podemos chamar de faturamento sua receita debilitada por uma saldo devedor), torcida e títulos.
Com relação ao primeiro aspecto, a Consultoria BDO é a fonte. Para 2010, em ordem decrescente, as equipes que mais tiveram trocados em seus caixas foram: Corinthians, Internacional, São Paulo, Palmeiras, Flamengo, Santos, Grêmio, Cruzeiro, Atlético-MG e Vasco. Para 2011, algumas mudanças se notabilizam, mas em geral pouco se transforma: Corinthians, São Paulo, Flamengo, Internacional, Santos, Palmeiras, Grêmio, Vasco, Cruzeiro e Atlético-MG. As peças mudaram de lugar, mas houve a manutenção das dez agremiações, sem nenhuma ascensão de uma que estava fora ao seleto grupo. Ademais, comparando com as equipes sulamericanas, entre as 32 equipes da Libertadores da América de 2012, as brasileiras ocupam o topo da tabela quanto ao valor de mercado (Santos, Internacional, Corintthians, Flamengo e Vasco, segundo a Pluri Consultoria).
Em torno da torcida, o Instituto Gallup fornece o seguinte quantitativo, em milhões de torcedores para 2008, destacando em ordem do primeiro ao décimo, Flamengo (9,91), Corinthians (8,93), São Paulo (7), Palmeiras (6,9), Vasco (6,8), Grêmio (6,7), Bahia (5,3), Cruzeiro (5,29), Atlético-MG (5,27) e Internacional (5,11). Para o ano de 2012, o Lance! e a Pluri Consultoria apresentam as seguintes cifras: Flamengo (29,2), Corinthians (25,1), São Paulo (16,2), Palmeiras (12,3), Vasco (8,8), Grêmio (6,7), Cruzeiro (6,6), Internacional (5,8), Santos (5,3) e Atlético-MG (4,6). Aqui, uma mudança a ser destacada: o ingresso do Santos e a saída do Bahia.
Tangendo os títulos conquistados, um parêntese faz-se necessário: se pormos em questão os campeonatos regionais, as possibilidades de mascarar os resultados surgem, com a hegemonia de algumas equipes em campeonatos bem mais fracos que outros. Daí, relevar os campeonatos de relevância nacional e internacional. Os maiores campeões do Campeonato Brasileiro, de 1971 até 2011, são: São Paulo (6), Corinthians (5), Flamengo (5), Vasco (4), Palmeiras (4), Internacional (3), Santos (2), Fluminense (2), Grêmio (2) e mais oito equipes com um título cada: Guarani, Bahia, Sport, Coritiba, Atlético-MG, Altético-PR, Cruzeiro e Botafogo. Já com a Copa do Brasil, disputada desde 1989, temos a seguinte relação dos campeões: Grêmio (4), Cruzeiro (4), Corinthians (3), Flamengo (2) e outras demais equipes com um título cada: Criciúma, Internacional, Palmeiras, Juventude, Santo André, Paulista, Fluminense, Sport, Santos e Vasco. Fora do país, a Libertadores da América foi conquistada por: Santos (3), São Paulo (3), Cruzeiro (2), Internacional (2), Grêmio (2), Vasco (1), Flamengo (1) e Palmeiras (1), enquanto que o Mundial fora conquistado por São Paulo (3), Santos (2), Internacional (1), Grêmio (1), Flamengo (1) e o questionável título do Corinthians em 2000.
Dessa forma, com estes fatores apresentados, pode-se colocar em debate a relevância e importância dos clubes brasileiros, destacando-se neste sentido, pelo conjunto da obra, São Paulo, Corinthians, Flamengo, Internacional, Cruzeiro e Grêmio. No entanto, é impossível desconsiderar o fenômeno Santos e a queda do Palmeiras. Haverá quem questione os argumentos. A intenção é provocar o debate - e ler uma discussão que possa considerar inclusive outros elementos que não foram postos e, assim, aprofundar essa discussão e finalmente ter uma clareza de quem realmente é time grande no Brasil.
Não se trata de uma fortíssima elaboração, mas uma tese baseada em alguns fatores que alimentam a minha inquietação e que pode (tomara!) suscitar debates e materiais ainda mais aprofundados. Por um sentido óbvio, foram elencados três fatores substanciais - em uma espécie de índice - a fim de avaliar a grandeza dos clubes - que chamarei de triplo T: trocados (porque para times com grande cifra de dívidas não podemos chamar de faturamento sua receita debilitada por uma saldo devedor), torcida e títulos.
Com relação ao primeiro aspecto, a Consultoria BDO é a fonte. Para 2010, em ordem decrescente, as equipes que mais tiveram trocados em seus caixas foram: Corinthians, Internacional, São Paulo, Palmeiras, Flamengo, Santos, Grêmio, Cruzeiro, Atlético-MG e Vasco. Para 2011, algumas mudanças se notabilizam, mas em geral pouco se transforma: Corinthians, São Paulo, Flamengo, Internacional, Santos, Palmeiras, Grêmio, Vasco, Cruzeiro e Atlético-MG. As peças mudaram de lugar, mas houve a manutenção das dez agremiações, sem nenhuma ascensão de uma que estava fora ao seleto grupo. Ademais, comparando com as equipes sulamericanas, entre as 32 equipes da Libertadores da América de 2012, as brasileiras ocupam o topo da tabela quanto ao valor de mercado (Santos, Internacional, Corintthians, Flamengo e Vasco, segundo a Pluri Consultoria).
Em torno da torcida, o Instituto Gallup fornece o seguinte quantitativo, em milhões de torcedores para 2008, destacando em ordem do primeiro ao décimo, Flamengo (9,91), Corinthians (8,93), São Paulo (7), Palmeiras (6,9), Vasco (6,8), Grêmio (6,7), Bahia (5,3), Cruzeiro (5,29), Atlético-MG (5,27) e Internacional (5,11). Para o ano de 2012, o Lance! e a Pluri Consultoria apresentam as seguintes cifras: Flamengo (29,2), Corinthians (25,1), São Paulo (16,2), Palmeiras (12,3), Vasco (8,8), Grêmio (6,7), Cruzeiro (6,6), Internacional (5,8), Santos (5,3) e Atlético-MG (4,6). Aqui, uma mudança a ser destacada: o ingresso do Santos e a saída do Bahia.
Tangendo os títulos conquistados, um parêntese faz-se necessário: se pormos em questão os campeonatos regionais, as possibilidades de mascarar os resultados surgem, com a hegemonia de algumas equipes em campeonatos bem mais fracos que outros. Daí, relevar os campeonatos de relevância nacional e internacional. Os maiores campeões do Campeonato Brasileiro, de 1971 até 2011, são: São Paulo (6), Corinthians (5), Flamengo (5), Vasco (4), Palmeiras (4), Internacional (3), Santos (2), Fluminense (2), Grêmio (2) e mais oito equipes com um título cada: Guarani, Bahia, Sport, Coritiba, Atlético-MG, Altético-PR, Cruzeiro e Botafogo. Já com a Copa do Brasil, disputada desde 1989, temos a seguinte relação dos campeões: Grêmio (4), Cruzeiro (4), Corinthians (3), Flamengo (2) e outras demais equipes com um título cada: Criciúma, Internacional, Palmeiras, Juventude, Santo André, Paulista, Fluminense, Sport, Santos e Vasco. Fora do país, a Libertadores da América foi conquistada por: Santos (3), São Paulo (3), Cruzeiro (2), Internacional (2), Grêmio (2), Vasco (1), Flamengo (1) e Palmeiras (1), enquanto que o Mundial fora conquistado por São Paulo (3), Santos (2), Internacional (1), Grêmio (1), Flamengo (1) e o questionável título do Corinthians em 2000.
Dessa forma, com estes fatores apresentados, pode-se colocar em debate a relevância e importância dos clubes brasileiros, destacando-se neste sentido, pelo conjunto da obra, São Paulo, Corinthians, Flamengo, Internacional, Cruzeiro e Grêmio. No entanto, é impossível desconsiderar o fenômeno Santos e a queda do Palmeiras. Haverá quem questione os argumentos. A intenção é provocar o debate - e ler uma discussão que possa considerar inclusive outros elementos que não foram postos e, assim, aprofundar essa discussão e finalmente ter uma clareza de quem realmente é time grande no Brasil.
domingo, 6 de maio de 2012
Imagem da Semana, parte XIII
Olá Curiosos! Olá Curiosas!
Em semana com a realização de um fenômeno relativamente raro, cuja incidência se dá a cada 18 anos, o efeito de uma lua mais brilhante e agigantada se tem realizado neste final de semana nos céus.
Se não conseguimos fazer o registro de seu gigantismo belo, ao menos aquilo que a olho nu não era possível de ser visto, apresentamos o seu belo efeito sob o registro fotográfico, nos embalos de um sábado à noite.
Foto: @felipesilveira
Em semana com a realização de um fenômeno relativamente raro, cuja incidência se dá a cada 18 anos, o efeito de uma lua mais brilhante e agigantada se tem realizado neste final de semana nos céus.
Se não conseguimos fazer o registro de seu gigantismo belo, ao menos aquilo que a olho nu não era possível de ser visto, apresentamos o seu belo efeito sob o registro fotográfico, nos embalos de um sábado à noite.
Foto: @felipesilveira
domingo, 29 de abril de 2012
Barba, cabelo nem bigode
Em torno de um adágio pode-se estabelecer imensas condições de sociabilidade ou mesmo, mais sinteticamente, construindo uma verdade. No caso em questão, acredita-se que as duas assertivas tenham sua validade de uma única satisfação.
Andar de ônibus voltando de um roteiro cansativo de trabalho de campo, tendo tomado banho de chuva, balançando-se sob os ventos de uma virose que se anunciava sob a barba mal feita faz com que o mundo esteja em movimento sob seus olhos. Algumas reminiscências ante o presente também reaparecem, em meio à realidade que pulsa ao horizonte: comer cachorro-quente na beira do estádio no coração do Benfica relembrando a primeira entrada no Presidente Vargas, que fora logo para os gramados; a sua infância de piolhos catados no dedo e no pente fino reaparecendo na calçada do Montese e o correr de crianças nas ruas da Itaoca rememorando as corridas no Pio XII, ali no São João do Tauape, entre uma brincadeira de esconde-esconde e outras peripécias.
O tempo passou e a barba, o cabelo e o bigode denunciam isso, em face as poucas transformações da face. Novas formas de lidar com o mundo surgem e novas caricaturas são forjadas. Como sempre insistiam algumas pessoas, das mais próximas, a composição de uma personagem daria maiores êxitos para uma simples e complexa ação sensualizadora. Se o tempo passou, é bom que se aprenda com sua passagem e que os passos sigam para frente, sem remorsos.
A personagem, assim como nas telas ou nos palcos, metamorfoseia-se, não para se adequar ao mundo ou ao espetáculo obrigatoriamente, mas pelo capricho da mudança ou - o que mais faz sentido - pela vontade de encher os olhos dela e das outras pessoas pela mudança. O diálogo com o espelho também é revitalizante, embora fugaz.
Desde não muito tempo, o adágio realmente condiz uma nova realidade: agora, é sem barba, cabelo nem bigode.
Andar de ônibus voltando de um roteiro cansativo de trabalho de campo, tendo tomado banho de chuva, balançando-se sob os ventos de uma virose que se anunciava sob a barba mal feita faz com que o mundo esteja em movimento sob seus olhos. Algumas reminiscências ante o presente também reaparecem, em meio à realidade que pulsa ao horizonte: comer cachorro-quente na beira do estádio no coração do Benfica relembrando a primeira entrada no Presidente Vargas, que fora logo para os gramados; a sua infância de piolhos catados no dedo e no pente fino reaparecendo na calçada do Montese e o correr de crianças nas ruas da Itaoca rememorando as corridas no Pio XII, ali no São João do Tauape, entre uma brincadeira de esconde-esconde e outras peripécias.
O tempo passou e a barba, o cabelo e o bigode denunciam isso, em face as poucas transformações da face. Novas formas de lidar com o mundo surgem e novas caricaturas são forjadas. Como sempre insistiam algumas pessoas, das mais próximas, a composição de uma personagem daria maiores êxitos para uma simples e complexa ação sensualizadora. Se o tempo passou, é bom que se aprenda com sua passagem e que os passos sigam para frente, sem remorsos.
A personagem, assim como nas telas ou nos palcos, metamorfoseia-se, não para se adequar ao mundo ou ao espetáculo obrigatoriamente, mas pelo capricho da mudança ou - o que mais faz sentido - pela vontade de encher os olhos dela e das outras pessoas pela mudança. O diálogo com o espelho também é revitalizante, embora fugaz.
Desde não muito tempo, o adágio realmente condiz uma nova realidade: agora, é sem barba, cabelo nem bigode.
sexta-feira, 23 de março de 2012
Imagem da Semana, parte XII
Olá Curiosos! Olá Curiosas!
Em nova caminhada pelo Centro de Fortaleza, não pude resistir à incrível cena que avistei, acompanhado que estava eu de minha máquina: o Centro lotado de... pombos!
Entre o cheiro de espetinho, o paladar sedento pelo caldo de cana do Leões do Sul e o paradoxo da correria nas calçadas e a calmaria nos bancos da Praça do Ferreira, nossos amigos pombos estão reunidos também no coração da cidade.
Foto: @felipesilveir4
Em nova caminhada pelo Centro de Fortaleza, não pude resistir à incrível cena que avistei, acompanhado que estava eu de minha máquina: o Centro lotado de... pombos!
Entre o cheiro de espetinho, o paladar sedento pelo caldo de cana do Leões do Sul e o paradoxo da correria nas calçadas e a calmaria nos bancos da Praça do Ferreira, nossos amigos pombos estão reunidos também no coração da cidade.
Foto: @felipesilveir4
quinta-feira, 8 de março de 2012
Mais uma pessoa a escrever sobre as mulheres...
Dia 08 de março de 2012. Mensagens em programas variados e de variadas formas, em artigos de opinião e editoriais em jornais impressos (que na crista da onda circulam muito mais on-line), em rodas de conversas e em blogs, assim como eu também reproduzo. As múltiplas palavras, orações, frases e textos que se espalham nas redes sociais também possuem variados ruídos: aqueles que acalmam, aqueles que inquietam, aqueles que revigoram, aqueles que amansam, aqueles que estimulam. Afinal, que dia querem as mulheres?
Grande parte das mensagens a elas dedicadas ensejam bons votos daquelas pessoas que são mais: amáveis, carinhosas, atenciosas, lindas e devotadas de todo o desejo possível. Ainda não circulam com a mesma velocidade mensagens que destacam que as mulheres são menos: respeitadas, valorizadas, dignificadas, ouvidas. Em paralelo a isso, até mesmo as mensagens que poderiam circular mais aberta e frequentemente emanam apenas por aquelas mais críticas e/ou organizadas politicamente em movimentos, destacando que são as também mais: oprimidas, violentadas, excluídas.
Desejar feliz dia internacional das mulheres não deve ser, portanto, a busca por um dia feliz e com os mais frente ao restante do ano repleto de menos e também mais. Não adianta uma poesia e um ramalhete de flores neste dia se nos demais nós, homens e sociedade machista, despejamos palavrões e espinhos nas relações cotidianas. Afinal, que dia querem as mulheres?
Um dia em que todos os outros sejam diferentes, em que as mulheres sejam felizes todos os dias!
Mulheres de todo o mundo, uni-vas!
Grande parte das mensagens a elas dedicadas ensejam bons votos daquelas pessoas que são mais: amáveis, carinhosas, atenciosas, lindas e devotadas de todo o desejo possível. Ainda não circulam com a mesma velocidade mensagens que destacam que as mulheres são menos: respeitadas, valorizadas, dignificadas, ouvidas. Em paralelo a isso, até mesmo as mensagens que poderiam circular mais aberta e frequentemente emanam apenas por aquelas mais críticas e/ou organizadas politicamente em movimentos, destacando que são as também mais: oprimidas, violentadas, excluídas.
Desejar feliz dia internacional das mulheres não deve ser, portanto, a busca por um dia feliz e com os mais frente ao restante do ano repleto de menos e também mais. Não adianta uma poesia e um ramalhete de flores neste dia se nos demais nós, homens e sociedade machista, despejamos palavrões e espinhos nas relações cotidianas. Afinal, que dia querem as mulheres?
Um dia em que todos os outros sejam diferentes, em que as mulheres sejam felizes todos os dias!
Mulheres de todo o mundo, uni-vas!
sábado, 3 de março de 2012
Ensaios sobre o amor animal: o homem indeciso
Se a diferença entre todas as formas de amor animal em relação ao homem é que ele pode se estabelecer via contrato social, o cenário de nosso texto curiosa e paralelamente percorrerá esta elocubração finalística: a festa de casamento.
Seja ela familiar ou entre amigos, entre familiares próximos, distantes ou que você sequer conhece, entre amigos de longa data ou aqueles cuja amizade se fortaleceu intensamente em tão pouco tempo, quando se trata de festejar uma afirmação de união entre duas pessoas que se amam, as festas tem o seu charme e o seu glamour, mais ou menos dispostos. Algumas gafes e coisas de cafuçu e nada recomendáveis também - mas não vou tocar no assunto para não quebrar o raciocínio nem perder o feeling do texto. O que corrobora para fazer concordar com tais argumentos são alguns fatores cruciais: figurino, aclimatação e perfumes; das pessoas, do local e das quitutes. Fiquemos nas pessoas.
Chegando previamente ao momento para o qual fora convidado, o homem indeciso cumpre sua primeira função: fazer a social e cumprimentar pessoas e conhecer outras - mesmo quando as pessoas lhe conhecem e você não as reconhece. Primeira tensão se estabelece, quando a indecisão é provocada pela beleza de mulheres bonitas, porém distantes. Segunda tensão se realiza, no momento em que o perfume de mulheres, indistintamente, é igual ao de uma pessoa muito querida sua e que não está com você por detalhes da vida. Terceira tensão perturba o juízo a partir da conjunção dos dois fatores e quando a ficha cai, afinal, homem indeciso, você está solteiro.
Como uma das características do homem indeciso é manter-se reticente quanto às suas questões sentimentais, raras são as pessoas que sabem de sua indecisão e, como manda a lei de Murphy, elas tocam no assunto em aproximação com um diálogo prosaico sobre trabalho, mulheres, solteirice e aproveitamento da vida; se juntarmos todos estes elementos, parece que a vida deste homem indeciso vai muito bem, obrigado, demonstrando ser bastante seguro de suas opções. Mero engano, já que este homem quer é compartilhar seu sucesso. Seu fracasso também. Sentir o perfume feminino, daqueles que com um abraço impregna no rosto e no ombro, ainda mais.
Hora de voltar a casa e o homem indeciso permanece assim, sem ter o que falar e com quem despejar inúmeras de suas angústias e continua projetando uma relação como quem planeja rapidamente ganhar na loteria: eu quero para ontem! Se não é capaz de ronronar e estabelecer rituais nada cabalísticos como a gata do jardim, não tem envergadura, status e beleza para desfilar e chamar a atenção como a poodle do 101 e ao mesmo tempo não tendo a necessidade de gritar a fim de chamar a atenção, como o papagaio gasguito, o homem indeciso não faz nada disso, mesmo querendo tudo isso.
Homem indeciso, siga um conselho: se for a casamento, não pense no futuro.
Seja ela familiar ou entre amigos, entre familiares próximos, distantes ou que você sequer conhece, entre amigos de longa data ou aqueles cuja amizade se fortaleceu intensamente em tão pouco tempo, quando se trata de festejar uma afirmação de união entre duas pessoas que se amam, as festas tem o seu charme e o seu glamour, mais ou menos dispostos. Algumas gafes e coisas de cafuçu e nada recomendáveis também - mas não vou tocar no assunto para não quebrar o raciocínio nem perder o feeling do texto. O que corrobora para fazer concordar com tais argumentos são alguns fatores cruciais: figurino, aclimatação e perfumes; das pessoas, do local e das quitutes. Fiquemos nas pessoas.
Chegando previamente ao momento para o qual fora convidado, o homem indeciso cumpre sua primeira função: fazer a social e cumprimentar pessoas e conhecer outras - mesmo quando as pessoas lhe conhecem e você não as reconhece. Primeira tensão se estabelece, quando a indecisão é provocada pela beleza de mulheres bonitas, porém distantes. Segunda tensão se realiza, no momento em que o perfume de mulheres, indistintamente, é igual ao de uma pessoa muito querida sua e que não está com você por detalhes da vida. Terceira tensão perturba o juízo a partir da conjunção dos dois fatores e quando a ficha cai, afinal, homem indeciso, você está solteiro.
Como uma das características do homem indeciso é manter-se reticente quanto às suas questões sentimentais, raras são as pessoas que sabem de sua indecisão e, como manda a lei de Murphy, elas tocam no assunto em aproximação com um diálogo prosaico sobre trabalho, mulheres, solteirice e aproveitamento da vida; se juntarmos todos estes elementos, parece que a vida deste homem indeciso vai muito bem, obrigado, demonstrando ser bastante seguro de suas opções. Mero engano, já que este homem quer é compartilhar seu sucesso. Seu fracasso também. Sentir o perfume feminino, daqueles que com um abraço impregna no rosto e no ombro, ainda mais.
Hora de voltar a casa e o homem indeciso permanece assim, sem ter o que falar e com quem despejar inúmeras de suas angústias e continua projetando uma relação como quem planeja rapidamente ganhar na loteria: eu quero para ontem! Se não é capaz de ronronar e estabelecer rituais nada cabalísticos como a gata do jardim, não tem envergadura, status e beleza para desfilar e chamar a atenção como a poodle do 101 e ao mesmo tempo não tendo a necessidade de gritar a fim de chamar a atenção, como o papagaio gasguito, o homem indeciso não faz nada disso, mesmo querendo tudo isso.
Homem indeciso, siga um conselho: se for a casamento, não pense no futuro.
terça-feira, 28 de fevereiro de 2012
Discutindo a relação entre Lei Geral da Copa e ex-jogadores
Evidencia-se nas redes sociais uma grande discussão (mais uma) a respeito da Lei FIFA Geral da Copa, agora em sua proposta de premiação e estabelecimento de piso aos campeões mundiais das copas de 1958, 1962 e 1970 (veja aqui a proposta de adesão desta proposta à lei: http://esportes.opovo.com.br/app/esportes/futebol/selecaobrasileira/2012/02/28/noticiaselecaobrasileira,2290764/lei-geral-premio-de-r-100-mil-aos-campeoes-mundiais.shtml ). De maneira diferente como tenho percebido o que é recorrente nestes espaços, acho que é importante desagregar os assuntos para um debate político mais totalizante. O que se segue é um ensaio para uma crítica, que não se encerra no próprio texto, vislumbrando estabelecer diálogos. Abre-se espaço, portanto, para reavaliações.
Inicialmente, um grande perigo na discordância de muitos em relação ao que se propõe é comparar com categorias profissionais o mérito da questão. Há comparação com o piso dos professores da rede básica de ensino e universitários de campus estaduais, mas que pode vir também a comparação com o piso dos policiais, médicos e outras tantas categorias profissionais que lutam por isso, com o plano de cargos e carreiras de agentes comunitários de saúde e outras tantas categorias profissionais que lutam por isso, além de profissionais que batalham no reconhecimento de seu exercício, como os catadores de resíduos sólidos. Se fazemos deliberadamente comparações, recorrentemente vamos acabar avaliando quem merece mais ou menos uma reivindicação salarial ou de proteção previdenciária à carreira. Ao invés de unificar as lutas e reivindicações por melhor qualidade de vida, acaba-se, assim, por fragmentar ainda mais os/as trabalhadores/as em suas pautas individualizadas. Fora uma questão que fica no ar: jogador de futebol é uma categoria profissional (antes relegada e atualmente superremunerada)?
Com isso, vale salientar outra consideração: o futebol alimenta a alienação de massa. Em partes, isso é uma verdade, de tal maneira que os interesses de quem gerencia carreiras, campeonatos e detém o know how da gestão econômica e política do esporte (e o futebol não é exclusividade) é uma condição restrita. Não dá para afirmar com veemência que jogadores de futebol e todos aqueles que trabalham no esporte (desde os especialistas da área médica até os roupeiros, com seu ensino fundamental incompleto) são objetos alienadores das massas, mas tão massa de manobra quanto quem o venera. Ademais, nossa crítica à questão pode crucificar os ex-jogadores, quando o alvo destas críticas devem ser outros.
Dito isso, a questão que o debate atinge acaba não sendo o ponto crucial da pauta: a famigerada Lei FIFA Geral da Copa. Seus proponentes é quem merecem estar no alvo das discussões e não apenas pelo acréscimo de uma pauta de comoção social à massa considerada alienada. A Lei FIFA Geral da Copa apresenta questões de suma importância a serem discutidas e de retirada de direitos estabelecidos nacionalmente e com base de muita mobilização social, como a meia-entrada a jovens, a proibição de consumo de bebidas alcoólicas dentro dos estádios e o cumprimento do Estatuto do Idoso, do Torcedor e da Cidade na realização dos jogos da Copa 2014 - e que vem sido subvertido em prol desses proponentes, vinculando interesses à busca de rentabilidade da empresa FIFA.
Assim, em poucas palavras de uma discussão que não se encerra, o que está em jogo não é um benefício a ex-jogadores campeões mundiais (que na minha opinião está de forma escrupulosa posta nesta Lei para garantir adesão social, mas que discutindo os valores e as formas de atendimento a estas pessoas, é uma consideração relevante em ser proposta), mas aquilo que é mais estupendo no rompimento de nossas relações com a própria cidade de um modo mais totalizante.
Se fossem propostas desvinculadas, eu preferiria contribuir meu imposto a estes ex-jogadores à realização caríssima e absurda da Copa 2014, se o esquema for comparativo.
Acho que estamos mirando para atirar no alvo errado.
Inicialmente, um grande perigo na discordância de muitos em relação ao que se propõe é comparar com categorias profissionais o mérito da questão. Há comparação com o piso dos professores da rede básica de ensino e universitários de campus estaduais, mas que pode vir também a comparação com o piso dos policiais, médicos e outras tantas categorias profissionais que lutam por isso, com o plano de cargos e carreiras de agentes comunitários de saúde e outras tantas categorias profissionais que lutam por isso, além de profissionais que batalham no reconhecimento de seu exercício, como os catadores de resíduos sólidos. Se fazemos deliberadamente comparações, recorrentemente vamos acabar avaliando quem merece mais ou menos uma reivindicação salarial ou de proteção previdenciária à carreira. Ao invés de unificar as lutas e reivindicações por melhor qualidade de vida, acaba-se, assim, por fragmentar ainda mais os/as trabalhadores/as em suas pautas individualizadas. Fora uma questão que fica no ar: jogador de futebol é uma categoria profissional (antes relegada e atualmente superremunerada)?
Com isso, vale salientar outra consideração: o futebol alimenta a alienação de massa. Em partes, isso é uma verdade, de tal maneira que os interesses de quem gerencia carreiras, campeonatos e detém o know how da gestão econômica e política do esporte (e o futebol não é exclusividade) é uma condição restrita. Não dá para afirmar com veemência que jogadores de futebol e todos aqueles que trabalham no esporte (desde os especialistas da área médica até os roupeiros, com seu ensino fundamental incompleto) são objetos alienadores das massas, mas tão massa de manobra quanto quem o venera. Ademais, nossa crítica à questão pode crucificar os ex-jogadores, quando o alvo destas críticas devem ser outros.
Dito isso, a questão que o debate atinge acaba não sendo o ponto crucial da pauta: a famigerada Lei FIFA Geral da Copa. Seus proponentes é quem merecem estar no alvo das discussões e não apenas pelo acréscimo de uma pauta de comoção social à massa considerada alienada. A Lei FIFA Geral da Copa apresenta questões de suma importância a serem discutidas e de retirada de direitos estabelecidos nacionalmente e com base de muita mobilização social, como a meia-entrada a jovens, a proibição de consumo de bebidas alcoólicas dentro dos estádios e o cumprimento do Estatuto do Idoso, do Torcedor e da Cidade na realização dos jogos da Copa 2014 - e que vem sido subvertido em prol desses proponentes, vinculando interesses à busca de rentabilidade da empresa FIFA.
Assim, em poucas palavras de uma discussão que não se encerra, o que está em jogo não é um benefício a ex-jogadores campeões mundiais (que na minha opinião está de forma escrupulosa posta nesta Lei para garantir adesão social, mas que discutindo os valores e as formas de atendimento a estas pessoas, é uma consideração relevante em ser proposta), mas aquilo que é mais estupendo no rompimento de nossas relações com a própria cidade de um modo mais totalizante.
Se fossem propostas desvinculadas, eu preferiria contribuir meu imposto a estes ex-jogadores à realização caríssima e absurda da Copa 2014, se o esquema for comparativo.
Acho que estamos mirando para atirar no alvo errado.
quinta-feira, 23 de fevereiro de 2012
Ensaios sobre o amor animal: o papagaio gasguito
Costuma-se dizer que as horas passam e alguns fatos impreterivelmente acontecem cotidianamente: sete horas e o estresse no início do dia antes da rotina cansativa; meio dia e o burburinho para o almoço, dezessete horas e o trânsito caótico de volta para casa; vinte e uma horas e a tradicional novela das 'oito' a quem gosta de ficções sempre com os mesmos enredos e finais. Há, no entanto, quem se surpreenda com o inusitado. O inusitado que perturba, às vezes. Às vezes praticamente todos os dias às dezessete e meia horas.
A quem tem uma rotina diferente, fora do trânsito e dentro de casa com trabalho acadêmico, virtual, empreendedor/a do e no lar, gestão domiciliar e condominial ou outras atividades em que o escritório seja um cômodo de sua casa ao invés de um outro imóvel, é de se ter com bom grado a presença de animais a abrilhantar e contrabalancear com a chatice do dia-a-dia entre lesões por esforço repetitivo e cadeiras quentes. Nem sempre. Nestas impreteríveis horas e minutos, quase que diariamente, um sofrimento ao longe ocorre e muitos ouviriam, se tivessem chegado da sua rotina padrão.
Entre gatos e cachorros, entre canários e lagartos, entre sapos e formigas, ganha relevo o papagaio. É bonito, mora supostamente no terceiro andar, tem uma visão panorâmica bem interessante e parece fofocar sobre o que enxerga de longe com os seus pares em seu mirante, mais conhecido como apartamento. Como uma forma de denunciar a presença que o gato percebe pelo olhar aguçado e o cachorro pelo olfato megadesenvolvido, o papagaio institivamente paquera de outras formas. Ele grita.
De olhos fechados, imagina-se que o papagaio está sendo torturado com um isqueiro a queimar suas penas pela pontinha, sendo vestido por um espartilho, impedido de voar cortando as pontas de suas asas ou clamando por socorro a quem muito precisa de ajuda, mas... é apenas a sua forma peculiar de sensualizar frente a uma passarinha que fica em um bloco em frente ao seu, num andar inferior, estando ao seu horizonte que, da varanda, vislumbra a cozinha e a área de serviço alheia. Agora que se sabe porque ele grita, a impaciência predomina a quem convive indiretamente com esta forma de amar.
Ela, a passarinha, ao que parece, não dá nem uma abanada de asa para ele.
A quem tem uma rotina diferente, fora do trânsito e dentro de casa com trabalho acadêmico, virtual, empreendedor/a do e no lar, gestão domiciliar e condominial ou outras atividades em que o escritório seja um cômodo de sua casa ao invés de um outro imóvel, é de se ter com bom grado a presença de animais a abrilhantar e contrabalancear com a chatice do dia-a-dia entre lesões por esforço repetitivo e cadeiras quentes. Nem sempre. Nestas impreteríveis horas e minutos, quase que diariamente, um sofrimento ao longe ocorre e muitos ouviriam, se tivessem chegado da sua rotina padrão.
Entre gatos e cachorros, entre canários e lagartos, entre sapos e formigas, ganha relevo o papagaio. É bonito, mora supostamente no terceiro andar, tem uma visão panorâmica bem interessante e parece fofocar sobre o que enxerga de longe com os seus pares em seu mirante, mais conhecido como apartamento. Como uma forma de denunciar a presença que o gato percebe pelo olhar aguçado e o cachorro pelo olfato megadesenvolvido, o papagaio institivamente paquera de outras formas. Ele grita.
De olhos fechados, imagina-se que o papagaio está sendo torturado com um isqueiro a queimar suas penas pela pontinha, sendo vestido por um espartilho, impedido de voar cortando as pontas de suas asas ou clamando por socorro a quem muito precisa de ajuda, mas... é apenas a sua forma peculiar de sensualizar frente a uma passarinha que fica em um bloco em frente ao seu, num andar inferior, estando ao seu horizonte que, da varanda, vislumbra a cozinha e a área de serviço alheia. Agora que se sabe porque ele grita, a impaciência predomina a quem convive indiretamente com esta forma de amar.
Ela, a passarinha, ao que parece, não dá nem uma abanada de asa para ele.
domingo, 19 de fevereiro de 2012
Promoção cara
No carnaval em uma capital brasileira cujo ritmo não é dos mais frenéticos, se comparado com outras capitais (Recife, São Paulo, Rio de Janeiro...) e mesmo com as cidades do litoral cearense (Aracati, Paracuru...), Fortaleza não tem sido ultimamente tão quieta e, neste ano, surgiu uma outra possibilidade, mediante uma ótima iniciativa. Se não fosse seu interesse escuso - e que proporcionou outras questões.
A promoção? No período de carnaval, assistir a três filmes a dez reais com a franquia do estacionamento (para quem vai de carro, moto...) junto. Uma boa pedida para quem ficou. As compras somente no guinchê do cinema - eliminando as compras via internet e seu rápido consumo: certamente, os 10 mil pacotes seriam encerrados em três minutos ou menos. Até aí uma louvável ação. Suportar a longa fila fazia parte do pacote da promoção e, até então, era plenamente "aceitável" por conta da lei da oferta e da procura, esse paradigma capitalista.
No entanto, parece que inseriram outros elementos no pacote. Com a longa fila e o longo tempo de espera, quem foi de carro, moto ou outro veículo estacionado acabou por contribuir e muito; com a longa fila e o longo tempo de espera; o consumo de água e/ou lanche acabou por contribuir e muito; com a longa fila e o longo tempo de espera; não entender o processo de compra e venda corroborou para tanto tempo e tanta gente - na compra, era necessário definir quais filmes, quais sessões e quais assentos (isso mesmo!), além de eu poder comprar quantos pacotes quiser, um, dois, cinco, 80, 300. Dessa forma, por conta de outras pessoas que não a administração do shopping - que, aliás, acabou por contribuir e muito, valores foram agregados e desagregados ao pacote.
Também com a longa fila e o longo tempo de espera acabaram por contribuir e muito o jeitinho brasileiro em querer se dar bem passando por cima das outras pessoas: um amigo que tava na frente na fila e eu dou meus cinquenta reais para ele comprar meus cinco pacotes; uma prima que há muito tempo não a via e, conversa vai, conversa vem, e eu penetro na fila; um grupo de amigos que encontra outro e tudo vira festa dentro da fila; o direito de preferencial sendo utilizado a varejo e com muitas pessoas sem este direito aproveitando uma gestante para adquirir seus ingressos ou inclusive chamar uma idosa para comprá-los. Tudo isso com as vistas grossas de um segurança que o shopping disponibilizava para ajudar a organizar aquela longa fila. Assim, a fila que seria prevista percorrer em longas duas horas, acabou sendo uma penintência de cinco horas.
Três filmes, estacionamento grátis, corrupção de valores para tê-los, comprando a varejo para, inclusive, revendê-los e ganhar dinheiro sobre a paciência de outras pessoas e o desejo de quem não teve como ir. A quem se manteve incólume, respeito, honestidade e caráter ainda mais se transformaram em elogio e característica - e não sendo mais e mais um princípio humano. Meus ingressos custaram dez reais, um absurdo de caro.
A promoção? No período de carnaval, assistir a três filmes a dez reais com a franquia do estacionamento (para quem vai de carro, moto...) junto. Uma boa pedida para quem ficou. As compras somente no guinchê do cinema - eliminando as compras via internet e seu rápido consumo: certamente, os 10 mil pacotes seriam encerrados em três minutos ou menos. Até aí uma louvável ação. Suportar a longa fila fazia parte do pacote da promoção e, até então, era plenamente "aceitável" por conta da lei da oferta e da procura, esse paradigma capitalista.
No entanto, parece que inseriram outros elementos no pacote. Com a longa fila e o longo tempo de espera, quem foi de carro, moto ou outro veículo estacionado acabou por contribuir e muito; com a longa fila e o longo tempo de espera; o consumo de água e/ou lanche acabou por contribuir e muito; com a longa fila e o longo tempo de espera; não entender o processo de compra e venda corroborou para tanto tempo e tanta gente - na compra, era necessário definir quais filmes, quais sessões e quais assentos (isso mesmo!), além de eu poder comprar quantos pacotes quiser, um, dois, cinco, 80, 300. Dessa forma, por conta de outras pessoas que não a administração do shopping - que, aliás, acabou por contribuir e muito, valores foram agregados e desagregados ao pacote.
Também com a longa fila e o longo tempo de espera acabaram por contribuir e muito o jeitinho brasileiro em querer se dar bem passando por cima das outras pessoas: um amigo que tava na frente na fila e eu dou meus cinquenta reais para ele comprar meus cinco pacotes; uma prima que há muito tempo não a via e, conversa vai, conversa vem, e eu penetro na fila; um grupo de amigos que encontra outro e tudo vira festa dentro da fila; o direito de preferencial sendo utilizado a varejo e com muitas pessoas sem este direito aproveitando uma gestante para adquirir seus ingressos ou inclusive chamar uma idosa para comprá-los. Tudo isso com as vistas grossas de um segurança que o shopping disponibilizava para ajudar a organizar aquela longa fila. Assim, a fila que seria prevista percorrer em longas duas horas, acabou sendo uma penintência de cinco horas.
Três filmes, estacionamento grátis, corrupção de valores para tê-los, comprando a varejo para, inclusive, revendê-los e ganhar dinheiro sobre a paciência de outras pessoas e o desejo de quem não teve como ir. A quem se manteve incólume, respeito, honestidade e caráter ainda mais se transformaram em elogio e característica - e não sendo mais e mais um princípio humano. Meus ingressos custaram dez reais, um absurdo de caro.
quinta-feira, 9 de fevereiro de 2012
Ensaios sobre o amor animal: a poodle do 101
À primeira vista, as lembranças vem à tona pelo sucesso cinematográfico em torno do make animal. Perambulando pelas telas do mundo, muitos cachorros foram transformados em astros; em outra perspectiva, muitos cachorros foram aviltados de defesa e continuam sendo alvo de pachorra (eu disse pa-chorra) alheia da humanidade, ora abandonados, ora sendo ressignificados enquanto uma péssima característica humana.
Saracoteando seu curto rabo - encurtado em seus primeiros meses de vida, por pura sacanagem -, a cachorra passeia pela cidade: por longo tempo de sua vida, percorreu sentindo a brisa da Praia de Iracema nas fuças, sentia o cheiro do Pagode da Mocinha ou mesmo de um churrasquinho de gato no Mercado dos Pinhões, no vizinho (e que poucos sabem desse detalhe) Centro da cidade. Nada discreta, porém disposta a conviver com as pessoas, seus passos saltitantes tem outros destinos: as ruas calmas da Parangaba e uma delas caótica, a via na qual um shopping center se instalará em breve. Daqueles bons pra cachorro!
Em seu desfile, a passarela é a própria vida, mas que em seu rumo não apareçam crianças! Crianças e motos! No mais, com discrição, é até fácil conquistá-la: não é simpática, mas ela é meiga, é folgada e muito carinhosa. Até certo ponto. Até determinado período. Quando - e assim são as fêmeas, humanas ou outras animais - entram em seu período de vermelhidão, ou mesmo em um período prévio a este, as coisas mudam de lugar. De verdade.
O bebedouro sai da área de serviço e vai à cozinha; a urina sai do jornalzinho e chega nos tapetes do banheiro; sua ressaca sai do colchãozinho do quarto e o sofá passa a acolhê-la; a satisfação sexual deixa de estar na língua e passa a ser encontrada no chão. Não está largado, porém; está em fricção junto a ela, numa relação não dialética, mas de um tanto modo platônico, pois, afinal, ela se satisfaz. Pra quê mais?
Longe dos holofotes de seus rituais prazeirosos, seus desfiles continuam pelas passarelas do condomínio. Peluda, com coleira rosa, chama a atenção pela sua pose, pelo seu garbo e pela sua... animalidade (para não chamar personalidade). Quando passa, é logo reconhecida: parece uma princesa... é a poodle do 101.
Parece mesmo. De fato, uma Princesa. No entanto, se 101 faz parte de sua vida, esse 101 não são dalmatas.
Saracoteando seu curto rabo - encurtado em seus primeiros meses de vida, por pura sacanagem -, a cachorra passeia pela cidade: por longo tempo de sua vida, percorreu sentindo a brisa da Praia de Iracema nas fuças, sentia o cheiro do Pagode da Mocinha ou mesmo de um churrasquinho de gato no Mercado dos Pinhões, no vizinho (e que poucos sabem desse detalhe) Centro da cidade. Nada discreta, porém disposta a conviver com as pessoas, seus passos saltitantes tem outros destinos: as ruas calmas da Parangaba e uma delas caótica, a via na qual um shopping center se instalará em breve. Daqueles bons pra cachorro!
Em seu desfile, a passarela é a própria vida, mas que em seu rumo não apareçam crianças! Crianças e motos! No mais, com discrição, é até fácil conquistá-la: não é simpática, mas ela é meiga, é folgada e muito carinhosa. Até certo ponto. Até determinado período. Quando - e assim são as fêmeas, humanas ou outras animais - entram em seu período de vermelhidão, ou mesmo em um período prévio a este, as coisas mudam de lugar. De verdade.
O bebedouro sai da área de serviço e vai à cozinha; a urina sai do jornalzinho e chega nos tapetes do banheiro; sua ressaca sai do colchãozinho do quarto e o sofá passa a acolhê-la; a satisfação sexual deixa de estar na língua e passa a ser encontrada no chão. Não está largado, porém; está em fricção junto a ela, numa relação não dialética, mas de um tanto modo platônico, pois, afinal, ela se satisfaz. Pra quê mais?
Longe dos holofotes de seus rituais prazeirosos, seus desfiles continuam pelas passarelas do condomínio. Peluda, com coleira rosa, chama a atenção pela sua pose, pelo seu garbo e pela sua... animalidade (para não chamar personalidade). Quando passa, é logo reconhecida: parece uma princesa... é a poodle do 101.
Parece mesmo. De fato, uma Princesa. No entanto, se 101 faz parte de sua vida, esse 101 não são dalmatas.
segunda-feira, 6 de fevereiro de 2012
Encontro, desencontro, reencontros. Encontros
É muito salutar quando uma questão teoricamente óbvia se torna tão principalesca que redunda na obviedade. Acabei por ser neologista e hermético ao mesmo tempo, não dizendo absolutamente nada. Nesse degringolar de ideias que circulam na cabeça até sua interpretação ocorre justamente o turbilhão que habita cabeças humanas quando ocupadas por pensamentos que são até conexos, porém confusos. É nesse sentido que (re)encontro(s) acontece(m).
Uma mesa de bar e um olhar perdido. Suficiente foram para proporcionar um encontro. Panorâmico, porém certeiro; platônico, porém memorável; indireto, porém direto; discreto, porém efervescente. As possibilidades e pensamentos distantes foram atiçados. Em outra mesa do mesmo bar, depois de meses do fato anteriormente ocorrido, sentar-se na mesma mesa e de frente não foi o suficiente. Foi o reencontro. Diálogo e correspondência; piadas e risadas; conversas e troca de ideias; sorrisos e sorrisos. As possibilidades de novos contatos foram efetivados. Noutra mesa e noutro bar, um novo encontro. Atraso com dúvidas; cerveja com vinil; petiscos com palitos; mesa com música boa; bar com gente bêbada. As possibilidades de novos encontros foram sendo alicerçadas.
Com tudo isso a vista e à prazo, (re)encontro(s) acabaram por se sucederem sempre tendo um pouco daqueles conteúdos pretéritos. No último, quando todos eles se misturaram, o ápice foi, depois do clímax, as reflexões proporcionarem um novo encontro. Um encontro separado, distante; um encontro conosco. Necessário, inclusive. Primordial.
Com (re)encontro(s) a perder de vista, no degringolar de ideias e no turbilhão das emoções que ficaram naquela mistura toda, se tudo isso gerar uma vitamina batida no liquidificador, pode-se dizer que de (re)encontro(s) saiu um fortificante alimento. Para ambos, feito por ambos e produto de (re)encontro(s).
Uma mesa de bar e um olhar perdido. Suficiente foram para proporcionar um encontro. Panorâmico, porém certeiro; platônico, porém memorável; indireto, porém direto; discreto, porém efervescente. As possibilidades e pensamentos distantes foram atiçados. Em outra mesa do mesmo bar, depois de meses do fato anteriormente ocorrido, sentar-se na mesma mesa e de frente não foi o suficiente. Foi o reencontro. Diálogo e correspondência; piadas e risadas; conversas e troca de ideias; sorrisos e sorrisos. As possibilidades de novos contatos foram efetivados. Noutra mesa e noutro bar, um novo encontro. Atraso com dúvidas; cerveja com vinil; petiscos com palitos; mesa com música boa; bar com gente bêbada. As possibilidades de novos encontros foram sendo alicerçadas.
Com tudo isso a vista e à prazo, (re)encontro(s) acabaram por se sucederem sempre tendo um pouco daqueles conteúdos pretéritos. No último, quando todos eles se misturaram, o ápice foi, depois do clímax, as reflexões proporcionarem um novo encontro. Um encontro separado, distante; um encontro conosco. Necessário, inclusive. Primordial.
Com (re)encontro(s) a perder de vista, no degringolar de ideias e no turbilhão das emoções que ficaram naquela mistura toda, se tudo isso gerar uma vitamina batida no liquidificador, pode-se dizer que de (re)encontro(s) saiu um fortificante alimento. Para ambos, feito por ambos e produto de (re)encontro(s).
quinta-feira, 2 de fevereiro de 2012
Ensaios sobre o amor animal: a gata do jardim
Nove horas da manhã. O dia começa com sua rotina de evasão das pessoas rumo ao trabalho neste mês de fevereiro que também tem o início das aulas como intensificador do corre-corre diário. Passos daqui, passos dali, e os resquícios negros neste início de jornada resumem-se às sombras dos corpos e aos milhares de pneus que rumam nas ruas e avenidas afora, calorentas e lotadas de gente.
Três horas da tarde. O sol começa a dar seus sinais de cansaço e o condomínio demonstra estar mais vazio, ermo, sem gente, abandonado, à espera dos passos de quem passara o dia conquistando a vida e o mundo fora de seus muros. As pegadas aparecem sorrateiramente, como quem investiga um novo espaço, uma nova busca, um novo tesouro. A gata do jardim é finalmente percebida nas ruas internas com seus pelos negros brilhantes e algumas marcas de suas aventuras.
Sete horas da noite. A lua escondeu o sol e as estrelas tentam brilhar em céu recoberto por nuvens de verão que não precipitam e por nuvens de poeira e poluição que insistem em crescer, em época de fortalecimento de obras e aumento de veículos. As senhoras fazem suas caminhadas dentro do condomínio, depois de assistir a novela mais romântica e mais idealista dos horários disponíveis e criando o apetite para, se não jantar um bom prato de comida, um cuzcuz com manteiga e café bem quentes. Paralelo às caminhadas geriátricas, a gata do jardim desfila, sensualiza, mostra seu charme a quem queira vê-la e apreciá-la. Estrategicamente, dá o ar de sua graça com o seu canto: alguns tímidos miaus.
Dez horas da noite. Horário de silêncio. Lei do sono. Regimento interno do condomínio. Convenção social consolidada. Sem muito esforço, poucos são os barulhos que se ouvem no condomínio, exceto, do bloco de onde se escreve, ter as possibilidades de assistir à novela das "oito" sem precisar ligar a televisão, por ouvir 'osmoticamente' o vizinho do terceiro andar fissurado - e praticamente surdo. Mesmo assim, a gata do jardim não deixa de ecoar seu miado mais forte, demonstrando toda sua charmée da conquista. Há quem goste e observe o ritual, há quem ignore e siga sua rotina, há quem deteste e... reclama para a síndica. E a gata do jardim, nada a perder e não sendo inquilina moradora, não desce do seu salto para paquerar. Não perde a pose.
Nove horas da manhã. Novo dia começa e nada da gata do jardim. Embaixo do carro, ela descansa depois de uma tórrida noite de amor, sente as dores das mordidas em sua nuca e das azunhadas em seu corpo e deixa suas cordas vocais em banho-maria para a próxima noite de rituais.
Três horas da tarde. O sol começa a dar seus sinais de cansaço e o condomínio demonstra estar mais vazio, ermo, sem gente, abandonado, à espera dos passos de quem passara o dia conquistando a vida e o mundo fora de seus muros. As pegadas aparecem sorrateiramente, como quem investiga um novo espaço, uma nova busca, um novo tesouro. A gata do jardim é finalmente percebida nas ruas internas com seus pelos negros brilhantes e algumas marcas de suas aventuras.
Sete horas da noite. A lua escondeu o sol e as estrelas tentam brilhar em céu recoberto por nuvens de verão que não precipitam e por nuvens de poeira e poluição que insistem em crescer, em época de fortalecimento de obras e aumento de veículos. As senhoras fazem suas caminhadas dentro do condomínio, depois de assistir a novela mais romântica e mais idealista dos horários disponíveis e criando o apetite para, se não jantar um bom prato de comida, um cuzcuz com manteiga e café bem quentes. Paralelo às caminhadas geriátricas, a gata do jardim desfila, sensualiza, mostra seu charme a quem queira vê-la e apreciá-la. Estrategicamente, dá o ar de sua graça com o seu canto: alguns tímidos miaus.
Dez horas da noite. Horário de silêncio. Lei do sono. Regimento interno do condomínio. Convenção social consolidada. Sem muito esforço, poucos são os barulhos que se ouvem no condomínio, exceto, do bloco de onde se escreve, ter as possibilidades de assistir à novela das "oito" sem precisar ligar a televisão, por ouvir 'osmoticamente' o vizinho do terceiro andar fissurado - e praticamente surdo. Mesmo assim, a gata do jardim não deixa de ecoar seu miado mais forte, demonstrando toda sua charmée da conquista. Há quem goste e observe o ritual, há quem ignore e siga sua rotina, há quem deteste e... reclama para a síndica. E a gata do jardim, nada a perder e não sendo inquilina moradora, não desce do seu salto para paquerar. Não perde a pose.
Nove horas da manhã. Novo dia começa e nada da gata do jardim. Embaixo do carro, ela descansa depois de uma tórrida noite de amor, sente as dores das mordidas em sua nuca e das azunhadas em seu corpo e deixa suas cordas vocais em banho-maria para a próxima noite de rituais.
quarta-feira, 1 de fevereiro de 2012
Ensaios sobre o amor animal
Decidimos, após assistir pessoalmente a algumas experiências recentemente e ter, com isso, recordado de outras, a escrever o que podemos chamar de 'série especial' (aproveitando o chavão das reportagens temáticas) sobre o amor animal. Virão nas madrugadas de quinta para sexta-feira, em um total de quatro histórias. Serão quatro personagens, em um mesmo local - o condomínio -, envolvidos no enredo, cada um a seu modo: a gata, a cachorra, o papagaio e o homem.
O que estimula cada uma das histórias que prosseguirão aqui escritas, além do óbvio, parte de uma abstração que na leitura cada um terá, mas ao mesmo tempo tendo um eixo norteador comum: as formas de se relacionar.
Dito isso, então, é só aguardarmos!
O que estimula cada uma das histórias que prosseguirão aqui escritas, além do óbvio, parte de uma abstração que na leitura cada um terá, mas ao mesmo tempo tendo um eixo norteador comum: as formas de se relacionar.
Dito isso, então, é só aguardarmos!
sábado, 21 de janeiro de 2012
Galera (não) sabe (nem) brincar
Janeiro chega e as expectativas se realiza: o pré-carnaval em Fortaleza começa. São vários pontos da cidade em efervescência nos finais de semana que antecedem, até fevereiro, o carnaval e, cada um a seu modo e em seu lugar, resgata o momento momino ao cotidiano urbano.
Os holofotes, contemporaneamente, estão distribuídos para o Centro da cidade, além da tradicionalíssima Praia de Iracema e do ascendente Benfica como locais de maiores frequências da população que procura festejar. Lugares diferentes, ritmos semelhantes e ideias bastante distintas, por sinal, as quais repercutem nas pessoas que procuram cada um desses lugares e na forma e a atenção institucional que cada uma delas recebe - e sem cair aqui em determinismo social e/ou geografico. Se o Centro é geograficamente polarizador e a Praia de Iracema recebe as maiores multidões por ser um ponto de encontro de blocos de foliões, o Benfica tem apresentado crescimento em sua frequência - que é, em boa parte dos casos, de quem foge das multidões dos outros bairros.
Em uma semana, do sábado passado até esta sexta que se encerrou, presenciamos dois dos três exemplos citados: a Praia de Iracema e o Benfica. A antiga Praia do Peixe, há sete dias, receberia a abertura oficial dos festejos pré-carnavalescos e, aliado aos blocos (como o Baqueta e o Unidos da Cachorra) que desfilariam por ali - saindo do Dragão do Mar de Arte e Cultura -, milhares de fortalezenses e alguns turistas marcaram presença. Os paredões de som, proibidos por aqui, a falta de educação, o machismo, a falta de banheiros e Michel Teló, também. Ontem, ao ritmo de compositores cearenses, nas mediações do tradicional Bar do Chaguinha, o Luxo da Aldeia (que se apresenta em palco, não faz desfiles) pareceu bem mais agradável, visto que não contava com os equipamentos que estragaram o outro momento - e, supostamente, pelo bairro do Benfica ser um reduto de pessoas com diferentes orientações sexuais -, embora contasse também com a falta de infraestrutura sanitária suficiente à quantidade de presentes.
De forma simplória, em uma semana tive pré-canavais do vinagre ao vinho, mas uma frase em cearês ainda pode simplificar um pouco dos casos, cada um a seu modo e à avaliação feita: : "a galera (não) sabe (nem) brincar, viu, mah!"
Os holofotes, contemporaneamente, estão distribuídos para o Centro da cidade, além da tradicionalíssima Praia de Iracema e do ascendente Benfica como locais de maiores frequências da população que procura festejar. Lugares diferentes, ritmos semelhantes e ideias bastante distintas, por sinal, as quais repercutem nas pessoas que procuram cada um desses lugares e na forma e a atenção institucional que cada uma delas recebe - e sem cair aqui em determinismo social e/ou geografico. Se o Centro é geograficamente polarizador e a Praia de Iracema recebe as maiores multidões por ser um ponto de encontro de blocos de foliões, o Benfica tem apresentado crescimento em sua frequência - que é, em boa parte dos casos, de quem foge das multidões dos outros bairros.
Em uma semana, do sábado passado até esta sexta que se encerrou, presenciamos dois dos três exemplos citados: a Praia de Iracema e o Benfica. A antiga Praia do Peixe, há sete dias, receberia a abertura oficial dos festejos pré-carnavalescos e, aliado aos blocos (como o Baqueta e o Unidos da Cachorra) que desfilariam por ali - saindo do Dragão do Mar de Arte e Cultura -, milhares de fortalezenses e alguns turistas marcaram presença. Os paredões de som, proibidos por aqui, a falta de educação, o machismo, a falta de banheiros e Michel Teló, também. Ontem, ao ritmo de compositores cearenses, nas mediações do tradicional Bar do Chaguinha, o Luxo da Aldeia (que se apresenta em palco, não faz desfiles) pareceu bem mais agradável, visto que não contava com os equipamentos que estragaram o outro momento - e, supostamente, pelo bairro do Benfica ser um reduto de pessoas com diferentes orientações sexuais -, embora contasse também com a falta de infraestrutura sanitária suficiente à quantidade de presentes.
De forma simplória, em uma semana tive pré-canavais do vinagre ao vinho, mas uma frase em cearês ainda pode simplificar um pouco dos casos, cada um a seu modo e à avaliação feita: : "a galera (não) sabe (nem) brincar, viu, mah!"
segunda-feira, 2 de janeiro de 2012
(In)Segurança Pública (in)segura
Ceará, final de 2011: policiais militares do Ronda do Quarteirão em Fortaleza e bombeiros militares entram em estado de greve com as pautas que variam a melhorias trabalhistas - salários e carga horária - à anistia administrativa - em relação ao ato ocorrido no Centro de Fortaleza, o qual o comando considerou abusivo. Soma-se a isso a tradicional falta de diálogo com servidores públicos por parte do atual governo estadual cearense: além dos policiais e bombeiros, tem o caso dos professores da rede estadual de ensino, como exemplo notório, além de outras categorias profissionais.
Em Fortaleza, esta manifestação, que luta por um direito humano coletivo dos trabalhadores, era colocada pela mídia massiva como uma ameaça às festividades do Réveillon, anunciado como o segundo maior do país e contando, entre outros artistas, com Ivete Sangalo como grande "força motriz" a aglutinar pessoas e necessidades de segurança pública.
Ceará, começo de 2012: policiais militares do Ronda do Quarteirão em Fortaleza e algumas cidades do interior, como Juazeiro do Norte, além do Policiamento Ostensivo Geral em Sobral, o Batalhão de Choque e o Raio, assim como os bombeiros militares, endossam o movimento por melhorias - e ganham a solidariedade de algumas categorias profissionais e de parte da sociedade sensibilizada com a causa. Por outro lado, há o crescimento da violência e o crescimento dos boatos da violência disseminada pela capital cearense, em que o pânico somado às redes sociais ampliam os fatos, embora as redes sociais estejam cumprindo excelente papel de precaução aos desavisados.
Arrastões, assaltos, o clima de insegurança ronda o cotidiano social nosso. Isso não ronda os servidores da segurança pública, também, na execução de suas tarefas?
A pergunta primordial que fica ao ar e muitas vezes posta ao léu: se há, quem é o verdadeiro culpado por esta situação? Eles estão (in)seguros com essa (in)segurança? Há quem diga que são os bandidos mesmo, há quem diga que é o Estado, há quem personalize a culpa no governador, Cid Gomes. A certeza é de que a culpa não é dos policiais em greve. Dos trabalhadores da segurança pública.
E eu serei visto como ortodoxo. O debate está aberto, já que ficamos em casa.
Em Fortaleza, esta manifestação, que luta por um direito humano coletivo dos trabalhadores, era colocada pela mídia massiva como uma ameaça às festividades do Réveillon, anunciado como o segundo maior do país e contando, entre outros artistas, com Ivete Sangalo como grande "força motriz" a aglutinar pessoas e necessidades de segurança pública.
Ceará, começo de 2012: policiais militares do Ronda do Quarteirão em Fortaleza e algumas cidades do interior, como Juazeiro do Norte, além do Policiamento Ostensivo Geral em Sobral, o Batalhão de Choque e o Raio, assim como os bombeiros militares, endossam o movimento por melhorias - e ganham a solidariedade de algumas categorias profissionais e de parte da sociedade sensibilizada com a causa. Por outro lado, há o crescimento da violência e o crescimento dos boatos da violência disseminada pela capital cearense, em que o pânico somado às redes sociais ampliam os fatos, embora as redes sociais estejam cumprindo excelente papel de precaução aos desavisados.
Arrastões, assaltos, o clima de insegurança ronda o cotidiano social nosso. Isso não ronda os servidores da segurança pública, também, na execução de suas tarefas?
A pergunta primordial que fica ao ar e muitas vezes posta ao léu: se há, quem é o verdadeiro culpado por esta situação? Eles estão (in)seguros com essa (in)segurança? Há quem diga que são os bandidos mesmo, há quem diga que é o Estado, há quem personalize a culpa no governador, Cid Gomes. A certeza é de que a culpa não é dos policiais em greve. Dos trabalhadores da segurança pública.
E eu serei visto como ortodoxo. O debate está aberto, já que ficamos em casa.
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